Welcome home.

A placa da casa é da Homebook.

Já todos nós, pelo menos uma vez na vida, andámos à procura de casa. Ou a ver se nos livramos dela. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. E a gaita é que geralmente não sabemos a que porta bater no momento em que nos viramos para o mercado do casario e afins.

Evoluímos bastante desde os tempos imemoriais em que nos abrigávamos em grutas. Mas o princípio é o mesmo: precisamos de um tecto para nos abrigarmos do frio, do vento, da chuva. E, nesse maior aconchego, aposto que a taxa de natalidade começou a aumentar.  Não há nada como o conforto de um bom calor para tirar a roupa e aumentar a prole.

Ok, estou a ser básico. Eu sei, sou homem. Mas não das cavernas. Sei apreciar uma boa casa. Ou ver os defeitos em cada esquina. “Ai o bolor”; “Merda de infiltração”; “Que porra, não se apanha sol neste quarto”. É o que se diz, ou pelo menos é o que se pensa, quando entramos num apartamento gasto pelos anos ou que foi menos abonado na qualidade da sua construção e materiais. Mas, como em tudo, para se ter uma gruta melhor (perdão, casa) há que ter uma carteira mais recheada. Ou um banco mais generoso.

E onde descobrir boas casas? Não digo. Num instante sei que irão bater à porta certa. Welcome!

E agora tomem lá uma casota minimal, sem plástico:

Todos os caminhos vão dar a Marvila.

Mural de Bordallo II, no Beato, em direção a Marvila

(foto de Bruno Barão da Cunha).

Sinónimo de industrialização, contentores e armazéns e decadência urbana, durante muito tempo a zona oriental de Lisboa foi mal-amada e subvalorizada. Após a Expo 98 houve um impulso imobiliário para aquelas paragens, mas tudo se restringiu quase exclusivamente à área daquele evento. Tudo o resto ficou mais ou menos na mesma… até há pouco tempo.

Edifício José Domingos Barreiro, em Marvila

(foto de Bruno Barão da Cunha).

Vinhos, munições e combustíveis

Antes do declínio da zona Leste de Lisboa, até cerca de meados do século XX, Marvila (e também o Beato e Cabo Ruivo) destacou-se por vários motivos: armazenamento e comércio de vinhos, que teve como principais figuras Abel Pereira da Fonseca e José Domingos Barreiro (cujos edifícios são ícones de uma arquitetura marcante); fabrico de munições e de material militar, atividade em que se destacou a Fábrica Braço de Prata (onde hoje está instalada uma associação cultural com o mesmo nome); e a SACOR, empresa ligada ao setor petrolífero, e que teve a sua refinaria em Cabo Ruivo.

A pouco e pouco, e devido a vários motivos de ordem política, social e estratégia económica, a zona oriental de Lisboa começou a decair. Foi preciso assistir à realização de um evento marcante para que, aos poucos, tudo começar a mexer de novo, mas noutros moldes.

A EXPO 98 foi o motor de arranque?

As opiniões dividem-se. Terá sido a EXPO, se bem que num modo lento, o impulsionador da atual dinâmica de Lisboa oriental? Uma coisa é certa: com este certame de projeção internacional o mercado imobiliário teve uma grande boom em toda a área onde a EXPO 98 teve lugar. Mas entre a estação de Santa Apolónia e Marvila pouco se passou. Toda essa zona carecia de um plano de desenvolvimento imobiliário, tanto nas vertentes residencial como empresarial e comercial. Por esse motivo, e porque considerava-se que havia pouco charme para aquelas bandas, Marvila, Beato e áreas circundantes decaíram. Houve um impulso, é certo, na habitação de cariz social, mas em zonas mais longe do Tejo e com um estigma que não convidava muito ao investimento. Todavia, tudo muda, tudo se transforma. E, de preferência para novas e aliciantes oportunidades no ramo imobiliário e não só.

A Leste tudo de novo

Hoje há muita coisa nova a mexer em Marvila. E a diversidade é de assinalar. Por exemplo, tem sede de conhecer cerveja artesanal? Erga o seu copo à Dois Corvos, à Musa e à Lince. Quer dar uma vista de olhos às mais recentes tendências da arte moderna? Em Marvila há fantásticas galerias instaladas em espaçosos armazéns. Quer dar ao dente e saciar o estômago? Encontra ótimos restaurantes, entre os quais El Bulo, do conhecido chef Chakall, e o misterioso aquele lugar que não existe. E já agora não pode ficar à porta do Entra. Entre e bom apetite.

Mas Marvila tem muito mais. É ir e descobrir.

Vale Formoso, em Marvila (foto de Bruno Barão da Cunha).

Para trabalhar e viver

Porque esta zona da capital não é só boa vida, também há espaços de cowork e um hub creativo, este instalado no Beato. Para além disso há empresas a escolher esta zona pela sua dinâmica, pelos acessos fáceis e também por (ainda) não se pagar para estacionar.

Em termos imobiliários, tanto para habitar, como para negócios, ainda existem oportunidades às quais se pode deitar a mão. Mas tenderá a ficar mais reduzida. Por isso, é melhor reservar já o seu espaço em Marvila e zonas circundantes porque, claramente, apresentam opções de investimento a ter em conta, beneficiando-se da vibrante e crescente dinâmica que cada vez mais mora em Lisboa oriental.

(Artigo escrito por Francisco Duarte e também disponível aqui e aqui)

Barreiro, uma cidade à margem?

“Quando Lisboa começa a não ter oferta suficiente e a preços razoáveis, tanto para habitantes como para empresas, o Barreiro poderá ser uma excelente opção de investimento a ter em conta.”

 

Da esquerda para a direita: mural/graffiti, de Ana Paxeco; edifício fabril abandonado.

(fotos de Bruno Barão da Cunha)

Na área da Grande Lisboa não é preciso ser-se um catedrático para perceber que o Barreiro ficou à margem das pontes sobre o rio Tejo. Almada tem a 25 de Abril. E quem partir à descoberta de Alcochete ou do Montijo utiliza a Vasco da Gama. Chegar ao Barreiro de carro até parece uma odisseia, mas vale a pena visitar a cidade porque tem muito para oferecer, para quem souber o que deseja encontrar.

As marcas do setor industrial

A história mais recente de Barreiro tem em si a motriz do desenvolvimento industrial de Portugal. Uma história que teve o seu apogeu nos anos 60 e 70, mas que, nos anos seguintes, fruto de transformações políticas, sociais e tecnológicas, perdeu relevância. No entanto, o património imobiliário, agora com um inegável valor arqueológico-industrial, continua a ser uma testemunha desse passado de glorioso progresso.

Andando pela cidade é fácil perceber que há grandes contrastes entre os edifícios, muitos deles bastante degradados, mas tendo um enorme potencial de reabilitação. E quando Lisboa começa a não ter oferta suficiente e a preços razoáveis, tanto para habitantes como para empresas, o Barreiro poderá ser uma excelente opção de investimento a ter em conta.

O que faz falta…

Apesar da rapidez dos transportes fluviais para capital, há muita gente a dizer o que faz falta ao Barreiro é uma ponte. Ou várias. A primeira, e mais óbvia, seria uma terceira via sobre o Tejo, com ligação a Lisboa, fosse ela rodoviária, ferroviária, ou até ambas numa só. Aliás, esteve sempre em cima da mesa uma ponte entre o Barreiro e Chelas, mas pelos vistos, e para já, esses planos não irão sair da gaveta.

Depois, o Barreiro fica aninhado numa península, faltando também pontes para o Montijo e para o Seixal (já houve uma ligação para o Seixal, mas foi abalroada e destruída por um barco; atualmente há um projeto para uma ponte pedonal). Desta forma, o Barreiro é quase como uma ilha, tão perto de Lisboa, mas ao mesmo tempo tão longe. E isso pode fazer parte do seu charme.

A oferta cultural e de lazer

Para além do potencial imobiliário para habitação, e também para a implantação de empresas, o Barreiro tem muito para oferecer ao nível do associativismo cultural, de lazer e animação, bem como na quantidade de fantásticos exemplos de arte urbana.

O Barreiro é das cidades com o maior número de associações de âmbito desportivo e cultural. Entre elas é de referir a ADAO – Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios. Instalada num antigo quartel de bombeiros, é um polo de divulgação cultural mais alternativa, sendo bastante dinâmica e estando sempre pronta a divulgar novos nomes de muitas tendências e artes variadas. Mas há mais associações muito relevantes. É só pesquisar e conhecer.

Para beber um copo, ou até comer alguma coisa, e só com produtos portugueses, àPortuguesa Brr é um bar onde nos sentimos como se estivéssemos em casa. E, de facto, é como se fosse a nossa casa, com várias salas, sendo que uma delas é uma cozinha e outra um pequeno pátio interior. “Está-se bem”, é o que apetece dizer enquanto se come alguma coisa e se conversa sempre com uma seleção musical de fundo.