Uma Rafeira na Tribu.

A propósito de casas — um dia explico melhor — um dia destes fui jantar com o meu irmão mais novo e a minha cunhada lá para os lados de São João das Lampas e do Magoito.

Imbuídos num perfeito espírito de clã familiar, rumámos ao território de uma tribo gastronómica, mais concretamente o restaurante vegan friendly Tribu da Terra.

Comi um imenso bitoque de seitan com tudo o que tinha direito: ovo, arroz e batata frito (ai a linha, ai o colesterol!). Já não me lembro o que o meu irmão e a minha cunhada comeram, mas sei que gostaram. Aliás, eles já conheciam o restaurante Tribu da Terra, um espaço despretensioso mas acolhedor, com óptimos sumos naturais e boa comida vegetariana.

Para empurrar a grande dose que comi, experimentei uma cerveja artesanal que não conhecia: a Rafeira. E sabem uma coisa? GRAMEI À BRAVA! Bebi uma Rafeira Blond Ale.  Ei-la nas palavras dos 2 produtores — o Nuno e o Rogério — retiradas daqui: “É uma cerveja leve onde o manjericão acrescenta uma nota de amargor e frescura que equilibra o sabor a mel e cereal torrado.”

O meu irmão bebeu uma Stout. Eis o que os referidos produtores dizem sobre ela: “É uma cerveja composta por várias cevadas que resulta numa cerveja com sabor a chocolate negro e acentos de caramelo que termina numa explosão de frescura tornando-se surpreendentemente leve.”

Para além do grafismo, que é marcante e divertido, gostei muito dos textos que acompanham a cerveja, no folheto ou no rótulo. São bem humorados e simples.

Conclusão: a Rafeira é como eu gosto. Ladra bem, morde melhor e bebe-se como poucas. Não sei onde ela se vende ou em que restaurantes há, mas uma coisa é certa: para os lados do Magoito há uma cerveja de uma tribu que vale a pena provar.

Cheers!

E agora tomem lá cachorros:

Inspiração cervejeira.

 

Estão na moda. Marvila e as cervejas/cervejeiras artesanais. Neste blog existem pelo menos 2 posts sobre esta matéria. Boa matéria. Já tínhamos falado aqui sobre a Dois Corvos, a Lince e a Musa. Esta última hoje tem honras neste post.

As cervejas são boas (obviamente, caso contrário não falaria delas) e os seus nomes derivam (esta foi à “futebolês”) de nomes ou de canções do universo pop-rock internacional. Sim, porque beber uma cerveja artesanal ao som de Led Zeppelin, Rolling Stones, Beatles ou Bruce Springsteen tem muito mais balanço (se fosse jazz seria swing, mas não aquele das trocas e baldrocas de casais).

Aliás, suspeito que o nome foi inspirado na banda inglesa Muse, que ainda não devem conhecer nem as cervejas nem o espaço da Musa. Por falar em espaço: é magnífico! Uma sala ampla em baixo, com o bar de balcão e um espaço para os djs botarem umas musiquitas; em cima uma mezzanine com mais mesas e uma vista privilegiada sobre as cubas de inox da fábrica.

Ok, inspirem-se e vão beber umas cervejas com queda para a música, em Marvila. Ah, e não se esqueçam de pedir uma empada de frango. São imperdíveis!

E agora tomem lá uma musequinha…

 

Fazer birras em Marvila.

Segundo os dicionários, birra é um acesso de fúria que revela descontentamento ou frustração, muito comum em crianças pequenas. Mas há outro tipos de birras, que actualmente se manifestam em vários locais, sob a forma de cervejas artesanais.

Ok, birra é a palavra italiana para cerveja e, para já, ficamos por Marvila e não vamos até ao país das massas e das pizzas. Calculo que já sabem que há um Beer District em Lisboa? Eu explico: Dois Corvos, Musa e Lince são 3 marcas de cervejas artesanais que assentaram arraiais em Marvila. Como estão as 3 bem pertinho umas das outras, decidiram (e bem) ter uma excelente ideia de marketing, et voilá: nasceu o Beer District de Portugal (e arredores, digo eu).

Sobre a Dois Corvos já falei aqui. Sobre a Musa apenas vos digo que, para além de óptimas cervejas, tem um bar que é um mimo: amplo e descontraído, onde se pode beber, conversar e até ouvir e dar um pezinho de dança ao som de DJs convidados. Da Lince ainda não sei o principal: as cervejas, pois ainda não bebi nenhuma, mas estou curioso.

Por tudo isto, e porque Marvila muito em breve será um dos grandes pontos de interesse de Lisboa (já é!), não façam birras e vão à descoberta das cervejas e dos restaurantes. Em breve irei falar aqui destes últimos mas são espaços diferentes e surpreendentes e não anunciados, tanto assim é que na noite de Halloween eu e a minha namorada entrámos num pretenso restaurante, prontinhos para uma deliciosa refeição, julgando ter encontrado aquele lugar que não existe.

Mistérios de Marvila esperam por ti…

Moura encantada.

moura cervejaRumei ao Sul. Tinha destino marcado. E 1 objectivo. Aliás 2: deslumbrar-me com o brilho de 3 sóis e aproveitar a companhia e o calor de uma estrela. E foi nesse propósito que a conheci, num pátio interior, à mesa com duas tostas, uma Moura que me pareceu exótica e encantada.

Corpo sedoso, de aromas estivais e paladar a alfarroba, uma princesa de Tavira, segundo reza a lenda:

“Aben-Fabila encantou a sua filha no Alcazár de Tavira, esperando voltar para a resgatar aquando da reconquista da cidade. Partiu, no entanto, para nunca mais ser visto, e a moura encantada permaneceu até hoje, fadada a um destino que nem o seu pai poderia imaginar. Desde então, volta todos os anos a subir às muralhas, para chorar e encantar na noite de São João, no dia 24 de Junho, aprisionada a um encanto que nunca mais a libertará. Assim também, surge uma cerveja para encantar e aprisionar nos seus paladares todos os que se aventuram a saboreá-la em boa companhia.”

No entanto não há bela sem senão. É ver o site e perceber um evidente erro de comunicação. Assim não há moura que resista.

“Infiel, deixou-me…”

Cerveja que voa alto.

18922002_663233383872050_468259202892058276_n

Chama-se Dois Corvos. É artesanal. É cerveja. É uma criação da Susana Cascais e do Scott Steffens. É um sucesso.

Lembro-me de ter sido uma “cobaia” em casa dos 2, quando começaram a fazer cerveja artesanal em casa. “O que achas?”, “Gostas?”, perguntavam. Para mim (e outras pessoas) só havia 3 ou 4 marcas de cerveja e uma meia dúzia de variedades. A cerveja artesanal era uma completa novidade. Sei que por essa altura, de vez em quando, já bebia cervejas de trigo alemãs. A experiência com a Cristal de trigo tinha falhado. Acho que só eu e mais 2 ou 3 tipos é que a compravam.

Passados 1 ou 2 anos, as experiências caseiras do Scott e da Susana quiseram sair das 4 paredes (ok, são mais) do seu apartamento e, a pouco e pouco, a Dois Corvos ganhou corpo e já está um pouco por todo o lado.

Hoje têm uma fábrica na zona de Marvila/Beato, local onde também há um tap room. Aí provam-se todas as suas variedades de cervejas, algumas delas limitadas a edições especiais. É claro que também se pode comprar cerveja nas suas instalações. Ou trazer a favorita num growler, o que é muito conveniente, tal como mostra este vídeo:

Como apreciador de cerveja só posso agradecer à Dois Corvos e a outras marcas similares o facto de terem posto uma série de gente a olhar a cerveja com outros olhos. E a bebê-la com satisfação! Há para todos os gostos, tal como já referi num post anterior. É só experimentar. E, acreditam, vão pelo cliché do Fernando Pessoa: 1º estranha-se, depois entranha-se.

O abc da cerveja artesanal.

DSC_0002

Cerveja artesanal ABC.

O abc da cerveja artesanal é o d. D de diversidade. Gajo que é gajo gosta de cerveja. Mas gajo que é gajo a sério tem de experimentar outras cervejas que não as mais comuns. E é aqui que entram as cervejas artesanais. Já há muitas, e para todos os gostos. São como as mulheres: há louras, morenas, ruivas, escuras; umas mais doces, outras mais amargas, mas todas elas com corpo, personalidade e sabor único.

A grande vantagem é que podemos experimentar todas! Não de uma vez, porque isso dá muitas dores de cabeça. Tal como as mulheres (pronto, vou ser acusado de machismo, mas as cervejas artesanais também são apreciadas por um número cada vez maior de mulheres). O que importa é que há sempre uma que casa bem connosco. E quando a descobrimos não a vamos querer largar mais.

Cerveja artesanal? É o casamento perfeito.