Delícia franciscana.

Neste blog tenho falado muito de cervejas. Artesanais, é bom esclarecer. Hoje falo de mais uma. Não é artesanal, mas é de trigo, que é uma das variantes que mais aprecio.

Quando há já uns bons anos comecei a experimentar cervejas diferentes das duas principais marcas portuguesas, o meu primeiro atrevimento foi uma cerveja de trigo. Era uma Cristal Weiss. E gostava muito dela. Mas acho que era só eu e mais 2 ou 3 tipos, porque esteve pouco tempo nas prateleiras dos hipermercados. Torneira fechada! Desapareceu! Kaput! Over and out!

Ao mesmo tempo comecei a experimentar duas marcas alemãs (what else): a Erdinger e a Franziskaner. À boa maneira alemã (e da Europa Central e do Norte) apresentam-se em garrafas de 0,5 l. Pode-se dividir por duas pessoas mas não é a mesma coisa. São cervejas que devem ser bebidas em grande.

Um dia destes comprei uma Franziskaner de trigo. Podia ter sido uma Erdinger. Ou até uma Paulaner, que também é muito boa. Mas apontei à marca dos monges franciscanos. E apontei bem, porque há qualquer coisa de especial numa cerveja de trigo: são encorpadas, mas sem serem “pesadas”; têm um amargor controlado, mas são deliciosas; e depois fica-se com a sensação de se ter bebido uma refeição, sem ter de se usar garfo e faca.

 

Quem é que ainda não bebeu uma cerveja de trigo? Olhem que é uma boa colheita. Atrevam-se e bebam!

E agora como se deve servir uma Franziskaner (ou qualquer outra cerveja de trigo):

À mesa da Carpintaria.

Por vezes não há nada como uma lixa para suavizar as arestas da rotina. E isso é ainda melhor quando se corta a direito na monotonia com alguém que nos é querido.

E é assim que um final de tarde se pode ornamentar numa refeição ligeira a dois, sem ter de se comer muito. O importante é saber apreciar estes pequenos momentos, seja em que lugar for (e ainda por cima com a agradável surpresa de ter dado de caras com um primo direito).

Esse lugar foi A Carpintaria, na Av. 24 de Julho, bem perto do Mercado da Ribeira. É um espaço que se estende ao comprido, terminando num palco onde, pelo que eu sei, costuma haver música ao vivo. O pé direito é alto. Pelo nome, e por alguns utensílios e mecanismos, dá para ver que este bar/restaurante em tempos era mesmo uma carpintaria.

A refeição ligeira foi em crescendo de qualidade: um carpaccio de atum; uma pizza com rucola e queijo de búfala; e a fechar um excelente cheesecake.

É uma experiência a repetir? Claro que sim. Principalmente se for para tornear o conservadorismo dos hábitos instalados.

Cheesecake na Carpintaria

O excelente cheesecake.

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Uma pedra de água.

água das pedras3

Água das Pedras (Salgadas), com um acompanhante essencial.

Tenho ainda na memória a primeira vez que bebi uma bebida com gás. Não sei se foi uma gasosa ou uma cola, mas aquilo “picou-me” a boca e o nariz. Por isso se diz que pica.

Recordo o filho de uma amiga que, num português com sotaque inglês (americano), um dia disse: “Isto pica”. Sim, é uma das características das águas gaseificadas.

Para mim é uma água que dá pica. Tem de estar fresca (guarda-se no frigorífico) e junta-se umas pedras de gelo e uma rodela de limão. É melhor, não tem açúcar, refresca e tem estilo. Ah, pormenor essencial: a água tem de ser da fonte das Pedras Salgadas. A famosa água das Pedras, como é mais conhecida.

Pelas suas (deles) palavras, eis o que se desvenda quando se levanta uma pedra:

Algumas das águas que bebemos hoje podem mesmo ser de chuvas que aconteceram há 10 mil anos.

Proveniente da chuva e da neve que derrete nas montanhas, a Água das Pedras passa por um processo de mineralização controlado pela própria natureza, o que faz dela uma das águas mais raras do mundo.

Durante este longo tempo, a água circula nas profundezas do subsolo, entre os 500 e os 100 metros de profundidade e vai ganhando os mineirais que fazem a sua composição única. Ao emergir, o gás, incorporado naturalmente na água e extraído da fonte com esta, mantém as mesmas características e o mesmo teor em g/L.

Very short version in english:

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Roxo de Setúbal, por favor.

Há vinhos e vinhos. Este é roxo. Mas só de nome, que advém da casta tinta Moscatel Galego Roxo. Doce, sem ser enjoativo, é um mimo de vinho, para ser consumido com moderação. A eventualidade do enjoo pode ser atenuada porque é um vinho que se bebe fresco. A garrafa deve estar no frigorífico ou, para quem é mais abonado e tem uma cozinha (ou cave) grande, num móvel frigorífico adequado para vinhos.

Neste caso posso dizer que este vinho foi (é) um brinde à amizade, pois foi-me oferecido no meu aniversário por um amigo de longa data que, por sinal, há mais de 20 anos já me tinha presenteado esta prenda tão útil.

Ninguém fica roxo com este vinho, da SIVIPA. Aquece o corpo e a alma. E é óptimo tanto para um beberete de entrada, como para acompanhar sobremesas. Também se pode beberricar a solo, como quem não quer a coisa, mas cuidado, escorrega bem.

E agora um vídeo educativo sobre o moscatel:

Bom de BOCA.

Era para se chamar BACO. Mas isso era um nome muito óbvio e batido. Foi então que a minha mãe o baptizou de BOCA. E sim, é uma história verdadeira. Passo a contar:

Há uns anos o meu pai e um sócio amigo abriram uma das primeiras e pioneiras wine shops de Lisboa. Chamava-se Coisas do Arco do Vinho (ou CAV, no seu acrónimo) e estava localizada em pleno CCB (já falei da loja neste post).

A loja foi um sucesso. Tinha óptimos vinhos à venda, bem como artigos e acessórios relacionados com o seu consumo e ainda produtos de mercearia fina. Um regalo! O êxito da loja reforçou-se com as dezenas de provas de vinhos realizadas e também pela realização de jantares de vinhos, com produtores e enólogos convidados.

[Só um parênteses para dizer que gostaria muito de ter um garrafa (cheia) deste vinho. Não há por aí nenhuma alma que tenha uma e que me convide para um copo? O autor deste blog ficaria eternamente grato.]

Mas de onde apareceu o BOCA? Continuemos, então: este vinho foi uma edição limitada que surgiu por ocasião do 10º aniversário da loja Coisas do Arco do Vinho. Com a parceria e o apoio do produtor CARM (Casa Agrícola Roboredo Madeira), o meu pai e o seu sócio experimentaram várias opções e blends e, em prova cega, escolheram a mesma combinação. BOCA estava feito! E foi um óptimo vinho, por sinal. Mesmo bom de BOCA.

Sobre este vinho, citando algumas das palavras que escrevi no verso do rótulo:

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Light. É para rir ou para chorar?

a vaca que ri light

A Vaca que ri  light, em triângulos de baixas calorias, para não ficarmos redondos.

Fazemos como a vaquinha? Rimos? Ou, pelo contrário, choramos? Provavelmente nem uma coisa nem outra. Há alimentos light que podem e devem ser considerados, outros nem por isso. Não, não sou eu que digo. Não sou nutricionista, nem nada parecido. É claro que tenho cuidado com a minha alimentação, e esse cuidado tem sido maior por duas razões: saúde e desporto (uma bela combinação).

Então vamos lá ser didácticos e ver como isto é de uma forma muito resumida e light, como convém com o teor deste post (segundo o livro Os Mitos Que Comemos, do nutricionista Pedro Carvalho, citado no artigo de Luísa Oliveira, jornalista da Visão):

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Presentes no meu aniversário.

Cartão Presente Decathlon

Cartão presente da Decathlon.

Há já uns dias celebrei o meu aniversário. Já começam a ser alguns. Os anos, evidentemente. Não é algo que me deixe muito feliz, mas, para além de um almoço em família, juntei um grupo de amigos num sítio que gosto muito, e sobre o qual já falei aqui.

O melhor presente é a amizade

O meu círculo de amizades mais chegado: eu, a Filipa, o Paulo, a Diana, a Manja, a Ana e a Marta. Falta a outra Ana, que agora vive no Sul do país. Love you all!

De há uns anos para cá, eles são o meu maior presente. E quase todos eles são novos. Isto é, são novas amizades, mas no que toca à idade de espírito são incríveis!

Entre risos, balões, um bolo de chocolate e copos de cerveja artesanal, o que mais apreciei mesmo foi a disponibilidade deles para estar comigo. No dia do meu aniversário e em muitos outros dias. Danke!

Sem menosprezo de outras prendas que me ofereceram, destaco um cartão presente da Decathlon. Vai dar-me um jeitão para comprar cotoveleiras e joelheiras. Já chega de partir ossos no btt! Sim, porque isto de fazer muitos anos com saúde é muito bonito mas tenho de proteger melhor o meu esqueleto. Um tipo não vai para novo e em menos de um ano foi à vida um dedo, um joelho e um cotovelo.

I want to be safe from harm, with a little help from my friends.

E vão duas músicas bem a propósito:

Short version in english:

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