Delícia franciscana.

Neste blog tenho falado muito de cervejas. Artesanais, é bom esclarecer. Hoje falo de mais uma. Não é artesanal, mas é de trigo, que é uma das variantes que mais aprecio.

Quando há já uns bons anos comecei a experimentar cervejas diferentes das duas principais marcas portuguesas, o meu primeiro atrevimento foi uma cerveja de trigo. Era uma Cristal Weiss. E gostava muito dela. Mas acho que era só eu e mais 2 ou 3 tipos, porque esteve pouco tempo nas prateleiras dos hipermercados. Torneira fechada! Desapareceu! Kaput! Over and out!

Ao mesmo tempo comecei a experimentar duas marcas alemãs (what else): a Erdinger e a Franziskaner. À boa maneira alemã (e da Europa Central e do Norte) apresentam-se em garrafas de 0,5 l. Pode-se dividir por duas pessoas mas não é a mesma coisa. São cervejas que devem ser bebidas em grande.

Um dia destes comprei uma Franziskaner de trigo. Podia ter sido uma Erdinger. Ou até uma Paulaner, que também é muito boa. Mas apontei à marca dos monges franciscanos. E apontei bem, porque há qualquer coisa de especial numa cerveja de trigo: são encorpadas, mas sem serem “pesadas”; têm um amargor controlado, mas são deliciosas; e depois fica-se com a sensação de se ter bebido uma refeição, sem ter de se usar garfo e faca.

 

Quem é que ainda não bebeu uma cerveja de trigo? Olhem que é uma boa colheita. Atrevam-se e bebam!

E agora como se deve servir uma Franziskaner (ou qualquer outra cerveja de trigo):

Uma pedra de água.

água das pedras3

Água das Pedras (Salgadas), com um acompanhante essencial.

Tenho ainda na memória a primeira vez que bebi uma bebida com gás. Não sei se foi uma gasosa ou uma cola, mas aquilo “picou-me” a boca e o nariz. Por isso se diz que pica.

Recordo o filho de uma amiga que, num português com sotaque inglês (americano), um dia disse: “Isto pica”. Sim, é uma das características das águas gaseificadas.

Para mim é uma água que dá pica. Tem de estar fresca (guarda-se no frigorífico) e junta-se umas pedras de gelo e uma rodela de limão. É melhor, não tem açúcar, refresca e tem estilo. Ah, pormenor essencial: a água tem de ser da fonte das Pedras Salgadas. A famosa água das Pedras, como é mais conhecida.

Pelas suas (deles) palavras, eis o que se desvenda quando se levanta uma pedra:

Algumas das águas que bebemos hoje podem mesmo ser de chuvas que aconteceram há 10 mil anos.

Proveniente da chuva e da neve que derrete nas montanhas, a Água das Pedras passa por um processo de mineralização controlado pela própria natureza, o que faz dela uma das águas mais raras do mundo.

Durante este longo tempo, a água circula nas profundezas do subsolo, entre os 500 e os 100 metros de profundidade e vai ganhando os mineirais que fazem a sua composição única. Ao emergir, o gás, incorporado naturalmente na água e extraído da fonte com esta, mantém as mesmas características e o mesmo teor em g/L.

Very short version in english:

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Cheira bem.

Isto de se ser um homem cheiroso tem muito que lhe diga. Ou, neste caso, tem muito que se lhe cheire. Sim, porque com um gajo a cena não é tomar um banho e fazer a barba e já está. Ok, até pode ser mas muito de nós já vão um pouco mais além.

Comecemos pelo banho. Tenho a impressão que os sabonetes já caíram em desuso. Agora é tudo corrido (e lavado) a gel de banho. Uns já são muito hidratantes mas, talvez por isso, parece que estamos sempre ensaboados mesmo depois de termos despejado litros e litros de água por nós abaixo. Os recursos hídricos ficam a perder, a factura da água fica a ganhar. É mau…

Depois do banho dizem as regras das peles suaves e macias que se deve usar um creme hidratante. Eu, assumo, sou um bocado adverso a isso. Fico sempre com a sensação de que vou deixar a roupa toda peganhenta. Raramente ponho. Deixo-me ficar por um creme de rosto (e corpo) mas só ponho na cara, o que já não é nada mau (já falei dele neste post).

Hoje não vou falar da barba. Já falei disso aqui. Passo directamente para a secção de perfumaria. E o que é que vamos encontrar nela? Bem, só posso falar por mim, mas este rapaz gosta sempre de andar bem cheiroso, isso é garantido!

Nas fotos mostro o que neste momento tenho em cá por casa. De Issey Miyake, são logo dois produtos: o Sport (quase a acabar e acho que já não se faz, com pena minha) e o L’Eau D’Issey Pour Homme (eau de toilette a estrear). São um must! (isto fica mais fino com estes estrangeirismos…). Depois vem um frasco (vazio) de L’Homme, de Yves Saint Laurent. Não fiquei fã, confesso. Mas foi uma oferta e a cavalo dado não se olha os dentes. Por fim vem um perfume de amor (um dia explico). É o Nike Man, e é óptimo para o dia a dia. É só sprayar e andar! (peço desculpa, mas não consegui encontrar um link, o que é estranho).

Ok, querem a história do perfume? Cliquem na bolinha vermelha da foto em cima e terão uma informação muito bem perfumada.

E agora um vídeo sobre as diferenças entre os cheirinhos para elas e os cheirinhos para eles:

Bom de BOCA.

Era para se chamar BACO. Mas isso era um nome muito óbvio e batido. Foi então que a minha mãe o baptizou de BOCA. E sim, é uma história verdadeira. Passo a contar:

Há uns anos o meu pai e um sócio amigo abriram uma das primeiras e pioneiras wine shops de Lisboa. Chamava-se Coisas do Arco do Vinho (ou CAV, no seu acrónimo) e estava localizada em pleno CCB (já falei da loja neste post).

A loja foi um sucesso. Tinha óptimos vinhos à venda, bem como artigos e acessórios relacionados com o seu consumo e ainda produtos de mercearia fina. Um regalo! O êxito da loja reforçou-se com as dezenas de provas de vinhos realizadas e também pela realização de jantares de vinhos, com produtores e enólogos convidados.

[Só um parênteses para dizer que gostaria muito de ter um garrafa (cheia) deste vinho. Não há por aí nenhuma alma que tenha uma e que me convide para um copo? O autor deste blog ficaria eternamente grato.]

Mas de onde apareceu o BOCA? Continuemos, então: este vinho foi uma edição limitada que surgiu por ocasião do 10º aniversário da loja Coisas do Arco do Vinho. Com a parceria e o apoio do produtor CARM (Casa Agrícola Roboredo Madeira), o meu pai e o seu sócio experimentaram várias opções e blends e, em prova cega, escolheram a mesma combinação. BOCA estava feito! E foi um óptimo vinho, por sinal. Mesmo bom de BOCA.

Sobre este vinho, citando algumas das palavras que escrevi no verso do rótulo:

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Será que o Bordallo mete penas?

A cerâmica das Caldas da Rainha sempre primou por um conceito de inspiração naturalista, seja qual for o tipo de fruta ou de legumes que representa. Sim, porque na louça das Caldas há fruta e “fruta”, se bem me entendem…

Apesar de não ser um grande fã deste tipo de louça, e de muitas vezes não perceber bem a diferença entre a boa e a má, há um nome (actualmente é mais uma marca) que é incontornável: Rafael Bordallo Pinheiro. Notabilizou-se como desenhador, ilustrador, decorador e caricaturista, mas a sua veia artística moldou-o também na área da cerâmica.

Um dia destes, andando em busca de uma prenda para uma amiga, tive na mira as peças da marca Bordallo. Na Hangar Design Store, no CCB, havia pouca coisa. E o pouco que havia era caro! Um jarrão com andorinhas em relevo era ainda mais exorbitante. Com muita pena minha, não levei o artigo com as aves. Mas confirmei: o Bordallo mete penas… de passarada.

No entanto, entre artigos decorativos naturalistas, lá dei com umas peças da marca Laboratório d’Estórias. Eram igualmente aspiradoras de dinheiro, e com um pendor ainda mais realista (ver as fotos no início deste post), parecendo interessantes para oferecer. Mas tal não aconteceu, por óbvios motivos de contenção orçamental.

O que restou então? Andorinhas, senhores, andorinhas, que a minha namorada comprou na Mercearia Poço dos Negros, a 10,50€ três. Tenho a certeza de que a nossa amiga irá voar de felicidade. Ich bin so glücklich in Portugal!

3 Andorinhas, da Mercearia Poço dos Negros

3 Andorinhas, compradas na Mercearia Poço dos Negros. (foto gentilmente cedida por Marta Leonardo)

In english:

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Óculos que fazem bem à vista.

Para mim usar óculos escuros é muito mais do que uma atitude de vaidade. É uma necessidade. Tenho os olhos claros, a luz incomoda-me, apesar de gostar muito de a usufruir. É por isso que tenho de andar sempre armado de óculos escuros. E aqui entra a vaidade, assumo. Ao longo dos anos tenho comprado alguns óculos e eles têm ficado comigo. Uso-os quase todos, cada um deles consoante a intensidade do brilho solar. Mas eis que o meu estilo e a sua vaidade inerente ditam as suas leis: muitas vezes escolho um par de óculos para casar com a indumentária que visto. Chamem-me cagarolas. No problem. Se é para fazer bem à vista, que faça bem à minha e também à de quem põe os olhos em mim. É uma questão de boa visão e ainda melhor visibilidade.

Eis as marcas dos pares de óculos deste post: Ray-Ban, Giorgio Armani, Dolce&Gabanna, Pouilloux Vuarnet e Chilli Beans.

E agora um vídeo que o Movie Creator do meu Sony Xperia teve a gentileza de preparar e editar:

Short version in english:

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Quem não tem cão caça com tigre.

Estojo da Flying Tiger

Estojo transformado em porta-chaves, adquirido na Flying Tiger Copenhagen.

Tenho chaves. Algumas. Quase que fazem um monte. E eu tenho tido bolsas porta-chaves, mas com tanto chaveiro, acabam por se romper. Ok, são muitas chaves, mas nenhuma delas é a chave da felicidade (que eu saiba, porque essa deve estar guardada a sete chaves, passe o pleonasmo).

Obviamente que a ideia era encontrar uma bolsa capaz de albergar todas as chaves que andam comigo. O problema é que não encontrei nenhuma com o tamanho adequado. O único acessório que foi capaz de encher as minhas medidas (e olhem que elas são avantajadas, as medidas), foi um estojo verde, cuja utilidade primordial seria os lápis, as canetas, as borrachas e os afia lápis dos mais pequenos.

E onde é que encontrei esse estojo? Ah, leiam de novo o enigmático título destes post. Como pista sempre posso dizer que é uma espécie de loja dos 300 (sem nenhum desprimor) mas com acessórios e brindes que aliam utilidade ao design, muitos deles tendo como público-alvo os mais novos, as adolescentes que gostam de coisas fofinhas e muitos adultos que não querem largar muito guito e que se contentam em comprar prático e barato. É algo típico do norte da Europa. É típico de um certo tigre, quando não há dinheiro para se comprar acessórios de marcas de luxo. Eu fiquei contente, não me caindo os parentes na lama com um estojo escolar a servir de bolsa porta-chaves.