A Paula mora em minha casa.

Azulejo. De Paula Rego

Azulejo assinado por Paula Rego. Produzido pela Cerâmica Bicesse. Promovido pela galeria Ratton Cerâmicas.

Tenho um azulejo. Aliás, até tenho mais (na casa de banho, na cozinha…). Mas como este só tenho um. É assinado pela pintora Paula Rego. Para mim é das pintoras portuguesas (vivas) que mais aprecio (também não há muitas mais, pelo menos com projecção). A obra dela não é consensual: ou se ama ou se odeia.

Na grande maioria das suas obras — que contam histórias — há quase sempre uma pequena crueldade latente, um poder/submissão que nos pode trazer memórias de uma infância agri-doce, pequenos contos que misturam o real com o surreal, retratos de um certo universo feminino.

Cada um de nós interpreta os seus quadros como quiser. Mas há sempre alguns fios condutores, tal como enunciei no parágrafo anterior.

Este azulejo foi uma oferta de uma empresa de comunicação onde trabalhei. Não compensa todas as chatices que por lá tive mas é uma recordação boa de um local menos agradável. É uma memória de tempos passados mas marcantes. Tal como as obras da Paula Rego.

E agora uma reportagem imperdível com Jorge Jesus a comentar a obra da pintora!

Assalto.

Fachada de prédio no Lumiar

Fachada de prédio Lumiar. Tenho a certeza. Fui eu que tirei a foto. Não tenham dúvidas disso.

Hoje uma dúvida assaltou-me. Ela nem sequer era muito grande e não parecia ser atemorizadora. Enganei-me.

— As certezas ou a vida!

Perante esta ameaça, e como fui sempre um bocado caguinchas, lá tive que lhe entregar a carteira. Não estava muito recheada e não tinha o que ela queria. Havia apenas 4 ou 5 interrogações mas de pequeno valor.

Antes de virar as costas, e mergulhar num mar de questões, ainda falou comigo num tom zangado.

— Para a próxima vez trata de teres a carteira bem recheada de certezas ou transformo-te a vida num inferno existencial, ouviste?

Fiquei a tremer e nem mesmo o auxílio de uma convicção, que veio ao meu encontro, me descansou: mais tarde ou mais cedo a dúvida iria assaltar- me de novo. Disso eu tenho a certeza.

PS: hoje não me apeteceu abordar nada de especial, mas também não quis deixar o blog em branco. Sendo assim, resolvi fazer um post com um conto curto de minha autoria. Chama-se Assalto. A foto também é minha mas funciona mais como uma abstracção colorida.

Obrigado pela compreensão.

:p

Vamos mergulhar num molho gostoso.

Faço umas “coisas” na cozinha. Desenrasco-me. Ok, vamos ser justos: até faço algumas receitas interessantes e saborosas. Para além disso, cozinhar é relaxar, se bem que não gosto de fazer nada só para mim.

Hoje não vou dar grandes dicas. Vou apenas apresentar um molho (é mais fino e correcto dizer dip). É muito simples. O que preciso?

  1. Uma embalagem de sopa instantânea de cebola (Knorr, Maggi, Continente, ou outra marca qualquer);
  2. Uma embalagem de creme de ervas finas Philadelphia;
  3. Seis iogurtes naturais (qualquer marca serve – a receita original é com quatro iogurtes mas assim acho que fica um pouco salgado).

Mistura-se tudo muito bem misturado num recipiente. Depois é levar ao frigorífico por um mínimo de 3 ou 4 horas. Serve para comer com aipo, cenoura, tomate, pepino, etc. Também dá um bom dressing (outro sinónimo fino de molho) para saladas e afins.

Pão, tomate, aipo e o tal molho

Pão, tomate, aipo e o tal molho.

Rapaziada, impressionem as vossas “meninas” (ou “meninos”, sei lá eu). É muito fácil fazer este delicioso molho.

Eis um vídeo com uma receita similar (mas com uma voz mais irritante do que a minha):

In english:

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A arte moderna é um bicho de sete cabeças. E ainda bem.

No saying Yes

No Saying Yes. Instalação visual e sonora de Rui Toscano, uma obra da Colecção Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

Gosto de arte moderna. Obviamente que não de toda (nem os meus conhecimentos sobre o assunto são assim tão vastos). Mas é um bicho de sete cabeças e ainda bem! O que quero dizer com isto? A arte moderna é muito vasta e multifacetada, é para todos os gostos. Para quem a aprecia, claro. A minha mãe não acha piada nenhuma. Eu até a percebo porque há coisas que não se entendem, mas isso é a beleza da arte: cada qual a pode interpretar como quiser. Por exemplo, gosto bastante dos filmes de David Lynch, mesmo que por vezes fique às aranhas com as histórias que conta, como é o caso do belíssimo Mulholland Drive (que tem um dos beijos mais tórridos de toda a história do cinema).

