O Paraíso Escondido revela-se.

Há 4 anos, em circunstâncias diferentes da minha vida pessoal, estive no Paraíso. Mas escondido. De regresso ao Purgatório (ok, não quis dizer Inferno), escrevi uma crónica que podem ler aqui. Ou então aqui:

As minhas convicções pessoais não me deixam acreditar num inferno ou num paraíso instituídos. Esses estágios somos nós que os fazemos aqui, com os pés bem assentes na Terra. Contudo, e tendo um período de férias num ponto de mira, por alturas de Junho de 2014 dei comigo a procurar um destino de férias para 2 no booking. O alvo era a Costa Vicentina, zona do país em que há uns anos não punha os pés. Dei um tiro no escuro e acreditei: assim, quase do nada, reservei 5 noites do Paraíso Escondido. Foi fácil lá chegar, não foi fácil entrar. A seta Barranco do Inferno não parecia ser um bom prenúncio. Nem o Purgatório, a aldeia adjacente. Que humor negro mora naquelas paragens… O portão do Paraíso Escondido estava fechado, cadeado à banda, mas dissuasor. E o Éden é difícil de contactar, pois a rede móvel muitas vezes está muda. Mas a força do pensamento e duas mãos decididas abriram de par em par as portas que pareciam ser intransponíveis. Num sinuoso caminho até aos céus, no topo finalmente o paraíso revelou-se: uma casa de traça alentejana, altiva, contemplado a paisagem em redor. A seus pés um jardim bem cuidado e uma piscina convidativa. Do lado esquerdo uma construção moderna apresenta-se como que embutida na encosta, mas sem destoar da magnificência do cenário. Depois há a alma da(s) casa(s), a anfitriã, Berny. Os hóspedes podem contar sempre com a sua atenção, simpatia e elegância. Cabe a nós tirar partido do paraíso, seja pelo bom gosto da decoração, pelas refeições proporcionadas, pelos quartos acolhedores, num jeito cozy e praticamente personalizado. Tal como se tivéssemos em nossa casa. O paraíso, o nosso lar por uns breves mas relaxantes dias num Alentejo diferente mas muito apelativo, onde nos encontramos connosco, deixando escutar a nossa voz interior muitas vezes silenciada pelo stress dos agitados dias nas urbes. E havemos de voltar. E iremos indicar. A direcção do paraíso é o estreito caminho para nós próprios. Só temos de ir. E percorrer até entrar. As melhores férias desde há muito tempo. Obrigado Paraíso Escondido, agora revelado.

(Fotos retirados da galeria do site do Paraíso Escondido)

Zero vale mais que zero.

Larga o telemóvel e come!

Há cerca de 2 anos conheci a ZeroZero. É uma pizzeria no Príncipe Real (há outra no Parque das Nações). Fui lá em jantar romântico. Isso hoje já é passado mas voltei ao mesmo sítio. Levei duas pessoas especiais, que não faziam a mínima ideia do restaurante, e muito menos imaginavam o fantástico espaço da esplanada. Está-se no coração de Lisboa mas ali ouvem-se os pássaros. E comem-se óptimas pizzas. É uma gaita porque engordam mas que se lixe, vezes não são vezes.

A esplanada vale 20.

Estava tão compenetrado em telefonemas de trabalho, na companhia e na comida que não tempo tive para tirar fotos (estas são da A. Vic.). Mas deliciei-me e prometo que da próxima vez faço uma crónica mais alargada sobre a ZeroZero. De preferência em boa companhia.

E agora um vídeo para fazer crescer água na boca:

Vozes que (en)cantam os céus.

Os mais atentos já devem ter percebido que os meus gostos musicais se estendem por muitos e variados estilos (é só ouvir a minha página BBC Jukebox). As vozes búlgaras vêm desde os tempos da 4AD, com os seus icónicos discos Le Mystere des Voix Bulgares). E eis aqui a versão original:

Mas ponham também ouvidos no primeiro vídeo deste post. Nele é solista a incrível Neli Andreeva. É de encantar os céus, não é? E já agora vamos esticar as fronteiras e, num cenário incrível, pôr o corpo a dançar e a mente a pairar alto. De preferência sem Acid, só com Pauli:

 

Baltazar, o Rei dos Montes.

O Baltazar é um pavão.

