Dos sabores, das ofertas, das memórias.

Há cercos que são rompidos, sejam eles físicos ou virtuais. Ou ambos. E, mesmo em quarentena, há transgressões que se permitem. Em nome dos sentidos, das memórias. Ou do amor.

Na emergência de um estado que nos confina em pequenos espaços fisicos, há sempre espaço para voarmos. A liberdade do pensamento que rompe fronteiras, mesmo aquelas já há muito seladas. E um tempo de 40 anos, ou de 4 anos, vem até nós como um sopro de nostalgia que se impõe fugaz na especial condição em que agora vivemos.

E a neutralidade emocional esbate-se no sabor de uns mirtilos comprados num hipermercado em contingência fantasma; numas laranjas e num kiwi, fruto de uma oferta de desejo que irrompe de uma memória adolescente; ou num cesto descoberto nos arrumos de uma futura mudança, e que inadvertidamente se transportou comigo, como que navegando nas ondas de um tsunami.

É o que fica. Da vida. De nós. Dos outros que já nos foram próximos. De tudo o que é simples mas que vale por aquilo que para sempre ficará colado no nosso âmago. É o que fica. Da vida e, porventura, para além dela.

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