E o Porto aqui tão perto…

Há pouco tempo fui ao Porto. Já não ía à Invicta há cerca de 30 anos (!). O que é um perfeito disparate. Sei que quando lá estive a Casa de Serralves se tinha revitalizado e aberto ao público. Desta vez soube a pouco, mas deu para perceber que a cidade está bastante dinâmica, muito bonita e com turistas por todo o lado. É a mesma febre, tal como em Lisboa.

Mas uma vez mais estive na cidade de fugida. Por isso gostaria de lá voltar. De qualquer das formas, senti a vibração do outro lado do Douro, em Vila Nova de Gaia, e mais concretamente na Afurada.

A Afurada tem uma série de restaurantes com bom peixe, um mercado e o muito interessante Centro Interpretativo do Património Natural e Cultural da Afurada e do Estuário do Douro. Vale a pena a visita.

Se sairmos da Afurada e formos para sul, junto à costa, estendem-se vários quilómetros de praias até Espinho, bem fornecidas de restaurantes, esplanadas e de uma ciclovia para gente que tem pernas e gosta de fazer exercício físico. Destaco uma pérola: a Capela do Senhor da Pedra, em Miramar, uma lança de fé (para quem a tem e acredita) ancorada no extenso areal. Nesse dia o mar estava bravo e acredito que há dias em que o edifício fica rodeado pelas águas do Atlântico.

Voltando ao Porto, e com pena de não ter tirado fotos às suas belas ruas, com edifícios realmente bonitos e recuperados, ainda dei um raspão na Foz, que, de alguma maneira, parece ser o Estoril/Cascais da capital.

Lojas finas e gente a condizer parecem dar o mote. Preferi uma caminhada ligeira no paredão junto ao mar.

Ah, e sabiam que conduzi um Mercedes da Maia até à Afurada, em plena hora de ponta de uma sexta-feira? Sem GPS e apenas com um Mazda vermelho a abrir caminho bem posso dizer que foi uma aventura. Mas isso fica para uma próxima vez…

Muito mais ficou para ver e para dizer. Mas uma coisa é certa: o Porto está tão perto. E vai-se tão bem de Alfa Pendular. Nunca tinha viajado neste comboio, mas foi fantástico, muito melhor e mais confortável do que avião. Por isso, até à Invicta, em menos de 3 horas, de Pendular é que é!

Vejam o vídeo:

E vejam também o Porto visto do ar:

E vamos fechar com o título desta crónica, na música e nas palavras do Sérgio Godinho:

 

 

 

 

Radio Live Transmission*.

Este foi o meu primeiro rádio! (foto retirada daqui)

Desde os meus 9 ou 10 anos que a rádio moldou os meus gostos e preferências musicais. A partir dessa idade, e com a oferta do aparelho de rádio da foto (salvo erro, oferta dos meus pais e dos meus avós maternos, num certo Natal), ficava horas fechado no quarto a ouvir coisas novas e misteriosas para mim, mas que faziam todo o sentido descobrir e ouvir.

Ainda me lembro do programa Dois Pontos, duas horas de manhã, em cada uma delas passava um álbum inteiro, naquela altura principalmente rock progressivo e sinfónico.

Depois vieram os anos de 1977 e 1978. E com eles o punk e a new wave. E a minha vida mudou (não apenas a musical). Foram os anos do Rock em Stock. E uma vez, à noite, na improvável Rádio Renascença, eis que surge a voz do António Sérgio a apresentar bandas estranhas e desligadas de tudo o que eu até então tinha ouvido. Lembro-me de uma frase dele a apresentar os Gang of Four: “Será este o futuro do heavy metal?”. Não foi, mas deu-me a descobrir uma grande banda alternativa. E muitas outras se seguiram no Rolls Rock e no Som da Frente, anos e anos a fio.

Não havia internet, a televisão só tinha 2 canais. Mas a rádio (ok, alguma rádio) era tudo para mim!

Já depois da faculdade, e a trabalhar, assisti ao aparecimento da Voxx e da XFM, que continuaram na senda da divulgação da música mais alternativa, mas expandindo cada vez mais os horizontes musicais noutras direcções.

Nessa continuidade radiofónica, a Radar é hoje a ponta de lança da música menos massificada, para ouvidos mais esclarecidos e exigentes, mas sempre com pontes para muitos géneros, o que muito me agrada.

Já com a rádio totalmente integrada na internet, destaco aqui uma estação americana que acompanho no YouTube: a KEXP. É bastante ecléctica, passa música alternativa do mundo inteiro, com vídeos de actuações ao vivo, no Youtube. É a verdadeira Radio Live Transmission, tal como os Joy Division cantam na sua canção *Transmission.

