Delícia franciscana.

Neste blog tenho falado muito de cervejas. Artesanais, é bom esclarecer. Hoje falo de mais uma. Não é artesanal, mas é de trigo, que é uma das variantes que mais aprecio.

Quando há já uns bons anos comecei a experimentar cervejas diferentes das duas principais marcas portuguesas, o meu primeiro atrevimento foi uma cerveja de trigo. Era uma Cristal Weiss. E gostava muito dela. Mas acho que era só eu e mais 2 ou 3 tipos, porque esteve pouco tempo nas prateleiras dos hipermercados. Torneira fechada! Desapareceu! Kaput! Over and out!

Ao mesmo tempo comecei a experimentar duas marcas alemãs (what else): a Erdinger e a Franziskaner. À boa maneira alemã (e da Europa Central e do Norte) apresentam-se em garrafas de 0,5 l. Pode-se dividir por duas pessoas mas não é a mesma coisa. São cervejas que devem ser bebidas em grande.

Um dia destes comprei uma Franziskaner de trigo. Podia ter sido uma Erdinger. Ou até uma Paulaner, que também é muito boa. Mas apontei à marca dos monges franciscanos. E apontei bem, porque há qualquer coisa de especial numa cerveja de trigo: são encorpadas, mas sem serem “pesadas”; têm um amargor controlado, mas são deliciosas; e depois fica-se com a sensação de se ter bebido uma refeição, sem ter de se usar garfo e faca.

Quem é que ainda não bebeu uma cerveja de trigo? Olhem que é uma boa colheita. Atrevam-se e bebam!

E agora como se deve servir uma Franziskaner (ou qualquer outra cerveja de trigo):

Segunda vida, primeira praia.

sunset carcavelos beach

Rede e voleibol. Na praia de Carcavelos (foto de Bruno Barão da Cunha).

O título deste post é um pouco exagerado, eu sei. Mas, de exagero em exagero, chega-se à praia. Neste caso, a de Carcavelos.

E como vim aqui parar? Sem entrar em detalhes muito pessoais sobre a minha vida privada, há cerca de 2 anos e meio aterrei em plena linha de Cascais/Estoril e, desde logo, tive uma atracção por esta longa praia, com um areal convidativo e ondas generosas, a olhar para o resplandecente Atlântico, polvilhado, aqui e ali, de encantadoras sereias. Ok, estou a ser duvidosamente poético, mas o impacto que nestes anos a praia teve em mim foi vital para o meu bem-estar e estado de espírito.

Só, ou bem acompanhado, muito tenho andado no paredão que liga, em serpentina marítima, Carcavelos a Paço de Arcos. Em passo acelerado, a sentir ventos e brisas, sentado no muro do Forte de São Julião da Barra para assistir a magníficos ocasos épicos solares (tanto adjectivo!), a mergulhar nas ondas ou a praticar bodyboard, a beber uma (só uma?) imperial numa esplanada (pode ser nos Gémeos ou no Moinho), a ver o mar revolto ou as estrelas em noite limpa, e até namorar, Carcavelos tem-me presenteado com muitas e boas sensações.

Se é para continuar a viver a minha segunda vida, não há que ter dúvidas: vou continuar a visitar a minha primeira praia. Até porque, como diz o ditado popular, “Há mar e mar, há ir e voltar”.

E agora um vídeo refrescante. Sobre a praia de Carcavelos, evidentemente:

And now short version in english:

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À mesa da Carpintaria.

Por vezes não há nada como uma lixa para suavizar as arestas da rotina. E isso é ainda melhor quando se corta a direito na monotonia com alguém que nos é querido.

E é assim que um final de tarde se pode ornamentar numa refeição ligeira a dois, sem ter de se comer muito. O importante é saber apreciar estes pequenos momentos, seja em que lugar for (e ainda por cima com a agradável surpresa de ter dado de caras com um primo direito).

Esse lugar foi A Carpintaria, na Av. 24 de Julho, bem perto do Mercado da Ribeira. É um espaço que se estende ao comprido, terminando num palco onde, pelo que eu sei, costuma haver música ao vivo. O pé direito é alto. Pelo nome, e por alguns utensílios e mecanismos, dá para ver que este bar/restaurante em tempos era mesmo uma carpintaria.

A refeição ligeira foi em crescendo de qualidade: um carpaccio de atum; uma pizza com rucola e queijo de búfala; e a fechar um excelente cheesecake.

É uma experiência a repetir? Claro que sim. Principalmente se for para tornear o conservadorismo dos hábitos instalados.

Cheesecake na Carpintaria

O excelente cheesecake.

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Lost in music (parte 3).

Continuando a viajar pelo meu universo musical, eis que no final dos anos 80, por entre o gosto por alguma house e techno, e com o decair da minha apetência pelas bandas baptizadas em Portugal de urbano-depressivas (mais recentemente o chamado goth rock), surge uma editora discográfica que (re)definiu os meus padrões jazzísticos: a ECM.

