2much Swatch?

 

Quem vê caras não vê corações. Ou, por outras palavras, nunca se deve julgar um livro pela sua capa. Mas há pormenores que nos distinguem uns dos outros. Que nos atraem ou nos repelem. A forma de falar, o jeito do cabelo, a roupa que se veste. Ou até os relógios que se usam. É acessório? É, mas não é forçosamente fútil ou despropositado. Por vezes é um statement, uma afirmação de diferença pessoal: “Não há mais ninguém como eu!”. Mas também somos camaleões, adaptáveis, pavões multifacetados, semáforos em contínuo pisca-pisca de visualização: “Olhem para mim!”.

E o que tem isto a ver com querermos ser notados e amados e uns relógios de plástico? Tudo e nada. Não quero ser julgado (apenas) pelo que uso mas sei que o que uso me pode destacar como individualidade. Confusos?

Isto está relacionado com o facto de ter desencantado os meus velhinhos relógios Swatch. Coitados, já não funcionam. Ou as pilhas morreram. Ou as duas coisas.

Numa certa altura da minha vida usei uma carrada deles. Eu e a pessoa com quem vivia. Hoje estão todos comigo. Recordam-me quem eu já fui. Sim, são de plástico, um reflexo dos sinais dos tempos. Relógios, apenas. Mas que deram cor ao pulso e também à alma. Nem que fosse por breves segundos.

Tic-tac, tic-tac…

(Mais uma produção fotográfica minha, que envolveu uma saladeira/fruteira da Loja do Gato Preto, pintada à mão, e meia dúzia de tomates, comprados no Continente)

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