Há ginjinha em Alfama.

Maria Arminda, a senhora da ginjinha

Maria Arminda para a posteridade numa parede do recuperado Largo do Chafariz de Dentro. A ginjinha que bebi, servida em copinho de chocolate, foi comprada na sua banca, no referido largo.

Sou alfacinha. Mas nunca vivi em Lisboa, nem sequer tenho um espírito bairrista. E nunca vivi na capital, sempre nos concelhos limítrofes (até agora três). Mas sou lisboeta, sem arrogância nem falsa modéstia. Apenas lisboeta.

Nos últimos tempos tenho andado muito por Lisboa, pelas ruas mais estreitas, a olhar para o casario que se cola em banda, como um comboio que se espreme em carruagens compactas, cheio de gentes, cheiros, lojas e restaurantes dos mais variados tipos, onde o velho (agora em processo de renovação) se cruza com o novo, entre sons de línguas mais ou menos estranhas, onde não circulam comboios, mas há veículos com uma fonética que os faz lembrar. Tuk-tuk, tuk-tuk, muita gente, muita gente, colina acima, colina abaixo.

Por vezes páro. E sento-me. E absorvo o bulício que me circunda. Foi assim que, um dia destes, enquanto ia para uma sessão fotográfica, esperando pela fotógrafa (excelente!), reconfortado num banco de madeira do Largo do Chafariz de Dentro, em Alfama, vendo os turistas a beberricar ginjinhas, resolvi também pedir uma. Na banca da Dona Maria Arminda, claro está.

Fui fino. Pedi uma ginjinha servida em copinho de chocolate, que é bem mais interessante e gulosa. Custou 1,5€, que isto de preços baratos em Alfama (ou noutro qualquer bairro de Lisboa) está mais abonado para as carteiras dos cámones ou dos franciús que as dos tugas. Mas não me arrependo. Até porque descobri que as ginjinhas se podem beber em qualquer lugar, se bem que têm mais encanto quando se degustam num local típico e característico. Em bom português: À VOSSA, PORRA!

E agora tomem lá um vídeo que é bom que nem ginjas:

Sempre em construção.

Ao longo da vida estamos sempre em construção, tentando ter boas infra-estruturas para depois o edifício não abanar quando estiver a crescer. Ou quando tiver terminado, sem medo das borrascas mais intensas. Mas elas acontecem, e por vezes tudo abana. Importa é que a construção fique de pé, tapando-se as rachas e as fissuras que ficaram como provas das intempéries.

Tal como na natureza, também na vida há ventos e ventos. Os que hoje parecem ser adversos amanhã podem ser favoráveis. E vice-versa. Por vezes é tudo uma questão de momento. Mas quase tudo tem a sua lógica mesmo que por vezes se opte com o coração. Ou será o contrário? Primeiro vem o instinto e a seguir é que damos uma lógica a isso? Lá está, é como o vento, como as correntes. Como a vida. Sempre em permanente movimento e (des)construção.

E, como se diz metaforicamente, quando se fecha uma porta, abre-se uma janela. Ou outra porta. É entrar, por favor.

PS: este post teve a participação da Homebook e de dois dos seus imóveis (ver aqui e aqui). As fantásticas fotos são da Sara Ferreira.