A cantiga é uma arma? Claro que é!

Pouco antes do 25 de Abril, em casa dos meus pais, havia 3 músicos que se ouviam às claras: José Afonso, Sérgio Godinho e José Mário Branco. Escutavam-se numa mão cheia de LPs que tinham como denominador comum a direcção musical e a mestria dos arranjos e da produção do José Mário Branco: “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” (1971), “Os Sobreviventes” (Sérgio Godinho, 1971), “Cantigas do Maio” (José Afonso, 1971), “Margem de Certa Maneira” (1973)” e “Venham Mais Cinco” (José Afonso, 1973).

Pouco depois do 25 de Abril, e renegando um pouco a tónica de intervenção da música de altura, esqueci um pouco a sua música, muito por culpa do vendaval punk  e alternativo que soprou forte na minha adolescência e em idade de jovem adulto.

Aos poucos a reconciliação fez-se pelas letras, pelo facto de se perceber que o José Mário foi um visionário inquieto (tipicamente punk) e que isso passou para as gerações mais novas, mesmo que não se dessem muito conta disso.

Esta é a minha homenagem, tanto ao Zé Mário, como aos meus pais que me proporcionaram as suas músicas e letras desde tenra idade (mesmo que depois tenha sido crítico para com algumas delas). Mas sim, A Cantiga é Uma Arma. E isso eu já sabia.

Obrigado José Mário Branco. Vamos a um concerto?

Parabéns!

Hoje uma das minhas maiores amigas (talvez a que melhor me entende e com quem tenho um grande grau de cumplicidade e intimidade) celebra o seu aniversário. É um privilégio tê-la por perto. Obrigado, A. Vic. E para ti vai uma música de uma banda que te dei a conhecer e que tu gramas à brava. Kyssar and enjoy.

Padarias há muitas…

Sumo de laranja na Padaria do Bairro.

Em Lisboa, quase em cada esquina, há uma padaria. Ok, não há uma, há duas. Marcas. Ainda não as sei distinguir muito bem na sua essência, pois os conceitos são muito parecidos. E os nomes também. Uma é portuguesa, a outra é do bairro. Vai quase dar ao mesmo e não há mal nenhum nisso.

Qual a melhor em termos de comparação? Eu conheço as duas mas ainda não me decidi, se bem que o meu coração balança mais para a Padaria do Bairro. Mas, lá está, é relativo, porque de loja para loja, da mesma rede, devem existir algumas nuances. Não sei ainda quais… Um dia, quando as descobrir, desvendo-as.

E agora vai um delicioso sumo de laranja pop, ao vivo?

Vândalo ou génio?

A provocação anti-bélica de Banksy.

Ninguém sabe quem é (ou quem são). O cenário da sua actuação é o meio urbano, os seus edifícios, as suas paredes, os seus recantos mais decadentes. E a mensagem surge daí, dessa entropia que depois se organiza em arte, mas com um propósito de provocar, de chamar à atenção, de pôr a mão na consciência (ou inconsciência).

A arte urbana é tudo isso. E muito mais. E também é efémera, marca um tempo, ou apenas um momento. E está à vista de todos, à borla.

Sem ser à borla, fui à exposição do tal misterioso artista: Banksy.

Não foi autorizada pelo artista. Ou pelos seus representantes. Mas vale como acervo de um tempo, para que depois a sua extinção não termine numa ténue memória.

É uma pena que Banksy não tenha deixado o seu traço em Portugal. Mas para que saibam, nós temos dos melhores artistas urbanos do mundo. Duvidam? Então vejam com olhos de ver Vhils, Bordalo II e Odeith (apenas para referir estes).

E agora um vídeo:

E outro, sobre a arte de rua em Lisboa:

Radio Live Transmission*.

Este foi o meu primeiro rádio! (foto retirada daqui)

Desde os meus 9 ou 10 anos que a rádio moldou os meus gostos e preferências musicais. A partir dessa idade, e com a oferta do aparelho de rádio da foto (salvo erro, oferta dos meus pais e dos meus avós maternos, num certo Natal), ficava horas fechado no quarto a ouvir coisas novas e misteriosas para mim, mas que faziam todo o sentido descobrir e ouvir.

Ainda me lembro do programa Dois Pontos, duas horas de manhã, em cada uma delas passava um álbum inteiro, naquela altura principalmente rock progressivo e sinfónico.

Depois vieram os anos de 1977 e 1978. E com eles o punk e a new wave. E a minha vida mudou (não apenas a musical). Foram os anos do Rock em Stock. E uma vez, à noite, na improvável Rádio Renascença, eis que surge a voz do António Sérgio a apresentar bandas estranhas e desligadas de tudo o que eu até então tinha ouvido. Lembro-me de uma frase dele a apresentar os Gang of Four: “Será este o futuro do heavy metal?”. Não foi, mas deu-me a descobrir uma grande banda alternativa. E muitas outras se seguiram no Rolls Rock e no Som da Frente, anos e anos a fio.

Não havia internet, a televisão só tinha 2 canais. Mas a rádio (ok, alguma rádio) era tudo para mim!

Já depois da faculdade, e a trabalhar, assisti ao aparecimento da Voxx e da XFM, que continuaram na senda da divulgação da música mais alternativa, mas expandindo cada vez mais os horizontes musicais noutras direcções.

Nessa continuidade radiofónica, a Radar é hoje a ponta de lança da música menos massificada, para ouvidos mais esclarecidos e exigentes, mas sempre com pontes para muitos géneros, o que muito me agrada.

Já com a rádio totalmente integrada na internet, destaco aqui uma estação americana que acompanho no YouTube: a KEXP. É bastante ecléctica, passa música alternativa do mundo inteiro, com vídeos de actuações ao vivo, no Youtube. É a verdadeira Radio Live Transmission, tal como os Joy Division cantam na sua canção *Transmission.

E agora uma deliciosa banda com raízes turcas, num vídeo ao vivo na KEXP:

Tal como eu sempre digo na minha BBC Jukebox: Enjoy!

Há dois anos soei assim.

Ouvindo em retrospectiva, esta Hora do Bolo até que foi bem cozinhada. O mais engraçado é que foi feita a pensar numa certa pessoa, mas o resultado foi ter encontrado outra pessoa que se deixou cativar por ela. E que agora também já não está comigo.

A história que se conta entre as canções ainda é perfeitamente actual. O bolo desfez-se e eu ando a comer os restos sozinho. GRRRR!

Só por causa disso tomem lá uma turca (sabendo que uma certa rainha persa já não faz parte desta história):

Acerca dos rótulos.

As marcas definem quem tu és? (foto retirada daqui)

Nunca julgues um livro pela sua capa. É uma bela máxima. Mas todos nós, de uma forma ou outra, já julgámos (e certamente ainda julgamos) os outros pela sua aparência, por aquilo que vestem, pelos carros que conduzem, pelos sítios que frequentam, etc.

O que é certo é muitas vezes podemos fazer juízos de valor precipitados e atirar a priori uma pessoa para um qualquer compartimento hermético e encerrá-la aí como que numa prisão da qual nunca terá hipóteses de se evadir (pelo menos os outros não lhe concederão essa fuga tão facilmente).

Vem isto a propósito de que um dia destes fiquei com a sensação que alguém me fechou numa gaveta qualquer, sem que eu tivesse tido muita hipótese de contraditório. Não é grave (pelo menos neste caso não é, e até esboço um sorriso).

Ok, vamos a um caso prático:

— És copy*? Ok, então só ouves a Radar, e a música que eles passam põe-me nervosa.

*(diminutivo de copywriter, o mesmo que redactor publicitário)

Posso aferir em causa própria que algumas profissões e actividades têm traços comuns de gostos e de indumentárias, mas daí até sermos todos iguais e apreciarmos o mesmo vai uma grande distância. E eu não ouço só a Radar! E esta estação radiofónica também passa alguns músicos da Oxigénio e da Marginal. E eu oiço estas duas rádios (os meus gostos musicais são muito eclécticos, como já deu para ver um pouco neste blog).

Obviamente que tendemos sempre a conectarmo-nos com quem temos mais afinidades, sejam quais elas forem. Mas também não podemos compartimentar logo alguém só porque não reflecte o que somos. Atenção, todos nós rotulamos, eu também o faço, mas tento não o fazer conscientemente.

Falei de música, mas podia ser outra coisa qualquer. Mas o mais interessante é que do contraditório poderão surgir coisas novas e interessantes, mesmo que efémeras. Agora se isso é passível de desencadear reacções físico-químicas já é outra história…

E agora um vídeo que é um tough cookie: