Fazer birras em Marvila.

Segundo os dicionários, birra é um acesso de fúria que revela descontentamento ou frustração, muito comum em crianças pequenas. Mas há outro tipos de birras, que actualmente se manifestam em vários locais, sob a forma de cervejas artesanais.

Ok, birra é a palavra italiana para cerveja e, para já, ficamos por Marvila e não vamos até ao país das massas e das pizzas. Calculo que já sabem que há um Beer District em Lisboa? Eu explico: Dois Corvos, Musa e Lince são 3 marcas de cervejas artesanais que assentaram arraiais em Marvila. Como estão as 3 bem pertinho umas das outras, decidiram (e bem) ter uma excelente ideia de marketing, et voilá: nasceu o Beer District de Portugal (e arredores, digo eu).

Sobre a Dois Corvos já falei aqui. Sobre a Musa apenas vos digo que, para além de óptimas cervejas, tem um bar que é um mimo: amplo e descontraído, onde se pode beber, conversar e até ouvir e dar um pezinho de dança ao som de DJs convidados. Da Lince ainda não sei o principal: as cervejas, pois ainda não bebi nenhuma, mas estou curioso.

Por tudo isto, e porque Marvila muito em breve será um dos grandes pontos de interesse de Lisboa (já é!), não façam birras e vão à descoberta das cervejas e dos restaurantes. Em breve irei falar aqui destes últimos mas são espaços diferentes e surpreendentes e não anunciados, tanto assim é que na noite de Halloween eu e a minha namorada entrámos num pretenso restaurante, prontinhos para uma deliciosa refeição, julgando ter encontrado aquele lugar que não existe.

Mistérios de Marvila esperam por ti…

Um 2018 muito fish!

eb677a_ccb661316ee04e929cd4d2846ded1620_mv2Na passagem do ano quase todos nós temos na cabeça desejos e sonhos que gostaríamos de concretizar nos 365 dias que temos pela frente. Alguns não se concretizam mas a intenção está lá e depois logo se vê.

Portanto aqui vai uma aspiração minha para 2018: fazer uma apreciação (light) de alguns sítios onde vou degustar e comer iguarias e outros acepipes (tal como já fiz neste post).

Ora bem, posto isto, na última noite de 2017, um grupo de amigos e eu juntámo-nos na Peixola, algures na Rua do Alecrim, em Lisboa. Tal como o nome indica, é um restaurante vocacionado para as coisas do mar.

A primeira impressão do local é curiosa e agradável: a maior parte dos lugares é ao balcão, que tem a forma de um peixe estilizado (conclusão minha). O espaço é agradável e despretensioso, destacando-se um peixe de lixo de plástico a navegar na parede, o que dá um ar modernista ao restaurante. Já o wc é apertadinho, o que pode proporcionar um convívio não solicitado entre os clientes…

Quem quiser ficar com uma ideia transversal da oferta dos pratos tem um menu de degustação ao dispor. Mas eu optei por escolher pela carta. E lá fui eu por uma amêijoa, um taco de peixe galo, outro de camarão, uma sopa de peixe excelentemente picante e um tártaro de salmão, tudo muito apetecível e saboroso. Ah, isto a dividir com a minha namorada, porque não quisemos enfardar, nem esvaziar a carteira. Rematámos com um petit gâteau de caramelo com gelado. Como dias antes tinha arrancado um dente do siso, a minha opção de copos era só a água. Mas um dos empregados teve pena de mim e preparou-me um óptimo cocktail sem álcool, com uma base de maracujá, limão e laranja. Estava óptimo!

É um sítio a voltar, ideal para um copo ou dois, com duas ou três sugestões das diversas entradas e acepipes. E aconselho o balcão, até para se ver o frenesim dos empregados (muito novos) mas que, com um despachado profissionalismo, dão conta do recado. Achei que o tempo de espera pelos pratos foi um pouco lento mas como era noite de fim de ano não me incomodou muito, pois não tinha pressa de me meter ao caminho para ver o fogo de artifício.

