Um pedaço de história num pin.

Pin com um pedaço do Muro de Berlim.

O Muro de Berlim caiu há 30 anos. Foi um acontecimento histórico, obviamente. Não assisti ao vivo mas dei-me conta da sua importância, até para se pensar que se poderá (ou poderia?) ter um mundo melhor, numa altura em que se falam de novos muros, reais ou metafóricos.

Uma grande amiga minha, que é alemã, resolveu fazer uma festinha comemorativa dos 30 anos da sua queda. E, gentilmente, os convidados tiveram uma oferta que é uma relíquia: a oferta de um pin/badge com um pedacinho real do muro!

Para muitos foi um virar de página necessário. Para outros um erro. Mas erro maior seria ter um anacromismo destes numa Europa que uma vez mais parece estar num rumo errático, e com a extrema-direita a piscar o olho e novos muros. Sim, os extremos por vezes podem-se tocar. E sim, faz todo o sentido repetir um lugar-comum: no meio é que está a virtude.

E eis um vídeo sem muros:

É de mestre.

Por ocasião da visita a Lisboa de uma grande amiga minha (my music soul sister), e depois de uma ida a uma exposição de arquitectura e agricultura no CCB, foi-me dada a incumbência da escolha de um restaurante. Eu sugeri o Mestrias, a minha amiga reservou-o com antecedência pelo The Fork. E lá fomos nós, eu pela 2ª vez, a um restaurante que já foi referenciado pelo meu pai variadas vezes.

[O engraçado é que a 1ª vez que lá fui também estava acompanhado com outras duas das minhas grandes amigas. A sorte que eu tenho, amigas tão fixes e todas foram aos Mestrias. É de mestre!]

É mais uma tasca fina? É. E não é.

É fina porque tem um encanto descontraído e que casa bem com aquela zona de Lisboa — a Ajuda, junto à Igreja da Memória. Gosto da decoração e da esplanada tão agradável, nas noites mais quentes. E gosto da comida, obviamente, com influências variadas, mas um toque mais ou menos galego (digo eu). Comida que pode ser apreciada em pequenas doses, para partilhar, ou em doses individuais mais robustas, que ainda não provei.

Não é uma tasca fina porque, de uma forma interessante, preserva algumas receitas mais típicas mas dá-lhes uma abordagem ainda mais saborosa, sem cair em pretensões armadas ao pingarelho.

É para voltar de novo? Claro que é! De preferência em boa companhia. As minhas 3 amigas, por exemplo. Uma eventual e futura namorada bem pode esperar…

E agora um vídeo sobre a gastronomia galega:

Bodyboard em modo centrifugação.

Há um par de anos decidi-me meter no bodyboard. Sempre gostei de mar, e em novo era destemido e arrojado nas ondas. No Fear! Por culpa minha, pratiquei pouco este desporto nos últimos tempos. Duas quedas em btt e correspondentes ossos partidos arredaram-me da arrebentação. Mas eis que há uns dias decidi sacudir o pó ao fato e à prancha e fiz-me ao swell em Carcavelos. Foi humilhante! As ondas e a rebentação estavam mais fortes do que eu supus…

Ao apanhar a primeira onda, lá do alto dela, acagacei-me e abortei a viagem. Mas foi um desastre! Fui sugado pela sacanita e automaticamente entrei em modo centrifugação. Não bati no chão nem me magoei mas perdi logo os earplugs (mais umas merdas de plástico no oceano, GRRRRRRR), tais foram as voltas que dei na enxurrada.

Conclusão: resolvi sair, sentar-me na areia e desfrutar do sol magnífico do final de tarde. E sem frio, porque com o meu fato 4/3 não há brisa que me arrefeça. A única coisa que arrefeceu foi o meu ânimo, mas hei-de lá voltar! E ainda por cima, com a água mais fria, tenho de experimentar o gorro de surf, as luvas e as “botas” para os pés (é ver a ver a foto para perceber melhor).

O equipamento eu tenho. Agora só me falta é mais jeitinho.

Há mais de bodyboard e afins neste blog. Aqui e aqui.

E agora um fantástico vídeo de meter medo a Neptuno:

O Paraíso Escondido revela-se.

Há 4 anos, em circunstâncias diferentes da minha vida pessoal, estive no Paraíso. Mas escondido. De regresso ao Purgatório (ok, não quis dizer Inferno), escrevi uma crónica que podem ler aqui. Ou então aqui:

As minhas convicções pessoais não me deixam acreditar num inferno ou num paraíso instituídos. Esses estágios somos nós que os fazemos aqui, com os pés bem assentes na Terra. Contudo, e tendo um período de férias num ponto de mira, por alturas de Junho de 2014 dei comigo a procurar um destino de férias para 2 no booking. O alvo era a Costa Vicentina, zona do país em que há uns anos não punha os pés. Dei um tiro no escuro e acreditei: assim, quase do nada, reservei 5 noites do Paraíso Escondido. Foi fácil lá chegar, não foi fácil entrar. A seta Barranco do Inferno não parecia ser um bom prenúncio. Nem o Purgatório, a aldeia adjacente. Que humor negro mora naquelas paragens… O portão do Paraíso Escondido estava fechado, cadeado à banda, mas dissuasor. E o Éden é difícil de contactar, pois a rede móvel muitas vezes está muda. Mas a força do pensamento e duas mãos decididas abriram de par em par as portas que pareciam ser intransponíveis. Num sinuoso caminho até aos céus, no topo finalmente o paraíso revelou-se: uma casa de traça alentejana, altiva, contemplado a paisagem em redor. A seus pés um jardim bem cuidado e uma piscina convidativa. Do lado esquerdo uma construção moderna apresenta-se como que embutida na encosta, mas sem destoar da magnificência do cenário. Depois há a alma da(s) casa(s), a anfitriã, Berny. Os hóspedes podem contar sempre com a sua atenção, simpatia e elegância. Cabe a nós tirar partido do paraíso, seja pelo bom gosto da decoração, pelas refeições proporcionadas, pelos quartos acolhedores, num jeito cozy e praticamente personalizado. Tal como se tivéssemos em nossa casa. O paraíso, o nosso lar por uns breves mas relaxantes dias num Alentejo diferente mas muito apelativo, onde nos encontramos connosco, deixando escutar a nossa voz interior muitas vezes silenciada pelo stress dos agitados dias nas urbes. E havemos de voltar. E iremos indicar. A direcção do paraíso é o estreito caminho para nós próprios. Só temos de ir. E percorrer até entrar. As melhores férias desde há muito tempo. Obrigado Paraíso Escondido, agora revelado.

(Fotos retirados da galeria do site do Paraíso Escondido)

Zero vale mais que zero.

Larga o telemóvel e come!

Há cerca de 2 anos conheci a ZeroZero. É uma pizzeria no Príncipe Real (há outra no Parque das Nações). Fui lá em jantar romântico. Isso hoje já é passado mas voltei ao mesmo sítio. Levei duas pessoas especiais, que não faziam a mínima ideia do restaurante, e muito menos imaginavam o fantástico espaço da esplanada. Está-se no coração de Lisboa mas ali ouvem-se os pássaros. E comem-se óptimas pizzas. É uma gaita porque engordam mas que se lixe, vezes não são vezes.

A esplanada vale 20.

Estava tão compenetrado em telefonemas de trabalho, na companhia e na comida que não tempo tive para tirar fotos (estas são da A. Vic.). Mas deliciei-me e prometo que da próxima vez faço uma crónica mais alargada sobre a ZeroZero. De preferência em boa companhia.

E agora um vídeo para fazer crescer água na boca:

Vozes que (en)cantam os céus.

Os mais atentos já devem ter percebido que os meus gostos musicais se estendem por muitos e variados estilos (é só ouvir a minha página BBC Jukebox). As vozes búlgaras vêm desde os tempos da 4AD, com os seus icónicos discos Le Mystere des Voix Bulgares). E eis aqui a versão original:

Mas ponham também ouvidos no primeiro vídeo deste post. Nele é solista a incrível Neli Andreeva. É de encantar os céus, não é? E já agora vamos esticar as fronteiras e, num cenário incrível, pôr o corpo a dançar e a mente a pairar alto. De preferência sem Acid, só com Pauli:

 

Baltazar, o Rei dos Montes.

O Baltazar é um pavão.

Tive umas férias curtas. Curtinhas, mesmo. Fui convidado para ir até ao centro do país, mais propriamente aos Montes da Senhora (nome que se presta a uma mão cheia de brejeirices), uma freguesia do concelho de Proença-a-Nova. Não conhecia. Fiquei a conhecer. Gostei. Da hospitalidade da minha anfitriã, das paisagens, das piscinas e praias fluviais, dos bailaricos. E do Baltazar.

E quem é o Baltazar? É um Citroen 2CV, um dos últimos, de 1988 (salvo erro). Não foi a primeira vez que andei num, mas desta vez foi memorável. À hora de almoço de um dia quente, lá veio ele todo lampeiro, muito bem domesticado pela sua dona, buscar-me à paragem do autocarro. E daí lá fui eu levado, como se viajasse numa máquina do tempo, até à Praia Fluvial de Cardigos.

Nos confins de Portugal, por entre muita água, cerveja, canções pimba e maranhos (excelentes num restaurante da vila Sobreira Formosa, uma povoação com um nome que faz jus à sua beleza), por onde quer que passasse Baltazar provocava torcicolos, olhares de espanto e alguma invejazita.

A rolar o pópó é um espanto: confortável nas curvas, com um motor que relincha na sua grande manada de 29 cavalos (!), e com um avançado sistema de ar nada condicionado. De capota aberta, a brisa do campo inundava-nos em ondas quentes. A refrigeração era simplesmente o nosso suor porque o Baltazar é Rei mas é um moço nada dado a luxos, apesar da ostentação das suas linhas e dos 2 coloridos tons que exibe vaidosamente como um pavão.

Nas subidas tinha a liberdade de se engasgar um bocadinho, mas, mesmo com a carga de 4 humanos, não deixou ficar ninguém mal. Ah, 4 mudanças ao lado do volante punham o bólide a roncar que nem um furacão a ameaçar as serranias. E lá nos levou, todo orgulhoso, para sítios que só ele o poderia fazer com muito mais encanto. E os sítios foram lindos! Ora espreitem estas fotos:

Duas sugestões finais: se puderem tentem andar ou conduzir (algo que não tive autorização…) este icónico automóvel; e já agora é obrigatório conhecerem esta zona do país (tão fustigada pelos incêndios), visitar as aldeias do xisto e banharem-se nas inúmeras e belas praias fluviais.

E tomem lá mais um vídeo do 2CV: