Será que o Bordallo mete penas?

A cerâmica das Caldas da Rainha sempre primou por um conceito de inspiração naturalista, seja qual for o tipo de fruta ou de legumes que representa. Sim, porque na louça das Caldas há fruta e “fruta”, se bem me entendem…

Apesar de não ser um grande fã deste tipo de louça, e de muitas vezes não perceber bem a diferença entre a boa e a má, há um nome (actualmente é mais uma marca) que é incontornável: Rafael Bordallo Pinheiro. Notabilizou-se como desenhador, ilustrador, decorador e caricaturista, mas a sua veia artística moldou-o também na área da cerâmica.

Um dia destes, andando em busca de uma prenda para uma amiga, tive na mira as peças da marca Bordallo. Na Hangar Design Store, no CCB, havia pouca coisa. E o pouco que havia era caro! Um jarrão com andorinhas em relevo era ainda mais exorbitante. Com muita pena minha, não levei o artigo com as aves. Mas confirmei: o Bordallo mete penas… de passarada.

No entanto, entre artigos decorativos naturalistas, lá dei com umas peças da marca Laboratório d’Estórias. Eram igualmente aspiradoras de dinheiro, e com um pendor ainda mais realista (ver as fotos no início deste post), parecendo interessantes para oferecer. Mas tal não aconteceu, por óbvios motivos de contenção orçamental.

O que restou então? Andorinhas, senhores, andorinhas, que a minha namorada comprou na Mercearia Poço dos Negros, a 10,50€ três. Tenho a certeza de que a nossa amiga irá voar de felicidade. Ich bin so glücklich in Portugal!

3 Andorinhas, da Mercearia Poço dos Negros

3 Andorinhas, compradas na Mercearia Poço dos Negros. (foto gentilmente cedida por Marta Leonardo)

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Vintage em grande.

Marvila é o bairro da moda (como já devem ter percebido pelos meus posts). Ou, pelo menos, está em grande transformação. Há cervejeiras artesanais em barda, restaurantes para degustar, galerias de arte, lojas com muito potencial para adquirir e muito mais. Por exemplo, continuam a existir grandes armazéns abandonados. Mas também há boas ideias para eles.

Assim, um dia destes, durante as minhas deambulações por Marvila, entrei num destes pavilhões imensos. O meu espanto transmutou-se (estranha forma verbal, confessem…) numa variada colecção vintage de mobiliário, arte, iluminação de interiores, letreiros luminosos, roupa, etc.

Sem saber, tinha acabado de aterrar nos resquícios da Collectors Marvila, organizada pelo Vintage Department, na Rua Pereira Henriques.

Realmente, é tudo vintage, que actualmente é um pouco o new chic trendy (a denominação é irritante, eu sei), mas com muitas coisas que valem a pena ver e comprar, num espaço de uma beleza decadente, como é usual neste tipo armazéns.

E agora vamos a um vídeo?

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Marca de Mulher.

Há muitas mulheres que deixam marca, seja em que ramo de actividade for. Por exemplo, há aviadoras, há arquitectas, há engenheiras. E também há governantes, políticas, empresárias. Depois há quem tenha deixado para trás uma carreira e seguiu outra vocação completamente diferente.

Helena Brízido é exemplo disso. Ex-fisioterapeuta, amiga da minha mãe, hoje é ceramista. E o que é que tenho a ver com isso, perguntam? Acontece que eu tenho uma saladeira com a sua marca, e que gosto bastante. No Verão, sirvo saladas nela. E quando isso acontece dou comigo a pensar na coragem que é preciso ter para, numa certa altura da vida, se abraçar outra actividade. No caso da Helena Brízido, ela pôs mãos à obra no sentido o mais literal possível e o resultado é de artista!

Eis um pouco da sua arte neste vídeo:

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Eu cá só IKEA.

Não é bem assim mas quase. E porquê? O design é atraente. Os artigos são funcionais. Não esvaziam (muito) a bolsa. O estilo moderno mas confortável, que fica bem numa casa de mentes arejadas. E depois sou gajo e agora vivo sozinho, não quero complicações. Quero soluções práticas. Simples mas sem serem simplistas. Trendy mas sem serem enjoativamente fashion.

Se pensam que não ligo a decoração estão bem enganados. Durante 19 anos de vida em comum com outra pessoa, num total de 3 casas, não era pêra doce consensos no que tocava ao feng shui do gosto de cada um. Por vezes era uma espécie de “Querido, quero mudar a casa” num modo finca pés. Começava no aproveitamento do espaço, passando pela escolha dos artigos e depois pelo seu transporte, terminando na luta da montagem. Era esgotante, acreditem.

Águas mais que passadas, o que interessa é que esta marca sueca veio mudar tendências e hábitos na decoração de interiores. Ok, é algo padronizada, mas com um toque pessoal tudo pode ficar com um aspecto único. É só ter gosto, olho e desejo para se viver numa casa acolhedora e despretensiosa, com um visual atraente e moderno.

Let’s look at a video?