A juventude em estado líquido.

SUNLOVER COLLAGEN. Beber para não envelhecer?

Um dia destes, numa merecida pausa ao final da tarde, fui ao frigorífico buscar algo para refrescante para beber. Sentei-me na marquise e absorvi a brisa vespertina na companhia de SUNLOVER COLLAGEN, de amendoins crus, de sementes de girassol e de um livro.

Eu nunca tinha provado esta bebida. Foi uma oferta que recebi com agrado. E, na ausência da pessoa que me ofereceu a latinha, vivi uma urbana mas bucólica nostalgia, picando os amendoins e as sementes de girassol. O tempo passa… Mas este líquido tem propriedades que combatem a infalível passagem temporal. É o que diz o texto do site:

SUNLOVER COLLAGEN é a verdadeira inovação anti-aging em estado líquido. Fácil de tomar, esta bebida nutri cosmética tem um agradável sabor a pêssego branco – uma fruta oriental que ajuda a nutrir o corpo por ser uma fonte de vitaminas, minerais e fitonutrientes.

Banha da cobra ou bebida milagrosa? Bem, deverá ter algum fundo de verdade mas, obviamente, é algo para se levar (beber) com conta, peso e medida. No entanto, elucidam-me com a composição do produto e como tomá-lo:

Descrição do produto

Com Colagénio Marinho Hidrolisado
ZERO Kcal. 0% açucar (Stevia)
Sem: Conservantes, Gluten e Lactose
Aroma Natural de Pêssego Branco 
Vitaminas B3, B5, B6, B7, C, E e ZINCO

Como tomar?

Beba gelado e agite antes de beber. 
Aconselhamos o consumo de 1 SUNLOVER COLLAGEN por dia (2,5g de colagénio), pelo menos, durante 8 semanas.

Sem ironia, fico impressionado com o segredo de SUNLOVER. Afinal, está tudo no colagénio:

O colagénio, uma proteína, abundante no corpo humano, é a principal responsável por fornecer força e elasticidade à pele, 
ao mesmo tempo que ajuda a substituir as células mortas. Com o avançar da idade, a produção do colagénio começa a 
diminuir naturalmente, originando o envelhecimento cutâneo.

Magistralmente formulada com os princípios ativos do colagénio marinho hidrolisado, o SUNLOVER COLLAGEN promove 
uma ação rápida e de grande absorção, intervindo diretamente no reforço do nível do colagénio no corpo humano. 
O SUNLOVER COLLAGEN, contém elevados índices de vitamina C, que é a principal responsável pelo processo de produção 
de colagénio na constituição física.

Sorvendo as suas últimas gotas, atirei-me de cabeça às últimas páginas Tejo e das suas histórias. Nem bebida, nem o livro se perderam. Afinal ganhei mais tempo de conhecimento, e isso é um belo trunfo anti-aging.

E agora vejam aqui um vídeo sobre o tal livro, que recomendo vivamente, do jornalista e escritor Luís Ribeiro.

Conan, o rapaz do futuro?

Como é que um acontecimento pouco relevante a nível musical (na minha perspectiva) — O Festival da Canção —  tem levantado tanta celeuma a propósito da canção e do intérprete vencedores?

Antes de abrir as “hostilidades” (e, aviso já, este post estará recheado de vernáculo e será longo), vale a pena fazer um intróito.

NO LIMITE DA ESTRANHEZA E DO (BOM) GOSTO

Há pouco menos de um ano ouvi pela 1ª vez Conan Osíris na rádio Radar. Lembro-me bem que a minha reacção foi “Foda-se, que merda é esta?”.  Aquilo saia um bocado fora dos padrões daquela estação radiofónica mas, por mais estranho que possa parecer, senti que havia ali qualquer coisa sui generis, mesmo na improvável fronteira entre o muito bom e o muito mau. Obviamente fiquei confuso, incapaz de ter uma opinião concreta sobre o que tinha acabado de escutar. O tema era Celulitite. Abram bem esses ouvidos:

Três coisas destacaram-se logo: A voz do rapaz; a parte instrumental; a letra da canção.

  • A voz: soou-me exótica mas interessante, com evidentes inspirações ciganas, fadísticas e orientais, tudo num só registo, o que é obra, apesar de alguns tiques mitra (mas o rapaz também é isso);
  • A música: o meu desnorte instalou-se porque há influências variadas, umas que gosto, outras nem tanto. Gosto da inspiração oriental, gosto menos da batida mais ou menos africana. O problema (para mim) é que “aquilo” está bem produzido e bem misturado, e isso lixou-me porque até soou bem aos meus ouvidos;
  • A letra: aqui é que a porca torceu o rabo. Que porra de cena é aquela? Que nexo filho da puta? Mas acontece que, depois do espanto inicial, me ri p’ra caraças.  Para mim, no início era o elo mais fraco da coisa, mas agora, meses passados, e com outras músicas escutadas, percebi que há ali um nexo under 25, uma mitrice suburbana latente, uma desconexão quase dadaísta, que cada um interpreta como quiser. Passados uns tempos a cena começou a fazer algum sentido, mas temos de a enquadrar num cenário que eu não adivinharia: a música deste gajo trouxe à ribalta um esquecido conflito de gerações! (já lá irei).

Tomem lá este pedaço da letra de Celulitite (vão ficar de boca aberta e sem atinarem uma porra); agora o que eu acho interessante — e por estar (ainda) ligado à escrita — é que as rimas do gajo são sonoras, desconstrutivas e aparentemente aleatórias. Prefiro isso a ouvir vezes sem conta “I love you” e outras merdas completamente inócuas e balofas.

Ali pisaste, ali ficaste
Ali partiste a party com o lípido que abanaste
Paulatinamente, praticamente nunca papaste
Trabalhas ‘pa patrulha pela pata que apanhaste

UM CULTO EM ANDAMENTO

Para os mais distraídos (uma imensa maioria) Conan Osíris já era conhecido num circuito (já não tão restrito) de algumas rádios mais alternativas, dando concertos em cenas mais ou menos hipster, tendo estado presente no último Festival Paredes de Coura, por exemplo.

Conclusão: OSÍRIS REACENDEU O CONFLITO DE GERAÇÕES!

Sim. O gajo é apreciado (e compreendido) por uma faixa etária mais baixa (diria dos 15 aos 30 anos); malta que passa a vida ao telemóvel, que domina e tem interesse nas novas tecnologias, e vive intensamente as redes sociais. Sinais dos tempos.

É engraçado eu assistir a muito pessoal com mais de 40 anos que tem ficado escandalizado com o gajo, soando aos meus avós quando eu tinha 20 anos. Porra, a memória é curta. Parecem os novos Velhos do Restelo. Já se esqueceram do que ouviam quando era mais novos. Foda-se, com 14 ou 15 anos eu comecei a ouvir bandas punk, gente que pouco sabia tocar e com letras de raiva e de adrenalina, com alfinetes de ama pregados nas roupas e no corpo e cabelos espetados. E agora ficam escandalizados com um gajo que se veste como se fosse um andarilho do século XXII? Já se esqueceram do António Variações? Eu vou recordar-vos…

VARIAÇÕES SOBRE VARIAÇÕES

Alguma gente pode achar a comparação herética, mas ela é inevitável. Pior, agora o António Variações é intocável. Mas eu recordo que ele em vida não foi apreciado por aí além. Ainda me lembro bem da curta evocação da morte dele num concerto dos Trovante, no Coliseu de Lisboa, em 1984. Muita gente não sabia quem era. Mas o António era de outro tempo, não havia nem internet, nem redes sociais, em vida não teve a devida projecção. Bastou morrer…

Se eu comparo o Conan Osíris ao António Variações? Sim, comparo! Não é na música, nem no estilo. O António misturava o rock com influências de alguns géneros ditos folclóricos e populares do Norte de Portugal, e também o fado (aliás, esse é o único ponto convergente com Conan Osíris — o fado e Amália). A comparação é no género de atitude, na genuinidade de um e de outro. Sim, acredito na autenticidade do Osíris. Ele parece ser aquilo que é, apesar de muita gente discordar.

O próprio Conan está farto dessas comparações. Mas ressalva um ponto importante: o António Variações era um intérprete! Teve a felicidade de se ter rodeado de bons músicos e produtores. E o seu talento e originalidade ganhou asas e voou. Já o Conan, que também é intérprete, produz e compõe todas as suas músicas, tudo a partir de um computador caseiro e de um programa de edição musical mais ou menos comum. Ele não é um músico, no sentido tradicional da palavra. Mas muitos dos intérpretes da música pop também não o são. O truque é distinguir o trigo do joio (mas para uns o trigo pode ser o joio e vice-versa).

E aqui, em traços muito gerais, chegamos a outro ponto muito importante:

A INDÚSTRIA MUSICAL MAINSTREAM

É uma merda. Os estilos são a coisa mais bexigosa que eu ouvi: r&b da treta, reggaeton (dá-me vómitos), kizomba, hip-hop mas do mauzito, pop juvenil manhoso, música de dança da mais tramposa, etc., etc.

A maioria dos “artistas” e intérpretes são como que fabricados numa linha de montagem. Faz parte da nossa voragem consumista. Não é arte, é entretenimento. E as estrelas pop (para mim são mais cometas) fabricam-se com facilidade. Vejam estes três exemplos:

Elucidados? E agora mais um embuste:

OS EVENTOS FESTIVALEIROS

A bosta continua. Daqui raramente sai alguma coisa de jeito. Mas o pessoal fica todo escandalizado: “Ai o Salvador Sobral, que porcaria, vai ficar em último lugar”. Mas ganhou. É o maior! Hipótese plausível: o Conan ganha aquela merda: “Épá, eu sempre acreditei nele! O gajo é um génio!”. Foda-se, mentira. Mas é assim que funciona.

Quando era bem novinho recordo-me que via os festivais nacionais e internacionais com os meus avós. Era um acontecimento, só havia um canal ou dois de TV, não havia internet, nem se sonhava com isso. Lembro-me da Tourada, interpretada pelo Fernando Tordo, ainda antes do 25 de Abril. Ou o E Depois do Adeus. Mas pouco mais. Na Eurovisão fica para sempre na memória Waterloo, pelos ABBA, possivelmente o único grupo que teve uma carreira consistente depois desse evento. Quase todos os outros foram apenas pequenos episódios mais ou menos efémeros.

Já há muitos anos que não me meto em festivais. Não vi o Festival da Canção em que o Salvador Sobral ganhou. Vi a vitória dele na Eurovisão, mas em diferido. Com o Conan foi a mesma coisa. Vi Telemóveis no youtube e pronto. Mas voltemos ao essencial…

GÉNIO OU NÃO, EIS A QUESTÃO

Ficou muito por dizer, mas tudo se resume a uma coisa essencial: o gosto pessoal de cada um. Por exemplo, não gramo Queen. Reconheço-lhes o talento, mas não consumo. Por isso compreendo que não se goste de Conan. O gajo e a música são estranhos. Para mim também são. Mas consigo ver aqui e ali uma ponta de génio naquela chunguice que está latente e ele também não a esconde. Por isso o considero genuíno (lamento a heresia, fãs de António Variações). Se o tipo é ou não o rapaz do futuro (ou com futuro), só o futuro o dirá (passe pleonasmo). Possivelmente, se ele continuar a trilhar o seu caminho, ou caminhos, poderá consolidar-se como algo de único no panorama musical português. Pode ser também um fogo fátuo. Pior ainda: o gajo é captado pela indústria musical dominante e vira um verdadeiro cocó sem personalidade. E isso seria a sua maior derrota.

Obrigado. E só mais uma:

Antes da polémica, dois consensos.

Vem aí um post sobre o Conan Osíris. Preparem-se. Não será consensual e, possivelmente, terá uma pequena dissertação sobre a música pop e moderna e afins.

Para já, e porque os meus ouvidos continuam a chegar a muitos lados, deixo aqui dois vídeos de duas bandas que valem a pena ouvir.

A primeira vem do Canadá. Têm o engraçado nome de BadBadNotGood. Apresentam-se com uma forte base jazzística, indo buscar muitas influências ao espectro r&bSão predominantemente instrumentais. É para ouvir vezes sem conta.

A segunda banda também é basicamente instrumental, movendo-se na área do jazz eléctrico, mas tendo pózinhos de heavy metal e até de math rock. Chamam-se Chon. São excelentes músicos,  que, por vezes, “despejam” muitas notas, mas é uma banda do caraças. Oiçam.

Agora preparem-se. Muito em breve vem aí Conan Osíris.

A fúria do ramen.

Um sábado destes, depois de ter saído de um concerto na Gulbenkian, e sem saber onde ir jantar (não me estava nada apetecer enfiar-me num restaurante de fastfood), entrei no Afuri, um restaurante muito perto do Teatro Nacional de São Carlos.

Não é um restaurante qualquer. É um espaço descontraído mas elegante, onde se degusta o ramen, uma das últimas fúrias gastronómicas desta Lisboa tão movida. A noite estava fresca e eu desasado, logo uma sopa (ok, o ramen é mais do que uma sopa) muito substancial e aconchegante vinha mesmo a calhar.

Marchou uma entrada (que fez as vezes do couvert): Namba-Zuke (mix de peixe finamente frito com juliana de legumes em sunomono). Seguiu-se o ramen propriamente dito. A escolha foi o Asari Shoyo (caldo de galinha e amêijoa, molho de soja, amêijoas da nossa costa, cebolo, alho francês, cha-shu e jam de trufa negra).  Estava muito quentinho e saboroso, com uma fatia de carne de porco e uma saborosa massa. Mas o caldo é imperdível! Acompanhei com uma Afuri Lager, aparentemente uma cerveja artesanal feita para o restaurante. Terminei com uma sobremesa: Trufas de Chocolate e Sésamo (ou não fosse eu doido por chocolate).

Soube-me bem e ajudou a ter um final de noite mais reconfortante. Sim, porque a música e a comida aconchegam que é uma maravilha.

E agora ramen (vídeo com um final parvo) e música (o guitarrista que vi no Concerto de Aranjuez, na Gulbenkian):

Khruangbin voa alto e bom som.

São americanos. De Houston, Texas. São 3. E têm um grande som. São uma banda essencialmente instrumental e peculiar: o baterista é um metrónomo estático mas muito preciso; a baixista é eficiente e sexy como o raio; o guitarrista é um fenómeno de virtuosismo, sem ser espalhafatoso. Dois deles usam perucas (há uma razão para isso). As influências sonoras vêm de muitos lados. Khruangbin. O nome é estranho. Quer dizer engenho voador, em tailandês. Enfim, um avião. É embarcar, ver e ouvir. Enjoy.

Have a nice trip.

Já coloquei neste blog alguns posts com variadas alusões musicais. Este vai por inteiro para uma obra-prima sonora: Pink Floyd – Live at Pompeii.

Quem conhece os meus gostos musicais sabe bem que fugi do prog rock como o diabo da cruz. Mas, o mais interessante, é que a minha viagem pelo mundo da música começou muito por aí.

Não é fácil de ver e ouvir mas, se estiverem no mood certo, não deixem de embarcar nesta viagem sonora e visual. Enjoy (tal como remato na minha página musical do facebook, BBC Jukebox).

O factor LX.

Reservatórios LX.

Todas as cidades têm o seu je ne sais quoi. Lisboa não é excepção. Aliás, Lisboa tem cada vez mais pontos de interesse e alguns até podem ser bem alternativos. A LX Factory é um desses sítios. Restauração, lojas variadas, uma livraria fantástica, empresas e também concertos, eventos e animação cultural, há de tudo um pouco neste espaço tão peculiar, e que para muitos é totalmente hipster.

Mas qual o seu passado? Não há nada como uma citação do tripadvisor:

É no ano de 1846 que a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, um dos mais importantes complexos fabris de Lisboa, se instala em Alcântara. Esta área industrial de 23.000m2 foi nos anos subsequentes, ocupada pela Companhia Industrial de Portugal e Colónias, tipografia Anuário Comercial de Portugal e Gráfica Mirandela. Uma fracção de cidade que durante anos permaneceu escondida é agora devolvida à cidade na forma da LXFACTORY. Uma ilha criativa ocupada por empresas e profissionais da indústria também tem sido cenário de um diverso leque de acontecimentos nas áreas da moda, publicidade, comunicação, multimédia, arte, arquitectura, música, etc. gerando uma dinâmica que tem atraído inúmeros visitantes a re-descobrir esta zona de Alcântara. Em LXF, a cada passo vive-se o ambiente industrial. Uma fábrica de experiências onde se torna possível intervir, pensar, produzir, apresentar ideias e produtos num lugar que é de todos, para todos.

Hoje andei por lá. E sem ter muito a dizer, apenas tirei umas fotos e agora a preguiça natalícia e o cansaço do meu labor impedem-me de tecer mais considerações. Apenas reforço o título deste post: a LX Factory é um elemento essencial de uma equação chamada Lisboa.

Go there and have fun!

Caminho de ferro aéreo.

Orgulhosamente industrial.

E tomem lá vídeo: