Lost in music (parte 3).

Continuando a viajar pelo meu universo musical, eis que no final dos anos 80, por entre o gosto por alguma house e techno, e com o decair da minha apetência pelas bandas baptizadas em Portugal de urbano-depressivas (mais recentemente o chamado goth rock), surge uma editora discográfica que (re)definiu os meus padrões jazzísticos: a ECM.

Jazz planante, dos países do Norte da Europa, música do mundo cruzada com improvisação, fusão de padrões clássicos com um certo avant-gard experimentalista, texturas sofisticadas mas, por vezes, despidas e enquadradas em conceitos minimalistas. Se a ECM não é isto, então oiçam e conceptualizem também.

Eis mais um exemplo:

E agora um recuerdo urbano-depressivo:

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Lost in music (parte 2).

Este post vem no decurso de um anterior. Depois de um mix há sempre um remix. Isto só para dizer que tinha para aí 13 ou 14 anos quando andava ocupado a ouvir o chamado rock sinfónico, hoje mais conhecido por prog rock: eram os Genesis (ainda com Peter Gabriel), os Yes, os Emerson Lake & Palmer, os Jethro Tull, só para falar dos mais conhecidos. Era tudo tipos com talento, virtuosismo e conhecimentos musicais acima da média, que compunham e tocavam faixas que demoravam uma eternidade, mas eu até gostava (os Pink Floyd também se enquadravam neste género musical tão teatral e grandiloquente). Eu dou 2 exemplos:

Ok, deixo aqui um delírio de mais curta duração, de uma banda holandesa:

Mas no final de 1977, princípio de 1978, tudo iria mudar. Na música pop e nas minhas hormonas. E um novo mundo (musical) se abriu perante os meus ouvidos. Tudo passou do 80 para o 8. Hey Ho Let’s Go!

De repente tudo estoirou na movida punk. Até tipos como Lemmy entraram neste novo supetão de músicas curtas, brutais e directas. O rock and roll ressuscitava!

Em breve iremos apanhar os estilhaços num próximo Lost In Music.

Um poeta na sombra.

Bruno Cunha, um poeta na sombra

Lendo poemas. (foto cedida por Marta Leonardo)

Este é um post mais atípico. De qualquer das formas, não costuma haver posts típicos neste blog. Ok, há um padrão, mas agora mando às malvas o padrão. Aviso já que até vai haver um poema! E porquê? Porque o criador e autor de Marca de Homem esteve presente no Open Day 8.0 da ADAO, tal como já referi aqui e aqui.

  • 1º Acto: andei de microfone em punho e papillon ao pescoço, a ler micro-contos aos visitantes do evento. Uns riram, outros sorriram, outros, mais sorumbáticos, devem ter olhado para o papillon gigante e pensado “Olhem-me só este palerma”. Felizmente que não há fotos minhas em plena acção interventiva como contador de pequenas histórias. Mesmo se existissem eu nunca as poria aqui.

Eis o micro-conto que mais li:

A história do rio que correu velozmente em direcção ao mar mas nunca o conseguiu encontrar

Veio o Verão. O rio secou.

  • 2º Acto: numa pequena sala escura, e quase às moscas, li alguns poemas meus. Da minha perspectiva, foi giro ver a reacção da filha da minha namorada e que parecia repetir “Olha só este palerma…”; mas o pensamento dela acrescentava algo mais perturbador: “… E ainda por cima namora com a minha mãe”. Ai como são tímidas estas novas gerações! Mas, no final, tive um comentário muito gratificante: “Precisamos de mais estupores como você”. Se lerem o poema que irei colocar neste post, acho que irão perceber.
Papillon gigante colorido 2

Papillon gigante.

Ah, tive direito a uma imperial Sagres (acho eu) de graça! Nada mau. Pena foi ser servida num copo de plástico, mas com tanta gente, e com os custos envolvidos, eu até percebo a razão (ando mal habituado com as cervejas artesanais…). E também havia paparocas, para quem tivesse um ratinho no estômago.

Se me diverti? Imenso! Antes de mais nada, o(s) espaço(s) da ADAO são incríveis, com opções tanto inside como outside (e ainda há uma torre com salas! afinal de contas a ADAO instalou-se num antigo quartel de bombeiros).

Depois a programação era muito variada: música (alternativa mas de muitos estilos), pintura, escultura, teatro, cante alentejano, performances, etc. E até poemas. Os meus. Aqui vai um estupor de um exemplo:

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Em breve mais Barreiro e Bruno.

Moinhos da Alburrica, no Barreiro

Moinhos de Alburrica, no Barreiro. (foto de Bruno Barão da Cunha)

Neste blog já falei com muito a propósito e destaque sobre o Barreiro e a sua dinâmica. A razão é simples: tenho andado por lá. Eu sei que isso não quer dizer quase nada mas é uma cidade que tem um potencial incrível, tanto a nível de dinâmica cultural alternativa, como ao nível do imobiliário.

O Barreiro é uma cidade com uma beleza industrial decadente mas que, a pouco e pouco, está a reerguer-se da cinzas e a tentar encontrar um outro rumo. É o que eu acho.

E o que tenho eu a ver com o Barreiro? Essa é a pergunta de 1.000.000 de €uros, para a qual eu não irei dar resposta, pelo menos para já. O que eu posso dizer é que estive presente num evento fantástico na ADAO. Em breve irei falar dele neste blog. Até lá, eis um aperitivo com este vídeo, acompanhado de uma Bohemia de trigo

Now in english:

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ADAO e vá!

ADAO - Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios

Fachada da ADAO, no Barreiro.

O fundador e administrador de Marca de Homem orgulha-se de ser um tipo multifacetado. Quem acompanha com mais regularidade este blog já deve ter reparado nisso. Ele é desportos radicais, mas também cozinha. Ele é gadgets tecnológicos, mas também gosta de arte. Ele é fascinado pelo universo, mas também gosta do mundano da moda e da gastronomia (que não é algo tão mundano quanto isso).

O que ainda não sabem é que este rapaz (que por acaso ainda não mostrou a sua fronha aqui, mas isso não é o mais importante), já editou um e-book de contos curtos e tem uma compilação de poemas bem guardadinha no seu mac.

Sendo assim, e só por causa das coisas (cof cof), no próximo sábado, 7 de Abril, o grand master flash de Marca de Homem irá estar presente na 8ª edição de portas abertas da ADAO, no Barreiro.

ADAO - OPEN DAY 8.0

Ora aqui está um cartaz de luxo. Eu apareço na secção Performance + Vídeo + Teatro + Dança, com o nome Francisco Bruno Cunha (sim, sou eu).

O que é a ADAO e o Open Day? Eis uma explicação, pelas suas (deles) palavras:

A Associação para o Desenvolvimento das Artes e Ofícios nasceu em 2015 no espaço que serviu durante 96 anos, até Dezembro de 2008, como sede da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste. Muito perto daquilo a que chamamos a Estação ou o Terminal ou a Desnivelada. E a ADAO é também a Estação de sonhos e ideias, o Terminal de vontades e emoções e a resposta criativa a uma época Desnivelada. Para isso, os amplos espaços e salas de trabalho que foram as camaratas, oficinas e garagem do quartel, servem agora de berço para a criatividade de artistas plásticos, arquitetos, músicos, performers e todos os que “vierem por bem”. Com alguma frequência, os espaços da ADAO assumem o formato Open Day. E é uma festa. Nesses dias, desvendam-se e acolhem-se novos sonhos, visões, caminhos, ilusões e coisas tão sérias como os reencontros. Vindos de todo o lado, em todas as direções e sentidos, sem tempo, nem idade, nem muros daqueles que às vezes se erguem à volta das pessoas. Na ADAO tudo pode acontecer: o apoio a artistas de todas as áreas; formação técnico profissional; promoção de trabalhos nas diversas áreas das artes e ofícios e, claro, a disponibilização de espaços de trabalho, oficinas e organização de eventos. Independente, congregadora, cooperante, multidisciplinar e assumidamente fomentadora e construtora de espaços criativos, a ADAO é mesmo um porto, uma estação entre linhas tantas vezes cruzadas, caminhos feitos a pulso e ferro, gerações, personalidades e razões. Aqui, cimentamos claramente a história que faz raiz deste chão em que crescemos: todos os que chegam são bem-vindos e, seja qual for o seu destino, levam sempre na bagagem uma viagem inesquecível feita de querer, fazer e partilhar. O melhor que nós podemos dar. O ponto de partida, o início da linha.

E agora vamos lá atenuar tanta solenidade com um vídeo de um desconhecido projecto musical luso, que também estará presente no Open Day da ADAO:

Short version in english:

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Vintage em grande.

Marvila é o bairro da moda (como já devem ter percebido pelos meus posts). Ou, pelo menos, está em grande transformação. Há cervejeiras artesanais em barda, restaurantes para degustar, galerias de arte, lojas com muito potencial para adquirir e muito mais. Por exemplo, continuam a existir grandes armazéns abandonados. Mas também há boas ideias para eles.

Assim, um dia destes, durante as minhas deambulações por Marvila, entrei num destes pavilhões imensos. O meu espanto transmutou-se (estranha forma verbal, confessem…) numa variada colecção vintage de mobiliário, arte, iluminação de interiores, letreiros luminosos, roupa, etc.

Sem saber, tinha acabado de aterrar nos resquícios da Collectors Marvila, organizada pelo Vintage Department, na Rua Pereira Henriques.

Realmente, é tudo vintage, que actualmente é um pouco o new chic trendy (a denominação é irritante, eu sei), mas com muitas coisas que valem a pena ver e comprar, num espaço de uma beleza decadente, como é usual neste tipo armazéns.

E agora vamos a um vídeo?

In english, please:

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All at sea again.

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CD Ocean Rain, dos Echo & The Bunnymen. Edição com 2 discos. O segundo é um concerto ao vivo. Search and listen!

Sozinho em casa. Corto uma laranja. O sumo escorre pelos dedos. É tempo de pensar no tempo que já passou. Estou a sorver as memórias do meu último aniversário. Quis apenas juntar uns amigos. São os mais chegados a mim. Pelo menos, alguns deles. Paguei uma rodada num sítio onde me sinto bem. O olhar da minha namorada compensou, sempre com a animada supervisão da filha. São assim as famílias modernas, as famílias de hoje.

Sozinho em casa. Depois da laranja, escuto o azul. Do oceano. Agradeço ao meu mano mais novo a oferta de um grande disco, que já não ouvia há muito tempo. É feito de melodias de pequenas ondas e espuma de belas letras. Cheguei a ouvir esta banda ao vivo. E uma maré de memórias me inundou. Para desaguar na minha actual existência e me levar numa corrente que desejo boa, sempre com gotas de água da chuva a bater na superfície de um oceano.

All at sea again
And now my hurricanes
Have brought down
This ocean rain
To bathe me again

Now short version in english:

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