Isto não vem ao acaso: um dia destes, com algum tempo livre, fui visitar a Colecção Moderna da Gulbenkian. Já não ia lá há uns bons anos e fui apenas para fruir o espaço e as obras, sem grande preocupação em decorar os nomes dos autores e das suas obras.

Ninguém pode esperar normalidade nos conceitos e nas abordagens dos artistas, muitos deles à frente do seu tempo, sendo ainda hoje marcos de verdadeira modernidade (seja o que isso for).

A Colecção Moderna é composta principalmente por esculturas, instalações e quadros, havendo uma cuidada retrospectiva sobre os primórdios e evolução da arte moderna nacional até aos dias de hoje. São obras que reflectem as transformações políticas, sociais e económicas dos séculos XX e XXI. São mais do que meras paisagens decorativas. São reflexos da sociedade e de todos nós (isto pode soar balofo, pretensioso e lugar-comum mas é um dado adquirido. Eis mais dois exemplos:

É inquestionável: a arte moderna pinta a nossa vida com as cores e as abordagens que quisermos. Apesar de algum do it yourself, não se pense que é pegar num material qualquer e fazer uma borrada et voilà, temos uma fantástica obra de arte. Sei que algumas parecem ser isso (e que há artistas que nitidamente gozam connosco) mas há quase sempre um trabalho exploratório a priori. Estes quadros acredito que são a prova disso:

Pronto, se querem que o vosso cérebro faça faísca ou entre em tilt não sejam mariquinhas e vão até à Gulbenkian. Nem que depois seja para ficarem com um nó na tola ou então gozarem com o assunto. A arte moderna é provocatória e também serve para isso. Enjoy, if you can.

E agora o tal beijo tórrido do filme Mulholland Drive, de David Lynch:

 

Regresso à selva. Perdão, ao Fauna&Flora.

Gosto deste sítio. Já falei dele aqui, neste blog. Tenho lá parado ultimamente. Há uma boa razão para isso (os mais atentos sabem do que estou a falar). Mas, quando se entra, e se olha para a ementa, percebe-se que há muitas mais razões, que dão para todos, sejam vegan ou afins ou não.

Desde a primeira crónica sobre o Fauna&Flora voltei a ir lá mais duas ou três vezes. Gosto das entradas, das sobremesas que também podem ser o prato principal, da quantidade, e até do facto de muita coisa parecer light mas afinal não é…

A única coisa que é realmente light devem ser as plantas que decoram o restaurante/bar/sítio fixe onde se pode estar nas calmas, tal como a suculenta da foto que se mostra em baixo.

Ok, agora já sabem, quando forem para os lados da Madragoa explorem as ruazinhas deste simpático e popular bairro e já agora aventurem-se na selva. Perdão, no Fauna&Flora.

Planta Suculenta no Fauna e Flora

Planta suculenta no Fauna&Flora. Atenção, é decorativa, não é para comer!

Vamos ao Zoo de Lisboa?

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Há muitos anos que não ia ao Jardim Zoológico de Lisboa. Há cerca de uma semana fui. E gostei muito! Está muito diferente, para melhor. Bem cuidado, bem arranjado, com um teleférico panorâmico e um show de golfinhos e leões marinhos.

Os bilhetes não são baratos mas um Zoo deve ser uma despesa e pêras. É claro que há apoios e um número considerável de patrocinadores mas mesmo assim… Mesmo assim é de ir! Se eu gostaria de ver os animais em liberdade? Claro que sim. Mas nessa impossibilidade, e até como um alerta para a actual extinção em massa que se está a verificar, vão ao Jardim Zoológico de Lisboa antes que seja tarde de mais (sim, porque os verdadeiros animais somos nós, a espécie humana).

Que lindo serviço…

É a segunda vez (pelo menos) que falo de pratos e de serviços de louça neste blog. Num blog de gajo isto pode parecer estranho, mas não é. Pelo que me lembro, este serviço foi-me oferecido pelos meus pais (mais concretamente pela minha mãe), ainda vivia eu sozinho. Agora vivo de novo só mas este serviço continua comigo. Está gasto, muito usado, mas é óptimo para o dia-a-dia. Diz que é da China, mas acho que não. É da marca Lynns mas tentem descobrir no site se é norte-americano ou não. Fiquei com dúvidas.

Nas fotos mostro um bule e mais duas “coisas” (não sei o nome correcto) para o chá. Acho que em cerca de 30 anos só usei o bule uma vez e foi há pouco tempo. Até que gosto de chá mas ainda não está inculcado em mim o ritual da cena… Tenho uma ou duas amigas que adoram isso, e a minha namorada também gosta. É algo que tenho de encarnar no próximo Inverno, o ritual do chá, mas sem “gueixiches”, if you know what I mean (ai que estou a lixar o politicamente correcto do Marca de Homem, que lindo serviço…).

Vamos a um momento zen, com um belo ritual de chá:

E a história do chá não faz mal a ninguém, ok?