Medalha de ouro nas Olimpíadas da arrumação.

Tupperware nos Jogos Olímpicos?

Vamos jogar às arrumações no frigorífico. Quem tem Tupperware ganha estas Olimpíadas?

Lá em casa quem é que trata das arrumações? É uma tarefa conjunta ou é esforço de um só sacrificado? E no momento de pôr as compras da casa no sítio quem é que se chega à frente? Ah, e as sobras das refeições vão para o lixo ou será que é tudo malta conscenciosa que acondiciona os restos no frigorífico? Quem opta por esta segunda hipótese é gente que dá valor ao que compra e ao que gasta, e que sabe que a comida dura mais tempo quando devidamente guardada em recipientes específicos.

Ui, tanta treta para dizer que todos nós temos em casa artigos Tupperware (ou de marcas similares), que são bem úteis e ergonómicos no que toca a arrumar alimentos ou a qualquer outra coisa. E é tão simples, que se faz sem esforço e depois é só encaixar as caixas no frigorífico de uma forma mais fácil do que jogar tetris.

Mas isto das arrumações tem muito que se lhe diga. A propósito, quem melhor arruma bagagem num carro? As mulheres ou os homens?

Ah, e arrumar a loiça na máquina? Numa outra vida era eu quem arrumava a loiça na máquina e não permitia que mais ninguém o fizesse. Hoje já não tenho esse problema, porque não tenho máquina de lavar pratos, talheres e tudo o resto. Mas tomem lá um filme com dicas para eles… e para elas (que provavelmente têm menos jeito para esta tarefa, digo eu em jeito de provocação):

Irmãos, irmãos, marcas à parte.

ADIDAS e PUMA.JPG

Lado a lado: ADIDAS e PUMA.

Era uma vez dois irmãos. Nos anos 20 do século XX, numa pequena cidade alemã, a partir da lavandaria da mãe, tinham uma empresa que fabricava sapatos. Adolph era o sossegado. Talentoso de mãos e com um bom gosto de design, era ele quem manufacturava os primeiros sapatos. Rudolph era o extrovertido, com mais olho e jeito para as vendas. Viviam todos juntos, as mulheres não se davam. E um dia, depois da segunda guerra mundial, zangaram-se.

E eis que cada um seguiu o seu caminho. Adolph Dassler (com o diminutivo de Adi) fundou a Adidas. Por deu lado, Rudolph Dassler fundou a Puma (que ainda se chamou Ruda, só para imitar o irmão mais novo). A rivalidade foi bem acesa, mas deu os seus frutos, pois ambas as empresas tornaram-se em dois gigantes do equipamento desportivo.

Hoje, cerca de 75 anos depois, estas duas marcas continuam a andar nos pés e nos corpos de muita gente. Eu tenho peças de ambas, no problem. Aliás, já falei neste blog de uns sapatos Puma. E tenho uns Adidas, que um dia mostrarei por aqui. E já agora, qual é a vossa favorita? Deixo aqui um filme para vos ajudar a decidir:

Short version in english:

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Barreiro, uma cidade à margem?

“Quando Lisboa começa a não ter oferta suficiente e a preços razoáveis, tanto para habitantes como para empresas, o Barreiro poderá ser uma excelente opção de investimento a ter em conta.”

 

Da esquerda para a direita: mural/graffiti, de Ana Paxeco; edifício fabril abandonado.

(fotos de Bruno Barão da Cunha)

Na área da Grande Lisboa não é preciso ser-se um catedrático para perceber que o Barreiro ficou à margem das pontes sobre o rio Tejo. Almada tem a 25 de Abril. E quem partir à descoberta de Alcochete ou do Montijo utiliza a Vasco da Gama. Chegar ao Barreiro de carro até parece uma odisseia, mas vale a pena visitar a cidade porque tem muito para oferecer, para quem souber o que deseja encontrar.

As marcas do setor industrial

A história mais recente de Barreiro tem em si a motriz do desenvolvimento industrial de Portugal. Uma história que teve o seu apogeu nos anos 60 e 70, mas que, nos anos seguintes, fruto de transformações políticas, sociais e tecnológicas, perdeu relevância. No entanto, o património imobiliário, agora com um inegável valor arqueológico-industrial, continua a ser uma testemunha desse passado de glorioso progresso.