Jazz planante, dos países do Norte da Europa, música do mundo cruzada com improvisação, fusão de padrões clássicos com um certo avant-gard experimentalista, texturas sofisticadas mas, por vezes, despidas e enquadradas em conceitos minimalistas. Se a ECM não é isto, então oiçam e conceptualizem também.

Eis mais um exemplo:

E agora um recuerdo urbano-depressivo:

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Uma pedra de água.

água das pedras3

Água das Pedras (Salgadas), com um acompanhante essencial.

Tenho ainda na memória a primeira vez que bebi uma bebida com gás. Não sei se foi uma gasosa ou uma cola, mas aquilo “picou-me” a boca e o nariz. Por isso se diz que pica.

Recordo o filho de uma amiga que, num português com sotaque inglês (americano), um dia disse: “Isto pica”. Sim, é uma das características das águas gaseificadas.

Para mim é uma água que dá pica. Tem de estar fresca (guarda-se no frigorífico) e junta-se umas pedras de gelo e uma rodela de limão. É melhor, não tem açúcar, refresca e tem estilo. Ah, pormenor essencial: a água tem de ser da fonte das Pedras Salgadas. A famosa água das Pedras, como é mais conhecida.

Pelas suas (deles) palavras, eis o que se desvenda quando se levanta uma pedra:

Algumas das águas que bebemos hoje podem mesmo ser de chuvas que aconteceram há 10 mil anos.

Proveniente da chuva e da neve que derrete nas montanhas, a Água das Pedras passa por um processo de mineralização controlado pela própria natureza, o que faz dela uma das águas mais raras do mundo.

Durante este longo tempo, a água circula nas profundezas do subsolo, entre os 500 e os 100 metros de profundidade e vai ganhando os mineirais que fazem a sua composição única. Ao emergir, o gás, incorporado naturalmente na água e extraído da fonte com esta, mantém as mesmas características e o mesmo teor em g/L.

Very short version in english:

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Roxo de Setúbal, por favor.

Há vinhos e vinhos. Este é roxo. Mas só de nome, que advém da casta tinta Moscatel Galego Roxo. Doce, sem ser enjoativo, é um mimo de vinho, para ser consumido com moderação. A eventualidade do enjoo pode ser atenuada porque é um vinho que se bebe fresco. A garrafa deve estar no frigorífico ou, para quem é mais abonado e tem uma cozinha (ou cave) grande, num móvel frigorífico adequado para vinhos.

Neste caso posso dizer que este vinho foi (é) um brinde à amizade, pois foi-me oferecido no meu aniversário por um amigo de longa data que, por sinal, há mais de 20 anos já me tinha presenteado esta prenda tão útil.

Ninguém fica roxo com este vinho, da SIVIPA. Aquece o corpo e a alma. E é óptimo tanto para um beberete de entrada, como para acompanhar sobremesas. Também se pode beberricar a solo, como quem não quer a coisa, mas cuidado, escorrega bem.

E agora um vídeo educativo sobre o moscatel:

Cheira bem.

Isto de se ser um homem cheiroso tem muito que lhe diga. Ou, neste caso, tem muito que se lhe cheire. Sim, porque com um gajo a cena não é tomar um banho e fazer a barba e já está. Ok, até pode ser mas muito de nós já vão um pouco mais além.

Comecemos pelo banho. Tenho a impressão que os sabonetes já caíram em desuso. Agora é tudo corrido (e lavado) a gel de banho. Uns já são muito hidratantes mas, talvez por isso, parece que estamos sempre ensaboados mesmo depois de termos despejado litros e litros de água por nós abaixo. Os recursos hídricos ficam a perder, a factura da água fica a ganhar. É mau…

Depois do banho dizem as regras das peles suaves e macias que se deve usar um creme hidratante. Eu, assumo, sou um bocado adverso a isso. Fico sempre com a sensação de que vou deixar a roupa toda peganhenta. Raramente ponho. Deixo-me ficar por um creme de rosto (e corpo) mas só ponho na cara, o que já não é nada mau (já falei dele neste post).

Hoje não vou falar da barba. Já falei disso aqui. Passo directamente para a secção de perfumaria. E o que é que vamos encontrar nela? Bem, só posso falar por mim, mas este rapaz gosta sempre de andar bem cheiroso, isso é garantido!

Nas fotos mostro o que neste momento tenho em cá por casa. De Issey Miyake, são logo dois produtos: o Sport (quase a acabar e acho que já não se faz, com pena minha) e o L’Eau D’Issey Pour Homme (eau de toilette a estrear). São um must! (isto fica mais fino com estes estrangeirismos…). Depois vem um frasco (vazio) de L’Homme, de Yves Saint Laurent. Não fiquei fã, confesso. Mas foi uma oferta e a cavalo dado não se olha os dentes. Por fim vem um perfume de amor (um dia explico). É o Nike Man, e é óptimo para o dia a dia. É só sprayar e andar! (peço desculpa, mas não consegui encontrar um link, o que é estranho).

Ok, querem a história do perfume? Cliquem na bolinha vermelha da foto em cima e terão uma informação muito bem perfumada.

E agora um vídeo sobre as diferenças entre os cheirinhos para elas e os cheirinhos para eles: