Sagres ou Super Bock?

Em dias de jogos de futebol, com transmissão televisiva, é mais do que hábito a rapaziada (homens e mulheres, note-se) trazer umas cervejas para com elas se vibrar com os golos ou afogar as mágoas de uma derrota.

Hoje será um desses dias, com Portugal a ter um jogo muito difícil contra o Uruguai. Agora a questão é muito simples: qual a cerveja que bebem? Sagres ou Super Bock?

Eu tenho uma preferência, mas não a vou divulgar, para já (se bem que cada vez mais as cervejas artesanais conquistam adeptos, eu incluído — aproveito para deixar aqui o link de mais um artigo referente à excelente Dois Corvos).

Por isso, lembro de novo o desafio (ao qual podem responder na página do facebook deste blog):

  1. Sagres
  2. Super Bock

Bebam com moderação mas apoiem sem restrições: FORÇA PORTUGAL!

E deixo aqui o delicioso filme que leva Portugal muito a peito:

Todos os caminhos vão dar a Marvila.

Mural de Bordallo II, no Beato, em direção a Marvila

(foto de Bruno Barão da Cunha).

Sinónimo de industrialização, contentores e armazéns e decadência urbana, durante muito tempo a zona oriental de Lisboa foi mal-amada e subvalorizada. Após a Expo 98 houve um impulso imobiliário para aquelas paragens, mas tudo se restringiu quase exclusivamente à área daquele evento. Tudo o resto ficou mais ou menos na mesma… até há pouco tempo.

Edifício José Domingos Barreiro, em Marvila

(foto de Bruno Barão da Cunha).

Vinhos, munições e combustíveis

Antes do declínio da zona Leste de Lisboa, até cerca de meados do século XX, Marvila (e também o Beato e Cabo Ruivo) destacou-se por vários motivos: armazenamento e comércio de vinhos, que teve como principais figuras Abel Pereira da Fonseca e José Domingos Barreiro (cujos edifícios são ícones de uma arquitetura marcante); fabrico de munições e de material militar, atividade em que se destacou a Fábrica Braço de Prata (onde hoje está instalada uma associação cultural com o mesmo nome); e a SACOR, empresa ligada ao setor petrolífero, e que teve a sua refinaria em Cabo Ruivo.

A pouco e pouco, e devido a vários motivos de ordem política, social e estratégia económica, a zona oriental de Lisboa começou a decair. Foi preciso assistir à realização de um evento marcante para que, aos poucos, tudo começar a mexer de novo, mas noutros moldes.

A EXPO 98 foi o motor de arranque?

As opiniões dividem-se. Terá sido a EXPO, se bem que num modo lento, o impulsionador da atual dinâmica de Lisboa oriental? Uma coisa é certa: com este certame de projeção internacional o mercado imobiliário teve uma grande boom em toda a área onde a EXPO 98 teve lugar. Mas entre a estação de Santa Apolónia e Marvila pouco se passou. Toda essa zona carecia de um plano de desenvolvimento imobiliário, tanto nas vertentes residencial como empresarial e comercial. Por esse motivo, e porque considerava-se que havia pouco charme para aquelas bandas, Marvila, Beato e áreas circundantes decaíram. Houve um impulso, é certo, na habitação de cariz social, mas em zonas mais longe do Tejo e com um estigma que não convidava muito ao investimento. Todavia, tudo muda, tudo se transforma. E, de preferência para novas e aliciantes oportunidades no ramo imobiliário e não só.

A Leste tudo de novo

Hoje há muita coisa nova a mexer em Marvila. E a diversidade é de assinalar. Por exemplo, tem sede de conhecer cerveja artesanal? Erga o seu copo à Dois Corvos, à Musa e à Lince. Quer dar uma vista de olhos às mais recentes tendências da arte moderna? Em Marvila há fantásticas galerias instaladas em espaçosos armazéns. Quer dar ao dente e saciar o estômago? Encontra ótimos restaurantes, entre os quais El Bulo, do conhecido chef Chakall, e o misterioso aquele lugar que não existe. E já agora não pode ficar à porta do Entra. Entre e bom apetite.

Mas Marvila tem muito mais. É ir e descobrir.

Vale Formoso, em Marvila (foto de Bruno Barão da Cunha).

Para trabalhar e viver

Porque esta zona da capital não é só boa vida, também há espaços de cowork e um hub creativo, este instalado no Beato. Para além disso há empresas a escolher esta zona pela sua dinâmica, pelos acessos fáceis e também por (ainda) não se pagar para estacionar.

Em termos imobiliários, tanto para habitar, como para negócios, ainda existem oportunidades às quais se pode deitar a mão. Mas tenderá a ficar mais reduzida. Por isso, é melhor reservar já o seu espaço em Marvila e zonas circundantes porque, claramente, apresentam opções de investimento a ter em conta, beneficiando-se da vibrante e crescente dinâmica que cada vez mais mora em Lisboa oriental.

(Artigo escrito por Francisco Duarte e também disponível aqui e aqui)

À mesa da Carpintaria.

Por vezes não há nada como uma lixa para suavizar as arestas da rotina. E isso é ainda melhor quando se corta a direito na monotonia com alguém que nos é querido.

E é assim que um final de tarde se pode ornamentar numa refeição ligeira a dois, sem ter de se comer muito. O importante é saber apreciar estes pequenos momentos, seja em que lugar for (e ainda por cima com a agradável surpresa de ter dado de caras com um primo direito).

Esse lugar foi A Carpintaria, na Av. 24 de Julho, bem perto do Mercado da Ribeira. É um espaço que se estende ao comprido, terminando num palco onde, pelo que eu sei, costuma haver música ao vivo. O pé direito é alto. Pelo nome, e por alguns utensílios e mecanismos, dá para ver que este bar/restaurante em tempos era mesmo uma carpintaria.

A refeição ligeira foi em crescendo de qualidade: um carpaccio de atum; uma pizza com rucola e queijo de búfala; e a fechar um excelente cheesecake.

É uma experiência a repetir? Claro que sim. Principalmente se for para tornear o conservadorismo dos hábitos instalados.

Cheesecake na Carpintaria

O excelente cheesecake.

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Inspiração cervejeira.

 

Estão na moda. Marvila e as cervejas/cervejeiras artesanais. Neste blog existem pelo menos 2 posts sobre esta matéria. Boa matéria. Já tínhamos falado aqui sobre a Dois Corvos, a Lince e a Musa. Esta última hoje tem honras neste post.

As cervejas são boas (obviamente, caso contrário não falaria delas) e os seus nomes derivam (esta foi à “futebolês”) de nomes ou de canções do universo pop-rock internacional. Sim, porque beber uma cerveja artesanal ao som de Led Zeppelin, Rolling Stones, Beatles ou Bruce Springsteen tem muito mais balanço (se fosse jazz seria swing, mas não aquele das trocas e baldrocas de casais).

Aliás, suspeito que o nome foi inspirado na banda inglesa Muse, que ainda não devem conhecer nem as cervejas nem o espaço da Musa. Por falar em espaço: é magnífico! Uma sala ampla em baixo, com o bar de balcão e um espaço para os djs botarem umas musiquitas; em cima uma mezzanine com mais mesas e uma vista privilegiada sobre as cubas de inox da fábrica.

Ok, inspirem-se e vão beber umas cervejas com queda para a música, em Marvila. Ah, e não se esqueçam de pedir uma empada de frango. São imperdíveis!

E agora tomem lá uma musequinha…

 

Fazer birras em Marvila.

Segundo os dicionários, birra é um acesso de fúria que revela descontentamento ou frustração, muito comum em crianças pequenas. Mas há outro tipos de birras, que actualmente se manifestam em vários locais, sob a forma de cervejas artesanais.

Ok, birra é a palavra italiana para cerveja e, para já, ficamos por Marvila e não vamos até ao país das massas e das pizzas. Calculo que já sabem que há um Beer District em Lisboa? Eu explico: Dois Corvos, Musa e Lince são 3 marcas de cervejas artesanais que assentaram arraiais em Marvila. Como estão as 3 bem pertinho umas das outras, decidiram (e bem) ter uma excelente ideia de marketing, et voilá: nasceu o Beer District de Portugal (e arredores, digo eu).

Sobre a Dois Corvos já falei aqui. Sobre a Musa apenas vos digo que, para além de óptimas cervejas, tem um bar que é um mimo: amplo e descontraído, onde se pode beber, conversar e até ouvir e dar um pezinho de dança ao som de DJs convidados. Da Lince ainda não sei o principal: as cervejas, pois ainda não bebi nenhuma, mas estou curioso.

Por tudo isto, e porque Marvila muito em breve será um dos grandes pontos de interesse de Lisboa (já é!), não façam birras e vão à descoberta das cervejas e dos restaurantes. Em breve irei falar aqui destes últimos mas são espaços diferentes e surpreendentes e não anunciados, tanto assim é que na noite de Halloween eu e a minha namorada entrámos num pretenso restaurante, prontinhos para uma deliciosa refeição, julgando ter encontrado aquele lugar que não existe.

Mistérios de Marvila esperam por ti…

Cerveja que voa alto.

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Chama-se Dois Corvos. É artesanal. É cerveja. É uma criação da Susana Cascais e do Scott Steffens. É um sucesso.

Lembro-me de ter sido uma “cobaia” em casa dos 2, quando começaram a fazer cerveja artesanal em casa. “O que achas?”, “Gostas?”, perguntavam. Para mim (e outras pessoas) só havia 3 ou 4 marcas de cerveja e uma meia dúzia de variedades. A cerveja artesanal era uma completa novidade. Sei que por essa altura, de vez em quando, já bebia cervejas de trigo alemãs. A experiência com a Cristal de trigo tinha falhado. Acho que só eu e mais 2 ou 3 tipos é que a compravam.

Passados 1 ou 2 anos, as experiências caseiras do Scott e da Susana quiseram sair das 4 paredes (ok, são mais) do seu apartamento e, a pouco e pouco, a Dois Corvos ganhou corpo e já está um pouco por todo o lado.

Hoje têm uma fábrica na zona de Marvila/Beato, local onde também há um tap room. Aí provam-se todas as suas variedades de cervejas, algumas delas limitadas a edições especiais. É claro que também se pode comprar cerveja nas suas instalações. Ou trazer a favorita num growler, o que é muito conveniente, tal como mostra este vídeo:

Como apreciador de cerveja só posso agradecer à Dois Corvos e a outras marcas similares o facto de terem posto uma série de gente a olhar a cerveja com outros olhos. E a bebê-la com satisfação! Há para todos os gostos, tal como já referi num post anterior. É só experimentar. E, acreditam, vão pelo cliché do Fernando Pessoa: 1º estranha-se, depois entranha-se.