Andando pela cidade é fácil perceber que há grandes contrastes entre os edifícios, muitos deles bastante degradados, mas tendo um enorme potencial de reabilitação. E quando Lisboa começa a não ter oferta suficiente e a preços razoáveis, tanto para habitantes como para empresas, o Barreiro poderá ser uma excelente opção de investimento a ter em conta.

O que faz falta…

Apesar da rapidez dos transportes fluviais para capital, há muita gente a dizer o que faz falta ao Barreiro é uma ponte. Ou várias. A primeira, e mais óbvia, seria uma terceira via sobre o Tejo, com ligação a Lisboa, fosse ela rodoviária, ferroviária, ou até ambas numa só. Aliás, esteve sempre em cima da mesa uma ponte entre o Barreiro e Chelas, mas pelos vistos, e para já, esses planos não irão sair da gaveta.

Depois, o Barreiro fica aninhado numa península, faltando também pontes para o Montijo e para o Seixal (já houve uma ligação para o Seixal, mas foi abalroada e destruída por um barco; atualmente há um projeto para uma ponte pedonal). Desta forma, o Barreiro é quase como uma ilha, tão perto de Lisboa, mas ao mesmo tempo tão longe. E isso pode fazer parte do seu charme.

A oferta cultural e de lazer

Para além do potencial imobiliário para habitação, e também para a implantação de empresas, o Barreiro tem muito para oferecer ao nível do associativismo cultural, de lazer e animação, bem como na quantidade de fantásticos exemplos de arte urbana.

O Barreiro é das cidades com o maior número de associações de âmbito desportivo e cultural. Entre elas é de referir a ADAO – Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios. Instalada num antigo quartel de bombeiros, é um polo de divulgação cultural mais alternativa, sendo bastante dinâmica e estando sempre pronta a divulgar novos nomes de muitas tendências e artes variadas. Mas há mais associações muito relevantes. É só pesquisar e conhecer.

Para beber um copo, ou até comer alguma coisa, e só com produtos portugueses, àPortuguesa Brr é um bar onde nos sentimos como se estivéssemos em casa. E, de facto, é como se fosse a nossa casa, com várias salas, sendo que uma delas é uma cozinha e outra um pequeno pátio interior. “Está-se bem”, é o que apetece dizer enquanto se come alguma coisa e se conversa sempre com uma seleção musical de fundo.

 

Da esquerda para a direita: mural de Vhils; arte mural no Barreiro.

(fotos de Bruno Barão da Cunha)

No Barreiro a arte urbana não é algo vil

Fruto da degradação de muitos edifícios, mas tirando partido dela, o Barreiro é um verdadeiro museu a céu aberto de arte urbana. Há pinturas e graffitis um pouco por todo o lado, mas sempre com um forte sentido estético, procurando deixar imaculados os edifícios mais recentes e que se apresentam em bom estado.

Porque o Barreiro é realmente um marco na street art nacional, desde Fevereiro deste ano o conceituado artista urbano Alexandro Farto — mais conhecido por Vhils — tem um fantástico mural na cidade, tendo muito recentemente instalado o seu estúdio de trabalho na zona industrial da Quimiparque.

Também por este motivo, o Barreiro é uma cidade que quer deixar de estar à margem, tendo ela própria uma dinâmica que, muito em breve, poderá ser uma referência no panorama nacional.

(Artigo escrito por Francisco Duarte e também disponível aqui)

Delícia franciscana.

Neste blog tenho falado muito de cervejas. Artesanais, é bom esclarecer. Hoje falo de mais uma. Não é artesanal, mas é de trigo, que é uma das variantes que mais aprecio.

Quando há já uns bons anos comecei a experimentar cervejas diferentes das duas principais marcas portuguesas, o meu primeiro atrevimento foi uma cerveja de trigo. Era uma Cristal Weiss. E gostava muito dela. Mas acho que era só eu e mais 2 ou 3 tipos, porque esteve pouco tempo nas prateleiras dos hipermercados. Torneira fechada! Desapareceu! Kaput! Over and out!

Ao mesmo tempo comecei a experimentar duas marcas alemãs (what else): a Erdinger e a Franziskaner. À boa maneira alemã (e da Europa Central e do Norte) apresentam-se em garrafas de 0,5 l. Pode-se dividir por duas pessoas mas não é a mesma coisa. São cervejas que devem ser bebidas em grande.

Um dia destes comprei uma Franziskaner de trigo. Podia ter sido uma Erdinger. Ou até uma Paulaner, que também é muito boa. Mas apontei à marca dos monges franciscanos. E apontei bem, porque há qualquer coisa de especial numa cerveja de trigo: são encorpadas, mas sem serem “pesadas”; têm um amargor controlado, mas são deliciosas; e depois fica-se com a sensação de se ter bebido uma refeição, sem ter de se usar garfo e faca.

 

Quem é que ainda não bebeu uma cerveja de trigo? Olhem que é uma boa colheita. Atrevam-se e bebam!

E agora como se deve servir uma Franziskaner (ou qualquer outra cerveja de trigo):

Segunda vida, primeira praia.

sunset carcavelos beach

Rede e voleibol. Na praia de Carcavelos (foto de Bruno Barão da Cunha).

O título deste post é um pouco exagerado, eu sei. Mas, de exagero em exagero, chega-se à praia. Neste caso a de Carcavelos.

E como vim aqui parar? Sem entrar em detalhes muito pessoais sobre a minha vida privada, há cerca de 2 anos e meio aterrei em plena linha de Cascais/Estoril e, desde logo, tive uma atracção por esta longa praia, com um areal convidativo e ondas generosas, a olhar para o resplandecente Atlântico, polvilhado, aqui e ali, de encantadoras sereias. Ok, estou a ser duvidosamente poético, mas o impacto que nestes anos a praia teve em mim foi vital para o meu bem-estar e estado de espírito.

Só, ou bem acompanhado, muito tenho andado no paredão que liga, em serpentina marítima, Carcavelos a Paço de Arcos. Em passo acelerado, a sentir ventos e brisas, sentado no muro do Forte de São Julião da Barra para assistir a magníficos ocasos épicos solares (tanto adjectivo!), a mergulhar nas ondas ou a praticar bodyboard, a beber uma (só uma?) imperial numa esplanada (pode ser nos Gémeos ou no Moinho), a ver o mar revolto ou as estrelas em noite limpa, e até namorar, Carcavelos tem-me presenteado com muitas e boas sensações.

Se é para continuar a viver a minha segunda vida, não há que ter dúvidas: vou continuar a visitar a minha primeira praia. Até porque, como diz o ditado popular, “Há mar e mar, há ir e voltar”.

E agora um vídeo refrescante. Sobre a praia de Carcavelos, evidentemente:

And now short version in english:

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À mesa da Carpintaria.

Por vezes não há nada como uma lixa para suavizar as arestas da rotina. E isso é ainda melhor quando se corta a direito na monotonia com alguém que nos é querido.

E é assim que um final de tarde se pode ornamentar numa refeição ligeira a dois, sem ter de se comer muito. O importante é saber apreciar estes pequenos momentos, seja em que lugar for (e ainda por cima com a agradável surpresa de ter dado de caras com um primo direito).

Esse lugar foi A Carpintaria, na Av. 24 de Julho, bem perto do Mercado da Ribeira. É um espaço que se estende ao comprido, terminando num palco onde, pelo que eu sei, costuma haver música ao vivo. O pé direito é alto. Pelo nome, e por alguns utensílios e mecanismos, dá para ver que este bar/restaurante em tempos era mesmo uma carpintaria.

A refeição ligeira foi em crescendo de qualidade: um carpaccio de atum; uma pizza com rucola e queijo de búfala; e a fechar um excelente cheesecake.

É uma experiência a repetir? Claro que sim. Principalmente se for para tornear o conservadorismo dos hábitos instalados.

Cheesecake na Carpintaria

O excelente cheesecake.

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Lost in music (parte 3).

Continuando a viajar pelo meu universo musical, eis que no final dos anos 80, por entre o gosto por alguma house e techno, e com o decair da minha apetência pelas bandas baptizadas em Portugal de urbano-depressivas (mais recentemente o chamado goth rock), surge uma editora discográfica que (re)definiu os meus padrões jazzísticos: a ECM.

Jazz planante, dos países do Norte da Europa, música do mundo cruzada com improvisação, fusão de padrões clássicos com um certo avant-gard experimentalista, texturas sofisticadas mas, por vezes, despidas e enquadradas em conceitos minimalistas. Se a ECM não é isto, então oiçam e conceptualizem também.

Eis mais um exemplo:

E agora um recuerdo urbano-depressivo:

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