AVISO: este post tem palavras e termos que poderão ferir a susceptibilidade dos leitores, podendo alguns deles serem considerados politicamente incorrectos.

Publicado por FP/AGR/FP em Sex, 2020-10-23 20:19

Sobre a COVID-19 há sempre muito a dizer. No que me toca, eu sinto a necessidade de escrever algumas coisitas, que representam o meu ponto de vista. Assim todos ficam a saber com o que contam que não ando aqui para equivocar ninguém.

Antes de mais nada, e logo em primeiro lugar, eu acho que o que está em jogo é mesmo uma questão de perspectiva civilizacional. Por momentos dou-me conta que estou a assistir a um retrocesso. E isso deixa-me incrédulo e furioso.

Para mim o COVID-19 teve, a priori, um aspecto positivo: tive de me deixar de um certo marasmo enconado em que me encontrava e vi-me impelido a tomar um partido.

Vou já separar as águas para que ninguém fique com dúvidas: sou totalmente contra todos os novos populismos e negacionismos que resolveram sair do armário e todos os outros que estão a ser cozinhados um pouco por todo o lado. Trumps, Bolsonaros, Venturas e outros similares (sejam eles de que espectro político forem) não, obrigado.

Vamos a uma série de pontos.

1 – A PUTA DA MÁSCARA: não gosto de usar, não é cómoda, sentimos a respiração a todo o momento, os óculos embaciam, pareço um marginal com aquela merda. Mas sim, uso-a! Uso-a nos transportes públicos e agora até na rua. No local de trabalho confesso que não a coloco mas começo a equacionar essa possibilidade. Mas friso de novo: odeio mas uso (e nem sempre sou um exemplar cumpridor).

Desde o início da pandemia, as determinações das organizações competentes nunca foram muito claras sobre o assunto. Houve avanços e recuos, e eu até entendo pois estamos a comunidade científica está a lidar com algo novo e que a pouco e pouco vai-se percebendo a sua dimensão.

Aqui e ali aparecem aparecem alguns pareceres dissonantes (o que é perfeitamente natural) mas o que mais se vê são opções baseadas em crenças e com poucos ou nenhuns suportes realmente científicos. E eu nem vou referir um certo grupo de médicos que dizer estar pela verdade. Acho que vou rir, para não chorar.

Mas o que é mais preocupante é eu sentir que quem não quer usar a máscara está a demonstrar egoísmo, isto para não dizer outra coisa. Ou coisas, muito bem recheadas de vernáculo.

2 – O PAÍS E O MUNDO ESTÃO RECHEADO DE EPIDEMIOLOGISTAS: Tal como no futebol, onde somos todos treinadores de bancada, perante esta epidemia é fantástico ver a profusão de mestrados e doutorados nas matérias virais e epidémicas. A mim só me causam urticária mas assusta-me ver a estupidez galopante que se alastra um pouco por todo o lado, e que até se está a infiltrar em pessoas que eu achava que tinham 2 palmos de testa. Foda-se, afinal não têm!

Sei que o mais difícil é distinguir o trigo do joio, isto é, distinguir as fontes de informação mais credíveis de outras que não mais do que intragáveis cocktails de fake news. E, obviamente, que muitos de nós só acredita naquilo que quer acreditar mas há que fazer algum esforço e sermos críticos, para perceber que mais vale a palavra da ciência do que um monte de patranhas falsas e merdosas.

Já agora, quem não acredita na ciência e no conhecimento tem duas coisas a fazer: ou estudar e compreender; ou voltar à idade da pedra.

3 – AI QUE VIVEMOS NUMA DITADURA E SÃO TÃO MAUS QUE ME OBRIGAM A USAR MÁSCARA: Tenho lido aqui e ali que a obrigação do uso da máscara é um atentado à liberdade de escolha e à liberdade individual de cada um. Ok, se eu for por aí então estaria a cagar-me para os semáforos vermelhos nas ruas e avançaria com o carro quando quisesse, mesmo que isso pusesse em risco a minha vida e a dos outros.

Eu estaria a borrifar-me se não se usasse máscara, se para tal isso não pudesse implicar possíveis riscos nas outras pessoas. A merda é que pode, por isso parem lá com essa choraminguice.

É mesmo coisa de coninhas mimados, de pessoal que esteve sempre habituado a ter tudo e a quem não se pode dizer não.

E depois vem a cena patética de que estamos a viver numa ditadura, que a nova PIDE está aí e o caralho a 4. Porra, vão-se mas é foder, vocês sabem lá o que é viver numa ditadura. Nem eu sei!

Se estão tão preocupados com a vigilância e o Big Brother então larguem os telemóveis, os cartões bancários, as redes sociais, etc. Querem maior forma de controlo do que estas? Um gajo atesta o carro numa bomba num sítio tal e isso fica registado, vais a um centro comercial e pagas uma cena qualquer num terminal bancário e sabe-se logo onde estiveste. Isto para não falar das redes sociais, quando se coloca em directo fotos e vídeos em directos e depois tiras uma selfie e, pronto, lá estás tu com o teu querido ou querido à mesa de um restaurante ou de um bar, devidamente localizados.

Enfim, no mínimo sejam coerentes. Ou então emigrem para um país repleto de liberdades individuais. Tipo a Coreia do Norte.

4 – A ESTUPIDEZ ALUCINADA DAS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO E TUDO À VOLTA: Não querendo meter toda a gente no mesmo saco (até porque discordar é bom e é sinal de maturidade democrata) há alguns (demais para o meu gosto) com ideias delirantes e até perigosas. E o que está por trás disso é assustador: movimentos anti-vacinas, evangélicos fundamentalistas, terraplanistas, criacionistas, ufologistas e todo um conjunto de maltinha retrógada, para quem a ciência não passa de um enorme peido que é necessário pulverizar com um spray mais ou menos bem cheiroso.

São filhos de Deus, dirão. Até são mas não me fodam com todo este retrocesso civilizacional. E, no que me toca, e sendo eu agnóstico, para mim ninguém é filho de Deus mas sim das estrelas e de milhões e milhões de anos de evolução. Por isso, alucinados e mentalmente constipados, lamento mas não há nenhum reino dos céus (ou eventualmente um terrível inferno) à vossa espera!

5 – VAMOS TER MAIS RESPEITINHO POR NÓS E POR QUEM TRABALHA NA SAÚDE: Em Abril e Maio foi uma correria aos tachos e às panelas e todos vieram à rua para batucar e cantar canções de apoio aos profissionais de saúde; agora essas melodias estão silenciadas e por mim tudo bem. Mas o que já não está bem é nós estarmo-nos a negar e cagar para o que se está a acontecer, podendo infectar familiares, amigos, conhecidos, e depois tudo isto ir para cima dos ombros do SNS. Pode ser peso a mais para os profissionais da saúde e o país pode não aguentar-se à bronca.

CONCLUSÃO (a possível): Bem ou mal, temos que nos amanhar em sociedade. E, mesmo que não morramos de amor uns pelos outros, só temos de aplicar as regras básicas de segurança e conservar as devidas distâncias. Se isso não for possível, e se tivermos que ficar bem juntinhos, por favor lavem e desinfectem as manápulas e, sempre que necessário, ponham as máscaras. Eu não quero levar com os vossos perdigotos. E, acreditem, vocês também não irão querer levar com os meus.

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