Ok, e uma vez mais, que tenham um bom 2018, de preferência muito fish, até porque é mais saudável. E tomem lá uma musiquinha a condizer:

Jantar de Natal na Quinta.

quinta da leda

Esta é a altura dos almoços e jantares de Natal. Mas, convenhamos, há alguns que são uma seca e outros em que somos obrigados e ir, porque se não estamos (praticamente) despedidos. Depois há os almoços e jantares de família. E esses não queremos por nada deste mundo faltar, a não ser que a nossa unidade familiar seja disfuncional (e há muitas assim). Por último há outros jantares, mais raros porventura, mas que podem ser muito agradáveis ou até inesquecíveis. Nesta categoria cabem as refeições com um núcleo chegado de amigos ou então com alguém que é especial: mulher, marido, namorada, namorado, amante… eu sei lá, a escolha é vossa.

Nessa tal refeição, mais exclusiva, é bom que a comida seja no mínimo aceitável, com algum requinte mas sem formalidades e, de preferência com um bom vinho.

Este ano o meu 1º jantar de Natal foi no restaurante Rua, tal como já falei aqui. O meu 2º jantar de Natal foi ontem (22 de Dezembro) e foi delicioso: um lombo de porco fatiado (comprado no Continente) e com direito a um slow à sobremesa, ao som do disco Os Sobreviventes, de Sérgio Godinho. Confusos? Óptimo. Ah, e o vinho? Foi um magnífico Quinta da Leda 2011, da Casa Ferreirinha. É beber e comprovar…

E agora que venha o 3º jantar natalício, em família, pois claro.

Bom Natal, com muito amor e carinho, com ou sem Quinta da Leda.

Comer na Rua.

 

Quando caminho numa cidade (conhecida ou desconhecida) aquilo que mais me conforta é o cheiro a comida que sai das cozinhas dos restaurantes ou mesmo das carripanas e roulottes de street food. Em cada esquina saliva a boca e aquece e alma. Apetece provar tudo!

Foi precisamente com esse apetite de descoberta que há 2 anos uma grande amiga minha e eu tivemos a ideia de criar um grupo de acesso muito restrito no Facebook, chamado Food Out. O objectivo: ir a restaurantes em pequenos grupos para saborear em delicioso convívio a gastronomia de Lisboa e arredores.

Ao longo deste tempo já temos feito boas descobertas, com dicas dos membros do grupo e de amigos e conhecidos. Mas, mesmo fora do grupo, a exploração alimentar tem enchido as nossas medidas. E foi assim que, há pouco tempo, fomos parar ao Rua, um novo restaurante perto do Príncipe Real.

A inspiração gastronómica vem um pouco dos 4 cantos do mundo, com um menu não muito alongado, mas muito interessante. O conselho que dou é que num grupo de 6 ou mais pessoas se peçam os petiscos para depois serem partilhados por todos. Foi o que fizemos e fizemos muito bem! Asas de galinha picantes, tacos/crepes de polvo e camarão, salada de salmão marinado, e outros acepipes, rodaram pela mesa. Hum e as sobremesas, OMG! Aliás, as sobremesas demoraram um pouco e por isso mesmo fomos contemplados com uma sobremesa extra, à borla! São atenções destas que nos fazem querer voltar mais vezes. Até porque o preço por cabeça nem sequer foi caro dada a quantidade de comida, com vinho, bebidas e sobremesas incluídas (mas é melhor não pôr muito a tónica nisto porque se não os preços em 2018 lá vão eles upa, upa).

Em breve este blog irá falar mais vezes de restaurantes e de comida. Até lá, vão até ao Rua mostrar os dentes e dar umas boas dentadas em belos pedaços de saborosa e colorida comida, ok?

E agora vamos aguçar o apetite com um vídeo:

Aproveito esta ocasião — e dado que estamos na época natalícia — para  mostrar um dos mais de 10 vídeos da Pescanova, com guiões de receitas escritos por mim. Bom apetite e Boas Festas!

 

Moura encantada.

moura cervejaRumei ao Sul. Tinha destino marcado. E 1 objectivo. Aliás 2: deslumbrar-me com o brilho de 3 sóis e aproveitar a companhia e o calor de uma estrela. E foi nesse propósito que a conheci, num pátio interior, à mesa com duas tostas, uma Moura que me pareceu exótica e encantada.

Corpo sedoso, de aromas estivais e paladar a alfarroba, uma princesa de Tavira, segundo reza a lenda:

“Aben-Fabila encantou a sua filha no Alcazár de Tavira, esperando voltar para a resgatar aquando da reconquista da cidade. Partiu, no entanto, para nunca mais ser visto, e a moura encantada permaneceu até hoje, fadada a um destino que nem o seu pai poderia imaginar. Desde então, volta todos os anos a subir às muralhas, para chorar e encantar na noite de São João, no dia 24 de Junho, aprisionada a um encanto que nunca mais a libertará. Assim também, surge uma cerveja para encantar e aprisionar nos seus paladares todos os que se aventuram a saboreá-la em boa companhia.”

No entanto não há bela sem senão. É ver o site e perceber um evidente erro de comunicação. Assim não há moura que resista.

“Infiel, deixou-me…”

Um bom pecado?

apple logos

O meu 1º computador não foi um Apple (Macintosh). Foi um Compaq PresarioNão era mau, mas na minha cabeça bailava uma ideia fixa: ter um Mac! Assim, o meu 1º computador da maçã (pecado!) acabou por ser um famoso iMac. Era vermelho, redondinho, apetitoso. Ainda o tenho, não o vendo. Numa casa maior gostaria de o exibir como uma peça decorativa. Um dia lá chegarei…

Um dia o iMac pifou. Ainda hoje estou para saber o que lhe deu. Mas continuei com o bichinho da marca. Sendo assim, em 2008, comprei o MacBook, salvo erro o 1º em alumínio. É o meu portátil de eleição: pequeno, elegante, sofisticado, atraente, moderno. Mas não há bela (neste caso belo) sem senão. O tipo já não faz actualizações de espécie nenhuma, a começar pelo sistema. Não faz updates aos browsers, está lento, e já há muito que o track pad não permite cliques. Uma gaita! E logo agora que não me dá jeito (leia-se, não tenho guito) comprar outro. Depois já não têm ranhura de CD, são avaros nas portas USB e outras, etc. Mas a austeridade paga-se caro!

Os Macs continuam a ser caros, exclusivos e elitistas. Se eu quero ter outro? Claro que sim! Apetece mesmo ter! Tomara que este blog possa dar frutos. Pode ser que assim caia da árvore a maçã que eu mais desejo. O problema é se a fruta tem lagartas. Mas lá que me apetece pecar, lá isso apetece…

E agora um vídeo sobre a variedade de maçãs que deu nome a esta famosa marca:

In Vino Veritas.

This slideshow requires JavaScript.

Para além da cerveja, também sou adepto do vinho. Mas com moderação. Aprendi com o mestre: o meu pai. Já teve uma loja de vinhos (Coisas do Arco do Vinho), que já não existe, mas que foi pioneira e um caso de sucesso na zona da Grande Lisboa. E agora tem um blog muito conceituado: enofilomilitante.blogspot.pt.

coisas_do_arco_do_vinho

Ainda hoje não sei muito bem como se chega à caracterização da complexidade do cheiro, do sabor, da textura. Mas sei apreciar, distinguir o bom do menos bom, tendo sempre como referência algo essencial: o meu gosto.

O vinho tem vida, é orgânico. Cada um tem a sua própria personalidade, os seus traços que se deverão provar em suaves golos, tal como no amor. Nada de fuçanguices! Isso é só para zurrapas ou vinhos tipo light, no tempo quente. E mesmo esses podem ter o seu quê de especial.

A minha região favorita? Douro. Vinhos poderosos, que se mastigam, algo selvagens mas que se deixam aveludar ao nosso palato. Mas deixo aqui uma lista de alguns dos melhores de 2017, de todo o país, pela revista Visão.

Por falar em vinhos, e olhando para o slideshow no topo deste post, está lá uma oferta do meu pai: Quinta da Leda Tinto 2011, da Casa Ferreirinha. Também está um Castello D’Alba Douro 2015, de Rui Roboredo Madeira Vinhos, uma opção em conta mas que acredito ser muito satisfatória.

Deixo para o fim, no referido slideshow, 2 vinhos de Jorge Leonardo (ex-colega de faculdade e actualmente produtor vinícola): Ignorante Dão Tinto Reserva 2014 e Grandalhão Tinto Dão 2013. Ambos foram produzidos pelo enólogo Rui Coutinho.

Ainda não os provei (aliás, ainda não provei nenhum dos 4), mas o Jorge Leonardo sofreu um sério revés: as suas vinhas foram devastados pelos terríveis incêndios de Outubro deste ano. A minha homenagem a ele e aos seus vinhos, para que possam de novo renascer das cinzas.

Saúde!