Tive umas férias curtas. Curtinhas, mesmo. Fui convidado para ir até ao centro do país, mais propriamente aos Montes da Senhora (nome que se presta a uma mão cheia de brejeirices), uma freguesia do concelho de Proença-a-Nova. Não conhecia. Fiquei a conhecer. Gostei. Da hospitalidade da minha anfitriã, das paisagens, das piscinas e praias fluviais, dos bailaricos. E do Baltazar.

E quem é o Baltazar? É um Citroen 2CV, um dos últimos, de 1988 (salvo erro). Não foi a primeira vez que andei num, mas desta vez foi memorável. À hora de almoço de um dia quente, lá veio ele todo lampeiro, muito bem domesticado pela sua dona, buscar-me à paragem do autocarro. E daí lá fui eu levado, como se viajasse numa máquina do tempo, até à Praia Fluvial de Cardigos.

Nos confins de Portugal, por entre muita água, cerveja, canções pimba e maranhos (excelentes num restaurante da vila Sobreira Formosa, uma povoação com um nome que faz jus à sua beleza), por onde quer que passasse Baltazar provocava torcicolos, olhares de espanto e alguma invejazita.

A rolar o pópó é um espanto: confortável nas curvas, com um motor que relincha na sua grande manada de 29 cavalos (!), e com um avançado sistema de ar nada condicionado. De capota aberta, a brisa do campo inundava-nos em ondas quentes. A refrigeração era simplesmente o nosso suor porque o Baltazar é Rei mas é um moço nada dado a luxos, apesar da ostentação das suas linhas e dos 2 coloridos tons que exibe vaidosamente como um pavão.

Nas subidas tinha a liberdade de se engasgar um bocadinho, mas, mesmo com a carga de 4 humanos, não deixou ficar ninguém mal. Ah, 4 mudanças ao lado do volante punham o bólide a roncar que nem um furacão a ameaçar as serranias. E lá nos levou, todo orgulhoso, para sítios que só ele o poderia fazer com muito mais encanto. E os sítios foram lindos! Ora espreitem estas fotos:

Duas sugestões finais: se puderem tentem andar ou conduzir (algo que não tive autorização…) este icónico automóvel; e já agora é obrigatório conhecerem esta zona do país (tão fustigada pelos incêndios), visitar as aldeias do xisto e banharem-se nas inúmeras e belas praias fluviais.

E tomem lá mais um vídeo do 2CV:

Em Cascais há sushi de comer e chorar por mais.

Sushi Del Mar. É no Mercado da Vila, em Cascais.

Gosto de sushi, não é novidade. E de cozinha de influência oriental (é ver o meu blog aqui, que tem muito para abrir o apetite). Mas nisto do japonês sou mais para o tradicionalista, não alinho muito em braseados e a afins. Mas, repito, gosto de sushi. E muito!

A propósito de um evento especial na minha vida (que reservo para mim), e coincidindo com o solstício de Verão, na passada sexta-feira, 21 de Junho, fui até Cascais, ao Sushi Del Mar. É um restaurante de um amigo e ex-colega meu, do mundo da publicidade, que mudou de rumo na vida e meteu-se em aventuras gastronómicas. E meteu-se bem, porque eu gostei bastante da comida!

É sushi variado e muito bem apresentado, sem chinesices de gosto fácil. É requintado mas informal. É delicioso e com toques de originalidade. É como eu gosto, e ainda por cima não achei excessivamente caro.

Vamos por partes:

  1. O preâmbulo deixou logo o meu palato alerta, principalmente com a pele de dois peixes devidamente braseadas (no japonês acho que são os únicos “braseanços” que eu aprovo). Isto muito bem acompanhado com uma Asahi à pressão.
  2. Seguiu-se a entrada propriamente dita: aqui quis arriscar e fui para um carpaccio de 3 peixes, em cama de laranja e lima, e com um apontamento de queijo. A combinação podia ter corrido mal, mas não! Um mistura ácida e suculenta de sabores, que casou bem com a Catarina (a fresca donzela que, sob a forma de vinho branco, nos acompanhou durante a refeição).
  3. Ah, o sushi e as suas variedades e atrevimentos. Foi a pièce de résistance da refeição. Uma prancha de sabores e texturas que nos encheu as medidas. A meu pedido quase tudo pendeu para o mais tradicional, mas aquelas 2 preciosidades com ovos de codorniz e ovas, ui! Ah, e o sashimi de corvina com lima. Mais uis! Tudo do bom e do melhor, com peixe fresco e muito bem preparado. Resistir é impossível.
  4. O remate em jeito de génio goleador foi a sobremesa: 3 bolas de arroz com 3 tipos de gelado lá dentro. Nem sem o que dizer… FENOMENAL!

Portanto, como já devem ter percebido, gostei e recomendo.

Muito obrigado aos empregados e ao chef, pela simpatia, disponibilidade e saber. E ao Francisco Vasconcelos por ter dobrado o Cabo das Tormentas da publicidade e ter apostado num restaurante que é para continuar a navegar com o mais favorável dos ventos. E à minha companhia, por ter embarcado comigo numa odisseia que já dura há mais de 2 anos. É para chegar a bom porto! Todos os dias.

Banzai e bons apetites!

Seja cusco. Vá ao Qosqo.

A carta do Qosqo.

Quem é curioso por outras paragens, costumes e gentes também deverá estar aberto a gastronomias diferentes e menos conhecidas. Tal é o caso da cozinha peruana. Em Lisboa, o restaurantes a mostrar-me pela primeira vez a comida do Peru foi A Cevicheria. Foi lá que pela primeira vez bebi um pisco sour e comi ceviche.

Uma noite destas, e por ocasião de uma grande amiga ter regressado de uma viagem de um mês no Peru, aceitei o seu convite para ir até ao Qosqo. Fica na Rua dos Bacalhoeiros e, assim, quem mora na zona de Lisboa, já não tem que ir aos Andes, andar lá pelas alturas, a deitar os bofes pela boca, para degustar esta deliciosa cozinha.

E agora o seu a seu dono: em troca de mensagens com o proprietário do Qosqo, fiquei a saber que desde há quase 7 anos que este restaurante, e a cozinha que faz e divulga, é pioneiro em Portugal, tendo sido uma das inspirações do chef Kiko Martins. Por isso, os louros a quem primeiro os semeou.

Tal como anteriormente, noutro post neste blog, não vou tecer grandes considerações sobre o que provei. Deixo isso ao paladar de cada um/uma. Mas vou ser sincero: é uma cozinha leve e sui generis, que vale mesmo a pena conhecer.  Seja cusco, vá ao Qosqo. E, já agora, faça planos e um dia destes meta-se num avião e voe ao Peru.

Marcador de mesa.

E eis um vídeo sobre como fazer ceviche:

Uma Rafeira na Tribu.

A propósito de casas — um dia explico melhor — um dia destes fui jantar com o meu irmão mais novo e a minha cunhada lá para os lados de São João das Lampas e do Magoito.

Imbuídos num perfeito espírito de clã familiar, rumámos ao território de uma tribo gastronómica, mais concretamente o restaurante vegan friendly Tribu da Terra.

Comi um imenso bitoque de seitan com tudo o que tinha direito: ovo, arroz e batata frito (ai a linha, ai o colesterol!). Já não me lembro o que o meu irmão e a minha cunhada comeram, mas sei que gostaram. Aliás, eles já conheciam o restaurante Tribu da Terra, um espaço despretensioso mas acolhedor, com óptimos sumos naturais e boa comida vegetariana.

Para empurrar a grande dose que comi, experimentei uma cerveja artesanal que não conhecia: a Rafeira. E sabem uma coisa? GRAMEI À BRAVA! Bebi uma Rafeira Blond Ale.  Ei-la nas palavras dos 2 produtores — o Nuno e o Rogério — retiradas daqui: “É uma cerveja leve onde o manjericão acrescenta uma nota de amargor e frescura que equilibra o sabor a mel e cereal torrado.”

O meu irmão bebeu uma Stout. Eis o que os referidos produtores dizem sobre ela: “É uma cerveja composta por várias cevadas que resulta numa cerveja com sabor a chocolate negro e acentos de caramelo que termina numa explosão de frescura tornando-se surpreendentemente leve.”

Para além do grafismo, que é marcante e divertido, gostei muito dos textos que acompanham a cerveja, no folheto ou no rótulo. São bem humorados e simples.

Conclusão: a Rafeira é como eu gosto. Ladra bem, morde melhor e bebe-se como poucas. Não sei onde ela se vende ou em que restaurantes há, mas uma coisa é certa: para os lados do Magoito há uma cerveja de uma tribu que vale a pena provar.

Cheers!

E agora tomem lá cachorros: