Segunda vida, primeira praia.

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Rede e voleibol. Na praia de Carcavelos (foto de Bruno Barão da Cunha).

O título deste post é um pouco exagerado, eu sei. Mas, de exagero em exagero, chega-se à praia. Neste caso, a de Carcavelos.

E como vim aqui parar? Sem entrar em detalhes muito pessoais sobre a minha vida privada, há cerca de 2 anos e meio aterrei em plena linha de Cascais/Estoril e, desde logo, tive uma atracção por esta longa praia, com um areal convidativo e ondas generosas, a olhar para o resplandecente Atlântico, polvilhado, aqui e ali, de encantadoras sereias. Ok, estou a ser duvidosamente poético, mas o impacto que nestes anos a praia teve em mim foi vital para o meu bem-estar e estado de espírito.

Só, ou bem acompanhado, muito tenho andado no paredão que liga, em serpentina marítima, Carcavelos a Paço de Arcos. Em passo acelerado, a sentir ventos e brisas, sentado no muro do Forte de São Julião da Barra para assistir a magníficos ocasos épicos solares (tanto adjectivo!), a mergulhar nas ondas ou a praticar bodyboard, a beber uma (só uma?) imperial numa esplanada (pode ser nos Gémeos ou no Moinho), a ver o mar revolto ou as estrelas em noite limpa, e até namorar, Carcavelos tem-me presenteado com muitas e boas sensações.

Se é para continuar a viver a minha segunda vida, não há que ter dúvidas: vou continuar a visitar a minha primeira praia. Até porque, como diz o ditado popular, “Há mar e mar, há ir e voltar”.

E agora um vídeo refrescante. Sobre a praia de Carcavelos, evidentemente:

And now short version in english:

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Lost in music (parte 3).

Continuando a viajar pelo meu universo musical, eis que no final dos anos 80, por entre o gosto por alguma house e techno, e com o decair da minha apetência pelas bandas baptizadas em Portugal de urbano-depressivas (mais recentemente o chamado goth rock), surge uma editora discográfica que (re)definiu os meus padrões jazzísticos: a ECM.

Jazz planante, dos países do Norte da Europa, música do mundo cruzada com improvisação, fusão de padrões clássicos com um certo avant-gard experimentalista, texturas sofisticadas mas, por vezes, despidas e enquadradas em conceitos minimalistas. Se a ECM não é isto, então oiçam e conceptualizem também.

Eis mais um exemplo:

E agora um recuerdo urbano-depressivo:

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On the spot.

É a mais recente secção de MARCA DE HOMEM. Está logo no topo da barra do lado direito do menu e será um espaço onde se mostrará um vídeo durante 3 ou 4 dias. Pode ser uma performance de uma banda, um videoclip, um assunto pertinente, uma marca que se destaca. Seja o que for é para ser visto. Estará ON THE SPOT.

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Imagem retirada daqui.

Bom de BOCA.

Era para se chamar BACO. Mas isso era um nome muito óbvio e batido. Foi então que a minha mãe o baptizou de BOCA. E sim, é uma história verdadeira. Passo a contar:

Há uns anos o meu pai e um sócio amigo abriram uma das primeiras e pioneiras wine shops de Lisboa. Chamava-se Coisas do Arco do Vinho (ou CAV, no seu acrónimo) e estava localizada em pleno CCB (já falei da loja neste post).

A loja foi um sucesso. Tinha óptimos vinhos à venda, bem como artigos e acessórios relacionados com o seu consumo e ainda produtos de mercearia fina. Um regalo! O êxito da loja reforçou-se com as dezenas de provas de vinhos realizadas e também pela realização de jantares de vinhos, com produtores e enólogos convidados.

[Só um parênteses para dizer que gostaria muito de ter um garrafa (cheia) deste vinho. Não há por aí nenhuma alma que tenha uma e que me convide para um copo? O autor deste blog ficaria eternamente grato.]

Mas de onde apareceu o BOCA? Continuemos, então: este vinho foi uma edição limitada que surgiu por ocasião do 10º aniversário da loja Coisas do Arco do Vinho. Com a parceria e o apoio do produtor CARM (Casa Agrícola Roboredo Madeira), o meu pai e o seu sócio experimentaram várias opções e blends e, em prova cega, escolheram a mesma combinação. BOCA estava feito! E foi um óptimo vinho, por sinal. Mesmo bom de BOCA.

Sobre este vinho, citando algumas das palavras que escrevi no verso do rótulo:

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Lost in music (parte 2).

Este post vem no decurso de um anterior. Depois de um mix há sempre um remix. Isto só para dizer que tinha para aí 13 ou 14 anos quando andava ocupado a ouvir o chamado rock sinfónico, hoje mais conhecido por prog rock: eram os Genesis (ainda com Peter Gabriel), os Yes, os Emerson Lake & Palmer, os Jethro Tull, só para falar dos mais conhecidos. Era tudo tipos com talento, virtuosismo e conhecimentos musicais acima da média, que compunham e tocavam faixas que demoravam uma eternidade, mas eu até gostava (os Pink Floyd também se enquadravam neste género musical tão teatral e grandiloquente). Eu dou 2 exemplos:

Ok, deixo aqui um delírio de mais curta duração, de uma banda holandesa:

Mas no final de 1977, princípio de 1978, tudo iria mudar. Na música pop e nas minhas hormonas. E um novo mundo (musical) se abriu perante os meus ouvidos. Tudo passou do 80 para o 8. Hey Ho Let’s Go!

De repente tudo estoirou na movida punk. Até tipos como Lemmy entraram neste novo supetão de músicas curtas, brutais e directas. O rock and roll ressuscitava!

Em breve iremos apanhar os estilhaços num próximo Lost In Music.

Um poeta na sombra.

Bruno Cunha, um poeta na sombra

Lendo poemas. (foto cedida por Marta Leonardo)

Este é um post mais atípico. De qualquer das formas, não costuma haver posts típicos neste blog. Ok, há um padrão, mas agora mando às malvas o padrão. Aviso já que até vai haver um poema! E porquê? Porque o criador e autor de Marca de Homem esteve presente no Open Day 8.0 da ADAO, tal como já referi aqui e aqui.

  • 1º Acto: andei de microfone em punho e papillon ao pescoço, a ler micro-contos aos visitantes do evento. Uns riram, outros sorriram, outros, mais sorumbáticos, devem ter olhado para o papillon gigante e pensado “Olhem-me só este palerma”. Felizmente que não há fotos minhas em plena acção interventiva como contador de pequenas histórias. Mesmo se existissem eu nunca as poria aqui.

Eis o micro-conto que mais li:

A história do rio que correu velozmente em direcção ao mar mas nunca o conseguiu encontrar

Veio o Verão. O rio secou.

  • 2º Acto: numa pequena sala escura, e quase às moscas, li alguns poemas meus. Da minha perspectiva, foi giro ver a reacção da filha da minha namorada e que parecia repetir “Olha só este palerma…”; mas o pensamento dela acrescentava algo mais perturbador: “… E ainda por cima namora com a minha mãe”. Ai como são tímidas estas novas gerações! Mas, no final, tive um comentário muito gratificante: “Precisamos de mais estupores como você”. Se lerem o poema que irei colocar neste post, acho que irão perceber.
Papillon gigante colorido 2

Papillon gigante.

Ah, tive direito a uma imperial Sagres (acho eu) de graça! Nada mau. Pena foi ser servida num copo de plástico, mas com tanta gente, e com os custos envolvidos, eu até percebo a razão (ando mal habituado com as cervejas artesanais…). E também havia paparocas, para quem tivesse um ratinho no estômago.

Se me diverti? Imenso! Antes de mais nada, o(s) espaço(s) da ADAO são incríveis, com opções tanto inside como outside (e ainda há uma torre com salas! afinal de contas a ADAO instalou-se num antigo quartel de bombeiros).

Depois a programação era muito variada: música (alternativa mas de muitos estilos), pintura, escultura, teatro, cante alentejano, performances, etc. E até poemas. Os meus. Aqui vai um estupor de um exemplo:

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Em breve mais Barreiro e Bruno.

Moinhos da Alburrica, no Barreiro

Moinhos de Alburrica, no Barreiro. (foto de Bruno Barão da Cunha)

Neste blog já falei com muito a propósito e destaque sobre o Barreiro e a sua dinâmica. A razão é simples: tenho andado por lá. Eu sei que isso não quer dizer quase nada mas é uma cidade que tem um potencial incrível, tanto a nível de dinâmica cultural alternativa, como ao nível do imobiliário.

O Barreiro é uma cidade com uma beleza industrial decadente mas que, a pouco e pouco, está a reerguer-se da cinzas e a tentar encontrar um outro rumo. É o que eu acho.

E o que tenho eu a ver com o Barreiro? Essa é a pergunta de 1.000.000 de €uros, para a qual eu não irei dar resposta, pelo menos para já. O que eu posso dizer é que estive presente num evento fantástico na ADAO. Em breve irei falar dele neste blog. Até lá, eis um aperitivo com este vídeo, acompanhado de uma Bohemia de trigo

Now in english:

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