Acerca dos rótulos.

As marcas definem quem tu és? (foto retirada daqui)

Nunca julgues um livro pela sua capa. É uma bela máxima. Mas todos nós, de uma forma ou outra, já julgámos (e certamente ainda julgamos) os outros pela sua aparência, por aquilo que vestem, pelos carros que conduzem, pelos sítios que frequentam, etc.

O que é certo é muitas vezes podemos fazer juízos de valor precipitados e atirar a priori uma pessoa para um qualquer compartimento hermético e encerrá-la aí como que numa prisão da qual nunca terá hipóteses de se evadir (pelo menos os outros não lhe concederão essa fuga tão facilmente).

Vem isto a propósito de que um dia destes fiquei com a sensação que alguém me fechou numa gaveta qualquer, sem que eu tivesse tido muita hipótese de contraditório. Não é grave (pelo menos neste caso não é, e até esboço um sorriso).

Ok, vamos a um caso prático:

— És copy*? Ok, então só ouves a Radar, e a música que eles passam põe-me nervosa.

*(diminutivo de copywriter, o mesmo que redactor publicitário)

Posso aferir em causa própria que algumas profissões e actividades têm traços comuns de gostos e de indumentárias, mas daí até sermos todos iguais e apreciarmos o mesmo vai uma grande distância. E eu não ouço só a Radar! E esta estação radiofónica também passa alguns músicos da Oxigénio e da Marginal. E eu oiço estas duas rádios (os meus gostos musicais são muito eclécticos, como já deu para ver um pouco neste blog).

Obviamente que tendemos sempre a conectarmo-nos com quem temos mais afinidades, sejam quais elas forem. Mas também não podemos compartimentar logo alguém só porque não reflecte o que somos. Atenção, todos nós rotulamos, eu também o faço, mas tento não o fazer conscientemente.

Falei de música, mas podia ser outra coisa qualquer. Mas o mais interessante é que do contraditório poderão surgir coisas novas e interessantes, mesmo que efémeras. Agora se isso é passível de desencadear reacções físico-químicas já é outra história…

E agora um vídeo que é um tough cookie:

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