Um pedaço de história num pin.

Pin com um pedaço do Muro de Berlim.

O Muro de Berlim caiu há 30 anos. Foi um acontecimento histórico, obviamente. Não assisti ao vivo mas dei-me conta da sua importância, até para se pensar que se poderá (ou poderia?) ter um mundo melhor, numa altura em que se falam de novos muros, reais ou metafóricos.

Uma grande amiga minha, que é alemã, resolveu fazer uma festinha comemorativa dos 30 anos da sua queda. E, gentilmente, os convidados tiveram uma oferta que é uma relíquia: a oferta de um pin/badge com um pedacinho real do muro!

Para muitos foi um virar de página necessário. Para outros um erro. Mas erro maior seria ter um anacromismo destes numa Europa que uma vez mais parece estar num rumo errático, e com a extrema-direita a piscar o olho e novos muros. Sim, os extremos por vezes podem-se tocar. E sim, faz todo o sentido repetir um lugar-comum: no meio é que está a virtude.

E eis um vídeo sem muros:

Vândalo ou génio?

A provocação anti-bélica de Banksy.

Ninguém sabe quem é (ou quem são). O cenário da sua actuação é o meio urbano, os seus edifícios, as suas paredes, os seus recantos mais decadentes. E a mensagem surge daí, dessa entropia que depois se organiza em arte, mas com um propósito de provocar, de chamar à atenção, de pôr a mão na consciência (ou inconsciência).

A arte urbana é tudo isso. E muito mais. E também é efémera, marca um tempo, ou apenas um momento. E está à vista de todos, à borla.

Sem ser à borla, fui à exposição do tal misterioso artista: Banksy.

Não foi autorizada pelo artista. Ou pelos seus representantes. Mas vale como acervo de um tempo, para que depois a sua extinção não termine numa ténue memória.

É uma pena que Banksy não tenha deixado o seu traço em Portugal. Mas para que saibam, nós temos dos melhores artistas urbanos do mundo. Duvidam? Então vejam com olhos de ver Vhils, Bordalo II e Odeith (apenas para referir estes).

E agora um vídeo:

E outro, sobre a arte de rua em Lisboa:

Radio Live Transmission*.

Este foi o meu primeiro rádio! (foto retirada daqui)

Desde os meus 9 ou 10 anos que a rádio moldou os meus gostos e preferências musicais. A partir dessa idade, e com a oferta do aparelho de rádio da foto (salvo erro, oferta dos meus pais e dos meus avós maternos, num certo Natal), ficava horas fechado no quarto a ouvir coisas novas e misteriosas para mim, mas que faziam todo o sentido descobrir e ouvir.

Ainda me lembro do programa Dois Pontos, duas horas de manhã, em cada uma delas passava um álbum inteiro, naquela altura principalmente rock progressivo e sinfónico.

Depois vieram os anos de 1977 e 1978. E com eles o punk e a new wave. E a minha vida mudou (não apenas a musical). Foram os anos do Rock em Stock. E uma vez, à noite, na improvável Rádio Renascença, eis que surge a voz do António Sérgio a apresentar bandas estranhas e desligadas de tudo o que eu até então tinha ouvido. Lembro-me de uma frase dele a apresentar os Gang of Four: “Será este o futuro do heavy metal?”. Não foi, mas deu-me a descobrir uma grande banda alternativa. E muitas outras se seguiram no Rolls Rock e no Som da Frente, anos e anos a fio.

Não havia internet, a televisão só tinha 2 canais. Mas a rádio (ok, alguma rádio) era tudo para mim!

Já depois da faculdade, e a trabalhar, assisti ao aparecimento da Voxx e da XFM, que continuaram na senda da divulgação da música mais alternativa, mas expandindo cada vez mais os horizontes musicais noutras direcções.

Nessa continuidade radiofónica, a Radar é hoje a ponta de lança da música menos massificada, para ouvidos mais esclarecidos e exigentes, mas sempre com pontes para muitos géneros, o que muito me agrada.

Já com a rádio totalmente integrada na internet, destaco aqui uma estação americana que acompanho no YouTube: a KEXP. É bastante ecléctica, passa música alternativa do mundo inteiro, com vídeos de actuações ao vivo, no Youtube. É a verdadeira Radio Live Transmission, tal como os Joy Division cantam na sua canção *Transmission.

E agora uma deliciosa banda com raízes turcas, num vídeo ao vivo na KEXP:

Tal como eu sempre digo na minha BBC Jukebox: Enjoy!

Há dois anos soei assim.

Ouvindo em retrospectiva, esta Hora do Bolo até que foi bem cozinhada. O mais engraçado é que foi feita a pensar numa certa pessoa, mas o resultado foi ter encontrado outra pessoa que se deixou cativar por ela. E que agora também já não está comigo.

A história que se conta entre as canções ainda é perfeitamente actual. O bolo desfez-se e eu ando a comer os restos sozinho. GRRRR!

Só por causa disso tomem lá uma turca (sabendo que uma certa rainha persa já não faz parte desta história):

É de mestre.

Por ocasião da visita a Lisboa de uma grande amiga minha (my music soul sister), e depois de uma ida a uma exposição de arquitectura e agricultura no CCB, foi-me dada a incumbência da escolha de um restaurante. Eu sugeri o Mestrias, a minha amiga reservou-o com antecedência pelo The Fork. E lá fomos nós, eu pela 2ª vez, a um restaurante que já foi referenciado pelo meu pai variadas vezes.

[O engraçado é que a 1ª vez que lá fui também estava acompanhado com outras duas das minhas grandes amigas. A sorte que eu tenho, amigas tão fixes e todas foram aos Mestrias. É de mestre!]

É mais uma tasca fina? É. E não é.

É fina porque tem um encanto descontraído e que casa bem com aquela zona de Lisboa — a Ajuda, junto à Igreja da Memória. Gosto da decoração e da esplanada tão agradável, nas noites mais quentes. E gosto da comida, obviamente, com influências variadas, mas um toque mais ou menos galego (digo eu). Comida que pode ser apreciada em pequenas doses, para partilhar, ou em doses individuais mais robustas, que ainda não provei.

Não é uma tasca fina porque, de uma forma interessante, preserva algumas receitas mais típicas mas dá-lhes uma abordagem ainda mais saborosa, sem cair em pretensões armadas ao pingarelho.

É para voltar de novo? Claro que é! De preferência em boa companhia. As minhas 3 amigas, por exemplo. Uma eventual e futura namorada bem pode esperar…

E agora um vídeo sobre a gastronomia galega:

Acerca dos rótulos.

As marcas definem quem tu és? (foto retirada daqui)

Nunca julgues um livro pela sua capa. É uma bela máxima. Mas todos nós, de uma forma ou outra, já julgámos (e certamente ainda julgamos) os outros pela sua aparência, por aquilo que vestem, pelos carros que conduzem, pelos sítios que frequentam, etc.

O que é certo é muitas vezes podemos fazer juízos de valor precipitados e atirar a priori uma pessoa para um qualquer compartimento hermético e encerrá-la aí como que numa prisão da qual nunca terá hipóteses de se evadir (pelo menos os outros não lhe concederão essa fuga tão facilmente).

Vem isto a propósito de que um dia destes fiquei com a sensação que alguém me fechou numa gaveta qualquer, sem que eu tivesse tido muita hipótese de contraditório. Não é grave (pelo menos neste caso não é, e até esboço um sorriso).

Ok, vamos a um caso prático:

— És copy*? Ok, então só ouves a Radar, e a música que eles passam põe-me nervosa.

*(diminutivo de copywriter, o mesmo que redactor publicitário)

Posso aferir em causa própria que algumas profissões e actividades têm traços comuns de gostos e de indumentárias, mas daí até sermos todos iguais e apreciarmos o mesmo vai uma grande distância. E eu não ouço só a Radar! E esta estação radiofónica também passa alguns músicos da Oxigénio e da Marginal. E eu oiço estas duas rádios (os meus gostos musicais são muito eclécticos, como já deu para ver um pouco neste blog).

Obviamente que tendemos sempre a conectarmo-nos com quem temos mais afinidades, sejam quais elas forem. Mas também não podemos compartimentar logo alguém só porque não reflecte o que somos. Atenção, todos nós rotulamos, eu também o faço, mas tento não o fazer conscientemente.

Falei de música, mas podia ser outra coisa qualquer. Mas o mais interessante é que do contraditório poderão surgir coisas novas e interessantes, mesmo que efémeras. Agora se isso é passível de desencadear reacções físico-químicas já é outra história…

E agora um vídeo que é um tough cookie:

Escritório às costas.

Hoje em dia há muita gente que anda com o escritório às costas. Eu não sou excepção. A “culpa” é da mobilidade e dos novos tempos laborais. Não se sai para trabalhar — e os locais podem ser os mais variados — sem ser com o laptop atrelado. Obviamente que isso pode ter algumas implicações nos costados, nem que seja a longo ou a médio prazo.

E sim, somos uns camelos, com a carga às costas, mas a necessidade impõe-se. É por isso que ando sempre com uma mochila, não tenho outro remédio. Já tinha uma mochila do Ikea (agora acho que está descontinuada). Agora, oferta do meu pai, ando com uma Samsonite. É ainda mais compacta mas tem espaço para muito. Sim, porque estas mochilas levam muito mais do que o computador. Ainda dizemos que nas malas das mulheres há de tudo. Pois numa mochila destas pode encontrar-se um canivete suíço, um corta-unhas e até um medidor de distâncias (ah pois é!). Só não dá para levar umas jolas mas acredito que haja quem as ponha lá dentro. Not moi!

A mochila-escritório.

E agora um vídeo de uma mochila levezinha: