What else?

 

Com Nespresso mudei a minha forma de beber café. Antes de mais nada, deixei de pôr açúcar. Menos uma acha para uma hipotética e amarga diabetes. Depois criou-se uma espécie de ritual: a filinha para a máquina, depois de um almoço ou jantar em casa.

Durante alguns anos, em casa dos meus pais, ao fins de semana bebia-se café preparado num balão. Sejamos sinceros: era algo quase uma cerimonioso, a chama da lamparina, a água a ferver, o borbulhar de um café que até parecia artesanal.

Mas os tempos mudam. Acordamos um dia com a sensação de sermos mais sofisticados. E sexy! Sim, porque beber Nespresso acho que tem qualquer coisa de sensual. Deve estar relacionado com a sua comunicação: os homens querem ser o George Clooney, as mulheres querem ser seduzidas por ele, mesmo dando-lhe para trás. Vou lembrar:

Vai um cafezinho? Nespresso, what else.

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O Feminino em Pessoa.

 

A música é uma das minhas marcas. Desde miúdo. Não cheguei a aprender. Fui parvo.

Considero-me bastante ecléctico em termos musicais. Tanto oiço Keith Jarrett, como Dead Kennedys (agora muito raramente). Cheguei a ter cerca de 1000 CDs. Mas foram sempre poucos para a minha sede melómana.

Durante muito tempo preferi a parte estritamente musical às letras, mas hoje presto muito mais atenção às palavras, sejam em inglês, sejam em português.

O último concerto que vi foi no passado sábado (4 Novembro, 2017), na Casa da América Latina, que é um espaço a ter em conta, com exposições variadas e concertos intimistas, alguns deles à borla! A artista convidada foi a pianista e compositora brasileira Patrícia Lopes, que eu desconhecia. O que ouvi? Foi o concerto “O Feminino em Pessoa”, um espectáculo musical com base na poesia de Fernando Pessoa, composto por “um ciclo de sete canções, escritas para voz e ensemble, marcado pela leveza e a sofisticação de uma atmosfera que permite o diálogo melódico e harmónico, entrelaçado no tecido poético de Pessoa.”, palavras da Casa da América Latina, palavra que é verdade.

Agora apreciem a música e (lá está!) as palavras deste vídeo:

 

Arte para todos.

berardoA arte não deve ser um bicho de sete cabeças. Mas até pode ser. Tudo depende da visão do/da artista. E também da interpretação de quem a vê. Por exemplo, eu gosto de arte moderna. A minha mãe detesta, e eu até a percebo. Digamos que arte moderna não é um gajo dar um peido e pôr uma legenda na parede com um título do género: “VARIAÇÃO Nº1 SOBRE O ETERNO EFÉMERO DE UMA BRISA MATINAL”. Gaita, não gozem comigo! Mas também não entendo as pessoas que dizem que também elas seriam capazes de traçarem 2 riscos numa tela e pronto. 1º: não o fizeram; 2º: a arte moderna é bem mais complexa do que por vezes parece.

Em Portugal já se vê arte moderna. Daquela que um gajo ama e odeia. Há para todos os (des)gostos. É só ter uma mente mais aberta e também muito sentido de humor. Sim, porque a arte que é uma seca é uma arte virada para o umbigo. E não é bonito, principalmente se essa pequena cavidade abdominal estiver cheia de cotão: “ESTUDO SOBRE A APLICAÇÃO DO ALGODÃO NA CIVILIZAÇÃO MODERNA”.

Voilá, sou um génio de artista!

(No CCB pode-se ver uma assinalável colecção de arte moderna no Museu Berardo)

À mão de beber.

mateus roséFoi uma daquelas tardes perfeitas e quentes de início de Verão. Começou com o esvoaçar de um vestido preto num sorriso de uns lábios vermelhos (ainda não sei a marca do baton). Primeiro o filme: Paris Pode Esperar, uma viagem a dois pela França rural e a cheirar a imensos campos de alfazema. Depois foi a dois que se rumou aos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. Relva, patos, água e descontracção em ambiente urbano. Até a sesta se dormiu. Eu acho que ressonei. Não digam a ninguém…

A próxima paragem, o Parque Eduardo VII. E entrámos na festa. Na festa patrocinada pela Somersby. Mas não foi o que bebemos. Entre quatro pés de dança, o final de tarde calorosa pedia uma bebida fresca. Duas. E com palhinha. A nossa escolha agarrou duas garrafinhas de Mateus Rosé. São giras, sexy, apetitosas. E bebemos o vinho fresco, celebrando aquela tarde em que por momentos duas pessoas foram uma. Ali, mesmo à mão de beber.

(A mão da foto é da Marta, que é bem mais bonita do que a minha)