E agora uma deliciosa banda com raízes turcas, num vídeo ao vivo na KEXP:

Tal como eu sempre digo na minha BBC Jukebox: Enjoy!

O Paraíso Escondido revela-se.

Há 4 anos, em circunstâncias diferentes da minha vida pessoal, estive no Paraíso. Mas escondido. De regresso ao Purgatório (ok, não quis dizer Inferno), escrevi uma crónica que podem ler aqui. Ou então aqui:

As minhas convicções pessoais não me deixam acreditar num inferno ou num paraíso instituídos. Esses estágios somos nós que os fazemos aqui, com os pés bem assentes na Terra. Contudo, e tendo um período de férias num ponto de mira, por alturas de Junho de 2014 dei comigo a procurar um destino de férias para 2 no booking. O alvo era a Costa Vicentina, zona do país em que há uns anos não punha os pés. Dei um tiro no escuro e acreditei: assim, quase do nada, reservei 5 noites do Paraíso Escondido. Foi fácil lá chegar, não foi fácil entrar. A seta Barranco do Inferno não parecia ser um bom prenúncio. Nem o Purgatório, a aldeia adjacente. Que humor negro mora naquelas paragens… O portão do Paraíso Escondido estava fechado, cadeado à banda, mas dissuasor. E o Éden é difícil de contactar, pois a rede móvel muitas vezes está muda. Mas a força do pensamento e duas mãos decididas abriram de par em par as portas que pareciam ser intransponíveis. Num sinuoso caminho até aos céus, no topo finalmente o paraíso revelou-se: uma casa de traça alentejana, altiva, contemplado a paisagem em redor. A seus pés um jardim bem cuidado e uma piscina convidativa. Do lado esquerdo uma construção moderna apresenta-se como que embutida na encosta, mas sem destoar da magnificência do cenário. Depois há a alma da(s) casa(s), a anfitriã, Berny. Os hóspedes podem contar sempre com a sua atenção, simpatia e elegância. Cabe a nós tirar partido do paraíso, seja pelo bom gosto da decoração, pelas refeições proporcionadas, pelos quartos acolhedores, num jeito cozy e praticamente personalizado. Tal como se tivéssemos em nossa casa. O paraíso, o nosso lar por uns breves mas relaxantes dias num Alentejo diferente mas muito apelativo, onde nos encontramos connosco, deixando escutar a nossa voz interior muitas vezes silenciada pelo stress dos agitados dias nas urbes. E havemos de voltar. E iremos indicar. A direcção do paraíso é o estreito caminho para nós próprios. Só temos de ir. E percorrer até entrar. As melhores férias desde há muito tempo. Obrigado Paraíso Escondido, agora revelado.

(Fotos retirados da galeria do site do Paraíso Escondido)

Baltazar, o Rei dos Montes.

O Baltazar é um pavão.

Tive umas férias curtas. Curtinhas, mesmo. Fui convidado para ir até ao centro do país, mais propriamente aos Montes da Senhora (nome que se presta a uma mão cheia de brejeirices), uma freguesia do concelho de Proença-a-Nova. Não conhecia. Fiquei a conhecer. Gostei. Da hospitalidade da minha anfitriã, das paisagens, das piscinas e praias fluviais, dos bailaricos. E do Baltazar.

E quem é o Baltazar? É um Citroen 2CV, um dos últimos, de 1988 (salvo erro). Não foi a primeira vez que andei num, mas desta vez foi memorável. À hora de almoço de um dia quente, lá veio ele todo lampeiro, muito bem domesticado pela sua dona, buscar-me à paragem do autocarro. E daí lá fui eu levado, como se viajasse numa máquina do tempo, até à Praia Fluvial de Cardigos.

Nos confins de Portugal, por entre muita água, cerveja, canções pimba e maranhos (excelentes num restaurante da vila Sobreira Formosa, uma povoação com um nome que faz jus à sua beleza), por onde quer que passasse Baltazar provocava torcicolos, olhares de espanto e alguma invejazita.

A rolar o pópó é um espanto: confortável nas curvas, com um motor que relincha na sua grande manada de 29 cavalos (!), e com um avançado sistema de ar nada condicionado. De capota aberta, a brisa do campo inundava-nos em ondas quentes. A refrigeração era simplesmente o nosso suor porque o Baltazar é Rei mas é um moço nada dado a luxos, apesar da ostentação das suas linhas e dos 2 coloridos tons que exibe vaidosamente como um pavão.

Nas subidas tinha a liberdade de se engasgar um bocadinho, mas, mesmo com a carga de 4 humanos, não deixou ficar ninguém mal. Ah, 4 mudanças ao lado do volante punham o bólide a roncar que nem um furacão a ameaçar as serranias. E lá nos levou, todo orgulhoso, para sítios que só ele o poderia fazer com muito mais encanto. E os sítios foram lindos! Ora espreitem estas fotos:

Duas sugestões finais: se puderem tentem andar ou conduzir (algo que não tive autorização…) este icónico automóvel; e já agora é obrigatório conhecerem esta zona do país (tão fustigada pelos incêndios), visitar as aldeias do xisto e banharem-se nas inúmeras e belas praias fluviais.

E tomem lá mais um vídeo do 2CV:

A juventude em estado líquido.

SUNLOVER COLLAGEN. Beber para não envelhecer?

Um dia destes, numa merecida pausa ao final da tarde, fui ao frigorífico buscar algo para refrescante para beber. Sentei-me na marquise e absorvi a brisa vespertina na companhia de SUNLOVER COLLAGEN, de amendoins crus, de sementes de girassol e de um livro.

Eu nunca tinha provado esta bebida. Foi uma oferta que recebi com agrado. E, na ausência da pessoa que me ofereceu a latinha, vivi uma urbana mas bucólica nostalgia, picando os amendoins e as sementes de girassol. O tempo passa… Mas este líquido tem propriedades que combatem a infalível passagem temporal. É o que diz o texto do site:

SUNLOVER COLLAGEN é a verdadeira inovação anti-aging em estado líquido. Fácil de tomar, esta bebida nutri cosmética tem um agradável sabor a pêssego branco – uma fruta oriental que ajuda a nutrir o corpo por ser uma fonte de vitaminas, minerais e fitonutrientes.

Banha da cobra ou bebida milagrosa? Bem, deverá ter algum fundo de verdade mas, obviamente, é algo para se levar (beber) com conta, peso e medida. No entanto, elucidam-me com a composição do produto e como tomá-lo:

Descrição do produto

Com Colagénio Marinho Hidrolisado
ZERO Kcal. 0% açucar (Stevia)
Sem: Conservantes, Gluten e Lactose
Aroma Natural de Pêssego Branco 
Vitaminas B3, B5, B6, B7, C, E e ZINCO

Como tomar?

Beba gelado e agite antes de beber. 
Aconselhamos o consumo de 1 SUNLOVER COLLAGEN por dia (2,5g de colagénio), pelo menos, durante 8 semanas.

Sem ironia, fico impressionado com o segredo de SUNLOVER. Afinal, está tudo no colagénio:

O colagénio, uma proteína, abundante no corpo humano, é a principal responsável por fornecer força e elasticidade à pele, 
ao mesmo tempo que ajuda a substituir as células mortas. Com o avançar da idade, a produção do colagénio começa a 
diminuir naturalmente, originando o envelhecimento cutâneo.

Magistralmente formulada com os princípios ativos do colagénio marinho hidrolisado, o SUNLOVER COLLAGEN promove 
uma ação rápida e de grande absorção, intervindo diretamente no reforço do nível do colagénio no corpo humano. 
O SUNLOVER COLLAGEN, contém elevados índices de vitamina C, que é a principal responsável pelo processo de produção 
de colagénio na constituição física.

Sorvendo as suas últimas gotas, atirei-me de cabeça às últimas páginas Tejo e das suas histórias. Nem bebida, nem o livro se perderam. Afinal ganhei mais tempo de conhecimento, e isso é um belo trunfo anti-aging.

E agora vejam aqui um vídeo sobre o tal livro, que recomendo vivamente, do jornalista e escritor Luís Ribeiro.

Era uma vez… no Fábulas Café.

No interior do Fábulas Café. Mesas postas para refeições.

Faz todo o sentido começar este post assim: era uma vez… E porquê? Porque fui ao Fábulas Café (não é a 1ª vez). Apesar de estar muito central — num charmoso pátio interior, entre a Rua Garret e a Calçada Nova de São Francisco — é um espaço muito calmo, com várias salas e recantos. A tranquilidade é ainda maior porque lá dentro as redes móveis ficam inoperacionais, tal é a espessura das suas paredes. O stress fica à porta.

Tem carta de comes. Mas também há bebes. Nunca tive o gosto de lá ter provado uma refeição, mas acho que está bem referenciado e tem opções vegetarianas, para quem não quiser entrar no reino da carne. No Fábulas só pode mesmo entrar a conversa mais íntima e o convívio entre amigos. Ninguém poderá ficar agarrado ao telemóvel. Até porque não faz nenhuma falta. E para quem receia não ter uma boa conversa sempre pode inventar uma história. Ou uma fábula, pois este é local apropriado para tal.

E agora tomem lá um desenho animado com uma fábula bem conhecida: